Alvoradas e Trilhas

Cavernas

{ 05:39 AM, 2/6/2014 } { 0 comentários } { Link }

Na Sistina calcarea
A estalactite de Michelangelo
toca o dedo da estalagmite
O sol incide na agua
E reflete a silueta de morcegos
Que cochicham,
as reflexões de Platão
A abobada de quartzo
Nos arremete
A historias ancestrais
de arquetipos de mascaras
Vindas dos sambaquis
Para reverenciar
Cristais lapidados 
Por deidades e demonios 
Para se aquecer no fogo
Para se banhar,
e dormir...



Floresta amazônica

{ 05:33 AM, 2/6/2014 } { 0 comentários } { Link }

Entre os paredões da floresta
sigo em uma trilha
O suor verte com facilidade
o ar é denso e quente
O canto do galo-da-campina ecoa
prenuncia o desconhecido
Bebo água do cantil
Respiro, tomo coragem
e penetro na floresta
A liteira de folhas
Deixa o chão flutuante
Então me dou conta 
que entrei em uma festa
sem ser convidado...
Todos sabem que estou ali
mas você não os vê
Paro e ouço a minha respiração
então tomo consciência
de que é uma festa gótica
As catedrais e seus espigões
estão incrustados de bromélias
Seus pórticos
são frangeados por cipós e helicôneas
A minha imobilidade
faz com que o som do sub-bosque
retorne pouco a pouco...
Então de soslaio, percebo uma presença
e congelo...
É o tronco megalítico da castanheira
Seus braços irrompem para todos os lados
Abraçam toda a floresta
Descubro que sou refém dela
Os coxiús e araras acham graça
de que só agora percebi isso
Então dou um passo para traz 
tropeço, e caio sentado na trilha
Quem sabe amanhã
eu esteja mais preparado...



Enseada

{ 05:23 AM, 2/6/2014 } { 0 comentários } { Link }

Depois de nadar e nadar
Encontramos uma enseada
A areia, o vento
Os coqueiros nos dão sombra e água
Então resolvemos construir ali
Uma casa de pedras, tijolos e argamassa
Colocamos um trono na varanda
E nos auto-proclamamos rei da enseada
Então, certo dia, o mar se afasta
Cria um tsunami que destrói tudo
Passamos a odiar o tsunami
Mas isso é um erro
Ele está apenas nos dizendo:
Não construa na enseada!
Você está interferindo
Na reprodução das tartarugas
No equilíbrio dos manguezais
Na própria pureza da água
Construa a sua casa nas montanhas
De lá você pode ver toda a enseada
E você será bem-vindo
Quando furtivamente
Quiser se deleitar dela.



Marajó

{ 05:22 AM, 2/6/2014 } { 0 comentários } { Link }

O vento sopra e sopra
Infinitamente, infindavelmente
Cajueiros e palmeiras se dobram a ele
Vem do rio de água salgada
ou seria mar de água dôce?
Embalado pelo carimbó
o bôto dança com a sereia
E os sonhos da madrugada
de Soure, Salvaterra
arremetem ao fogo ancestral
dos navegadores pré-colombianos
então a carroça de búfalos
sinaliza a chegada da alvorada
cavalos marajoaras seguem a trilha do sol
que é tingida pelo banco das garças,
o rosa dos colheireiros
e o vermelho dos guarás…



O pescador Zen

{ 05:21 AM, 2/6/2014 } { 0 comentários } { Link }

O Zen não pode estar errado
Pelo simples motivo que não propõe o que é certo
Ele simplesmente não propõe nada 
Não é uma filosofia, não é um sistema de crenças
O Zen é mais como uma pescaria
O pescador novato está preocupado em pescar um peixe 
Mas o pescador experiente não está preocupado com isso
Ele fica imerso nas ondulações da superfície da água
Na vegetação das margens, no movimento do fundo da água
No sol que bate em seu rosto e no vento que refresca sua pele
E no seu silêncio, um peixe é pescado
Quanto mais despretensioso, mais rica é a pescaria...



Rio Branco

{ 05:20 AM, 2/6/2014 } { 0 comentários } { Link }

A sensação é de imensidão
Os barcos contrastam
De pesqueiros tranqüilos
De voadeiras barulhentas
Mas se vão
Então o martim-pescador singra o rio
Mas poucos como ele se mostram
A mata sim, denuncia milhões
De trinados, de canções, de silêncios...
Qualquer um de nós sentiria vontade de cantar
Pois o céu vai mudando de cor a cada minuto
O sol é o maestro
É intenso...
Está se pondo e as nuvens incandescem com sua presença
Mas em alguns pontos intangíveis do céu
Nuvens fantasmas se mantêm brancas
Tudo isso parece demais para um jarro tão pequeno
Mas o rio é mais bondoso
Acalma com seu som 
Dissolve os excessos do sol
E transforma seus raios em caminhos
Que não nos deixam dúvidas
Que estes são os verdadeiros caminhos...



Canaima

{ 05:18 AM, 2/6/2014 } { 0 comentários } { Link }

Os tres buritis do lago Canaima
Farfalham entremeados de Makunaima
Para que os Pemons naveguem
As mulheres lavem roupas
e os curumins brinquem
O rio de cha preto
Banha os seixos brancos
E como no inferno de Dante
Navegamos no vale do nunca
Por entre os Tepuis
Entre os dedos de Deus
Destemidos, rumo ao desconhecido
Seguimos até o atrio permiano
Em que se desnuda a Angel Falls
Subimos a trilha de raizes
E generosa, nos permite o banho
Confraternizamos
Trocamos juras de amor em silencio
e dormimos no malocao
Um sonho estranho
Pois parecia mais real
Que a propria realidade...



Savana amazônica

{ 05:16 AM, 2/6/2014 } { 0 comentários } { Link }

A paisagem é aberta
O vento é livre
Gigantes monolitos descansam no horizonte
e ao seu encontro
serpenteiam as veredas de buritis
prenunciando o igarapé
que matam a sêde
que banham os curumins
Na ponta do moerão
o pequeno falcão está à espreita
E no meio do capinzal
o tamanduá fareja o murundu
Como em guetos particulares
os tuiuiús e as garças 
refrescam os pés nas lagoas de baixada
Então a Cruviana ganha força
Quando penetra nos caimbés
Deixando os meus olhos mareados
A cabeça pende para a frente
e as mãos em forma de oração.



Pantanal

{ 05:14 AM, 2/6/2014 } { 0 comentários } { Link }

Na alvorada,

pacientemente,

o cavalo veste a selaria

e então,

O tererê de meio chifre...

e de tarumãs e carandás

até o Porto da Manga,

vai a comitiva

As catadoras de iscas

por entre os camalotes

acenam para a chalana

assim como os guaicurus

regidos pelo Rio Paraguai

que com suas águas

banham as capivaras,

os aruanãs e os curumins

até a calada da noite

em que os olhos dos jacarés

se confundem com o céu estrelado

e a fogueira revela aos olhos

os mistérios do Pantanal...Na alvorada,

pacientemente,

o cavalo veste a selaria

e então,

O tererê de meio chifre...

e de tarumãs e carandás

até o Porto da Manga,

vai a comitiva

As catadoras de iscas

por entre os camalotes

acenam para a chalana

assim como os guaicurus

regidos pelo Rio Paraguai

que com suas águas

banham as capivaras,

os aruanãs e os curumins

até a calada da noite

em que os olhos dos jacarés

se confundem com o céu estrelado

e a fogueira revela aos olhos

os mistérios do Pantanal...



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