Anjo Azul

Rosa Perigosa

{ 12:52 AM, 8 December 2011 } { 0 comentários } { Link }

Sim, eu sou uma flor
Rosa, por sinal
Vermelha, feminina e sensual
Rosa daquelas belas
De pétalas cheirosas e delicadas
De despertar desejos e sonhos
Amores bem risonhos
Espinhos? Não os tinha...
Para quê, se meu desejo era perfumar as mãos que me tocavam?
Mas o mundo não tem só jardineiros...
Tem também aventureiros...
Chegam e nos roubam
Querem nos levar para longe
Destruir nossas raízes, murchar nossas pétalas
Esvair nosso perfume...
Aprendi que para continuar bela
Preciso dos espinhos...
Então eles cresceram e são fortes
Eles ferem, envenenam e fazem sangrar
Aprendi que os jardineiros serão hábeis e não vão se machucar
E os aventureiros vão perceber
Se tentarem me tocar
Que uma bela e delicada rosa
Pode ser muito, muito perigosa...

(Anjo Azul)



Veracidade e Não-Violência

{ 08:31 PM, 6 October 2010 } { 0 comentários } { Link }

Relendo o livro “Cartas à Ashram” de Gandhi, uma frase me chamou a atenção, o que na primeira leitura não tinha acontecido: “As únicas virtudes que pretendo são a veracidade e a não-violência”.

Fiquei refletindo que uma alma tão elevada como ele, que provavelmente só reencarna em planetas como a Terra para missões coletivas, tenha pretendido para essa vida apenas duas virtudes. Todas duas dificílimas, diga-se de passagem, e que ele vivenciou à risca, nos mínimos detalhes.

Para nós, ainda afinizados com um planeta de provas e expiações, fica difícil imaginar até o que seja vivenciar essas duas virtudes em sua máxima como ele o fez. Imaginem o que seria para nós dizer sempre a verdade, em todos os detalhes. É impossível não lembrar de uma comédia americana estrelada por Jim Carey, chamada “O Mentiroso”, onde um advogado (Jim) à pedido de seu filho, não consegue dizer nenhuma mentirinha durante um dia inteiro. Como tudo ficou de pernas para o ar no dia dele! E Gandhi vivia assim, mesmo sendo advogado também, durante 24 horas, *todos os dias*.

Jamais dizia uma mentira, independente do prejuízo ou sacrifício que significasse para si próprio. Qual de nós teria tamanha força de caráter, e tamanho desprendimento do ego, para cultivar a veracidade em todos os lances da vida? Nós ainda fazemos pior. Além de contarmos uma mentirinha ou outra eventualmente, para nos resguardarmos da bronca do chefe, ou da cobrança de um cliente importante, nós também pedimos que outras pessoas mintam por nós. Pedimos sempre que alguém diga à outra pessoa que não estamos, quando estamos. Que um funcionário diga ao cliente que o trabalho está todo pronto, quando não está. Que um filho diga ao pai que acabou o dinheiro, quando não acabou. São tantas as mentirinhas que dizemos ao longo do dia, que os especialistas dizem que, em média,  um ser-humano *normal* (que não tem nenhuma patologia que o faça mentir, embora nesses casos o que conta é mais a motivação – e falta dela -, e não a quantidade) conta em torno de 200 mentiras por dia.

Imaginemos então, que quando Gandhi escolheu a veracidade como uma das duas virtudes que iria se concentrar totalmente, ele não estava fazendo pouco, e sem dúvidas estava muito à nossa frente.

E com relação à não-violência, que ele também vivia à risca, ao ponto de ter se tornado ícone e exemplo nessa virtude, ele também devia encontrar muita dificuldade de viver isso aqui na Terra, porque ele não se restringia a ser pacífico só com os seres-humanos, mas com toda a Criação, até as plantas. Se alimentava apenas de frutas, porque elas caem das árvores, e isso quer dizer que não matamos a planta e nem a prejudicamos para nos alimentarmos de fruta. Ele vivia intensamente todos os pormenores da não violência, e agia apenas depois de constatar que sua ação e até palavra, não iria violentar o que quer que fosse. Há uma parte do seu livro “A Roca e o Calmo Pensar” que ele conta de quando compraram o terreno onde foi construído seu Ashram. O local estava infestado de cobras, e ele proibiu que qualquer um, à qualquer pretexto, matasse uma só cobra. Que morressem, mas não matassem. Ele disse que todos tinham medo, inclusive ele, mas que violar o ahimsa estava fora de cogitação. E assim foi por anos, e durante todo o tempo, embora as cobras tenham continuado lá, nenhuma delas fez mal à qualquer um deles, e que no fim ele atribuíra isso à Deus, que retribuiu o respeito que eles tiveram pela vida das cobras, protegendo a vida deles.

Quem de nós consegue viver assim, se quase todos os dias nós violentamos até à nós mesmos? E mesmo quando cuidamos de nós, e  somos pacíficos uns com os outros, nós violentamos a Natureza todo o tempo. Uma vez, pensando nisso, eu cheguei a ter um pensamento tragicômico, mas que foi uma dúvida honesta que me ocorreu: “como será que Gandhi fazia se um de seus filhos pegasse piolho, por exemplo? O que não deve ser difícil num país como a Índia, que tem sérios problemas com a higiene. Será que ele deixava o menino cheio de piolhos? Mesmo que raspasse a cabeça, ele iria decretar a morte dos piolhos e das lêndias, não é?” Eu não consigo conceber uma vida num mundo como a Terra, sem que haja qualquer tipo de violência, mesmo aquelas que praticamos inconscientemente. Mas ele conseguia.

Não foi em vão que por muitos anos os ocidentais consideraram Gandhi um louco estravagante. Mas ele não era louco, ele só não era desse mundo, e aqui veio apenas para nos ajudar, mas tentando viver a vida de quem já habita esferas e mundos onde a não-violência é comum, e toda a sociedade é adaptada à viver de forma pacífica em todos os seus pormenores. Imagino o sacrifício que ele teve que empregar para viver dessa forma aqui na Terra. Mas penso também que se almas como ele nunca viessem aqui nos mostrar na prática que é possível, nós nunca sairíamos do lugar.

E pensar que nós, tão pequeninos, ainda não conseguimos praticar nenhuma virtude em todos os pormenores, e quando conseguimos avançar um pouco em uma delas, já saímos vitoriosos da vida. Para vermos como ainda estamos distantes. É nas horas que nos deparamos com essa nossa pequenez, que somos obrigados à cultivar a humildade, e orar para encontrarmos forças e robustez espiritual para prosseguirmos na nossa caminhada de auto-iluminação. Precisamos mesmo orar e vigiar muito, para avançarmos um pouco que seja nas virtudes, que ainda nos são tão difíceis de praticar.  Cada vez mais constato que a vigilância e a oração devem ser uma das nossas maiores e prioritárias preocupações. Aliás, o próprio Gandhi disse muitas vezes que só conseguia viver essas duas virtudes de forma tão intensa, porque das coisas que mais fazia na vida era orar e vigiar cada um de seus atos, palavras e especialmente pensamentos.

E nós que vivemos a vida concentrados em juntar bens, pagar contas, comprar coisas, receber pagamentos de tudo, e mais mil interesses que dizem respeito apenas à matéria, ainda temos a pretenção de dizermos que somos seres espiritualizados, só porque buscamos algum conhecimento sobre a vida espiritual. Acho mesmo que nós ainda nem conseguimos conceber o que seja viver espiritualmente num mundo como a Terra. E todos aqueles que tentaram e conseguiram, foram tidos como loucos, exagerados e visionários por muitos de nós. Mas se Deus permite que eles reencarnem para nos ensinar, é porque já temos condições, e falta-nos apenas a coragem e a determinação de nos despojarmos do nosso egoísmo, orgulho e falsa noção de necessidade da matéria para sermos felizes. A matéria é nossa ferramenta de progresso, não o motivo dele. E nós passamos a vida toda tendo os bens e o conforto material como motivo de luta, para no fim não levarmos nem mesmo o nosso corpo.



Renúncia e Paciência

{ 08:30 PM, 2 October 2010 } { 1 comentários } { Link }

Em muitos momentos é difícil para nós termos o exato momento em que a resignação é a única estrada possível, sobretudo quando o que está em jogo são nossos maiores tesouros, pelos quais jamais temos limites para a luta. É com esse sentimento de luta incansável e obstinação ilimitada que muitos doentes terminais lutam pela vida até seu último segundo na Terra, ou que mães lutam pela vida de seus filhos ao ponto de darem suas próprias vidas quando nenhum outro recurso existe.

Para aqueles que amam não há impedimentos que se lhes afigure fortes o suficientes para lhe serem motivos de resignação. Enquanto houver como lutar, luta-se, e isso é inegociável. Enquanto houver meios, usa-se, e quando não mais houver, encontra-se novos. Desistir da luta? Nunca. O sentimento de impotência lhes é a mais penosa e desesperadora provação, e para vencê-la um coração que ama é capaz de absolutamente tudo que seja ético, e em alguns casos, renuncia-se até da ética e das mais profundas convicções, afim de amparar e ajudar os seres mais amados. Uma mãe que mente descaradamente para conseguir, por exemplo, um exame importante para o filho. Uma esposa que paga propina para um político para conseguir uma cirurgia urgente para seu esposo, ou até uma pessoa que se humilha entrando de ônibus em ônibus afim de pedir dinheiro para alimentar e medicar os filhos. Não há limites para a renúncia, nem mesmo a renúncia da própria dignidade e moral. Muitas prostitutas estão precisamente nessa condição, enfrentando renúncias que muito poucas mulheres suportariam, para que consigam ao fim da noite, levar o suficiente para nada faltar à seus filhos.

Deus vê tudo isso. Vê sob óticas que à nós é vedada. Vê a profundeza do coração de cada um de nós, e o quanto de amor estamos colocando em cada um dos nossos gestos, mesmo os mais errados e reprochados pela sociedade. Vê a nossa nudez espiritual muito mais do nós próprios somos capazes, porque não raras vezes nos escondemos atrás de mil artifícios para nos protegermos da dor. É assim que Deus nos vê: pelo quanto de amor estão impregnadas nossas atitudes, pensamentos e intensões.

Nos momentos da luta que somos chamados à renunciar, não há limites para a renúncia. Mas nos momentos que somos chamados à nos resignar, é quando mais necessitamos de forças para lutar. Não a luta que estávamos acostumados. Não aquela luta que damos tudo que temos, cada um dos vinténs que possuímos, todo o sangue e suor até a última gota. Mas uma luta infinitamente mais difícil para quem ama: a espera. Para essa luta não precisamos renunciar ou nos permitir a destruição se for necessário. Precisamos apenas de paciência. A mesma obstinação ilimitada para a paciência que tínhamos para a renúncia.

A paciência que permite à um cientista passar anos a fio numa mesma experiência para encontrar a cura de uma doença que assola os humanos. A paciência que permite à uma mãe passar anos e anos cuidando carinhosamente do filho que vive em coma num hospital. A paciência que permite que uma esposa espiritual passe séculos e até milênios esperando seu companheiro que vive ainda em zonas inferiores da Vida.

Acredito que muito do progresso que vemos hoje no mundo ocorreu graças à obstinação do homem em lutar contra as adversidades, independente delas terem início em nós ou nos desígnos divinos. E em todas as lutas pelo progresso, pelos nossos amores, pela própria humanidade, e sobretudo pelo nosso próprio progresso íntimo, nós precisamos ser obstinadamente firmes e ilimitados nessas duas virtudes: renúncia e paciência. Ora uma, ora outra, mas sempre as duas.

Não há como progredirmos sem renunciarmos à nós mesmos enquanto ego, sem renunciarmos à prazeres materiais, ou à muitas das coisas que julgamos importantes quando vemos pela visão temporal e limitada, de seres imperfeitos que somos. Da mesma forma que não há como progredirmos sem paciência. Paciência para errar e recomeçar incansavelmente. Paciência com os erros alheios. Paciência com os próprios desígnos de Deus, que muitas vezes não pode atender nossos pedidos, anseios e desejos imediatamente. Paciência com o tempo das pessoas, com o tempo da coletividade, que avança lenta, mas indubitavelmente. Paciência com as diversas formas de pensar, de perceber e de viver das outras pessoas. Paciência para esperar o tempo de Deus, mesmo quando temos que renunciar a nossa desesperadora pressa pelo nosso tempo. Como disse-me um amigo espiritual muito querido: “Nós temos o nosso tempo, mas só o tempo de Deus é o da sabedoria”.

E das coisas mais díficeis para os corações que amam é terem paciência para esperar, renunciando ao tempo de lutar, até que o tempo de Deus se cumpra…



União com Deus

{ 08:28 PM, 27 September 2010 } { 0 comentários } { Link }

Hoje penso que não há outra Lei de Justiça além da Lei do Amor. A única que reje o destino das almas e dos mundos. E o quanto ela vai demorar para nos alcançar, depende apenas de nós e de Deus que coloca em nossos destinos as ocasiões que nos despertarão o amor, mas ainda assim nós podemos recusar, então no fim continua dependendo de nós. O resto é o caos gerado pelo nosso livre-arbítrio, religiosamente respeitado por Deus. Não consigo mais ver justiça tal qual a entendemos, como mérito ou demérito. Vejo apenas aprendizado e misericórdia, mas ainda isso depende de nós. E o tempo da misericórdia? Só Deus o sabe. Um dia ela chega, inevitavelmente, mas só Ele sabe pelo que teremos que passar até que estejamos prontos para a receber.

A maldade – ou ignorância – existe, atua, escolhe e tem liberdade. Nós, filhos de Deus, conforme nosso grau de amor e possibilidades, atuamos para amenizar-lhes os efeitos, mas acabar com ela depende dos envolvidos estarem ou não em sintonia com a Lei de Amor. Não importa as possibilidades ou nível de compreensão, se somos crianças ou adultos na arte da Vida e do Amor, importa apenas que nunca deixemos de olhar para o amor.

Acreditar no amor e ser fiel à ele é nossa única proteção contra a maldade, se vivemos no meio dela. Olhar sempre para o amor, nunca para as imperfeições que ainda o maculam nas almas, é nossa garantia de imunidade à maldade – e aqui não digo de não sermos atingidos por ela, mas de não nos tornarmos parte dela, em maior ou menor grau. E a única garantia da Vida é que no fim o amor sempre vencerá, haja o que houver. Não há garantia de tempo, de forma, de meios, apenas do fim. Sobre o tempo, a forma, o meio e demais processos, só Deus sabe. Podemos ter probabilidades e planejamentos, mas nunca garantias além do que é Lei: A Harmonia do Amor sempre é o fim de todo caos.

E aprender sobre isso dói, porque somos homens, e como homens pensamos e erigimos nossas Verdades. Quando a ineroxabilidade da Vida destrói nossas Verdades para nos mostrar que a única Verdade é o Amor, nos sentimos perdidos, desamparados e injustiçados. Precisamos de tempo para nos adaptarmos à viver sem o orgulho de termos a Verdade nas mãos, uma Verdade construída por nossas necessidades e possibilidades. Não a temos. Nunca a teremos nas mãos. Só o que podemos ter é a opção de viver essa Verdade e sempre optar por ela, cada vez um pouco mais, até que ela seja nossa própria verdade. Mas só há um ser que a tem nas mãos, e à Ele todos nós estamos submetidos, e nos entregar à Ele verdadeiramente exige muito de nós, saídos do lamaçal do caos e do sofrimento, pequenos aspirantes da Ventura do Amor e da Plenitude.

As feridas da maldade doem, a cura dói, e depois de tanta dor, como não sentir medo? Com Ele sempre estaremos seguros de estarmos caminhando para o equilíbrio, mas quanta dor mais teremos que enfrentar até chegarmos à Ele? Como não temer caminhar de mãos dadas com o Que, não obstante seja todo Amor, permite o sofrimento e a maldade, quando tudo que desejamos é a inocência da felicidade de amar e ser amado, sem desejar mal à ninguém?

Se Ele permite tais coisas como meio de aprendizado, então como acreditar que conhecer o amor, desejar amar e caminhar no amor é garantia de ser feliz? Como ter certeza de alguma felicidade por desejá-la, se acima de nosso desejo por amor e felicidade está nossa necessidade de aprender sobre as coisas da Vida e evoluir nas diversas escolas de Virtudes? Quanto mais nos vemos pequenos diantes de Deus, quanto mais reconhecemos nossa condição de tão, tão pequenos aprendizes, mais vemos que à nossa frente há apenas o desconhecido. O desconhecido que está nas mãos de apenas um Ser, que é incógnita para almas como nós. Confiar no Amor Dele? Sempre, indubitavelmente. Mas como confiar que nosso entendimento de necessidade é o mesmo que o Dele? Nós não podemos lhe sondar os desígnos, mas Ele pode nos sondar toda a imortalidade. Nós não podemos ver de onde Ele vê e nem saber o que só Ele sabe. Então como podemos nos guiar às escuras?

*Pausa para reflexão e prece*.  Talvez a resposta esteja no fato de que Deus atua através de nós, e quando o buscamos, quando entramos em comunhão com Ele, quando oramos e elevamos a alma à Ele com o amor que há em nós e o desejo de servir, nós sentimos a vontade Dele e um impulso irresistível, que nasce do amor. Continuamos sem saber o que Ele sabe e ver de onde Ele vê, mas sentimos no próprio coração, em forma de amor, a vontade Dele, e assim Ele se serve de nós como seus instrumentos, e assim, formamos com Ele uma imensa teia de amor à atuarmos, todos juntos, pela harmonia do Universo. Ele não está em algum lugar, vendo-nos agindo e apenas respeitando nossas escolhas. Ele está dentro de nós, guiando nossas ações amorosas, como o Pai guia seus filhos para o caminho que lhe trará mais crescimento. Ele está no coração da mãe, que sabe exatamente o que seu filho precisa quando chora desta ou daquela forma. Ele está no instinto de todos os animais, que os faz se harmonizarem tão perfeitamente. Ele está na união dos átomos, que os faz se ligarem em formas tão perfeitas. Ele está no amor dos seus filhos, quando esses O buscam e se deixam serem guiados por Ele. Está no amor dos anjos e nos anseios mais sagrados e santos que o amor de nossas almas faz brotar de nossos seres.

Deus está em nós e não em qualquer lugar, distante de nós, nos dando liberdade para fazer tudo por nossa conta, enquanto suas Leis arrumam nossa bagunça. Ele está conosco, dentro de cada um de nós, esperando a hora que escolheremos e Lhe permitiremos viver também através de nós. Nisso consiste o respeito Dele à nosso arbítrio. Ele nunca nos constrange à Lhe aceitar vivo através de nós. No nosso momento, quando permitirmos e ansiarmos, Ele nos acolhe nos braços e não podemos mais olhar para trás. Podemos até tentar, por medo, mas chega um momento que sua força é irresistível. Há quem resista à Ele por muitas eras, mas um dia, por misericórdia, Ele reune a ocasião de mostrar toda sua força e “nos conquistar”, porque resistir à Ele estava nos fazendo mal demais, e Ele quer nossa felicidade, acima de tudo.

Não nos constrange, nos conquista. Podemos, ainda assim resistir, e Ele respeitará e continuará esperando para viver por nós. Nesse caso sofreremos, não por punição, mas porque é resistir à Ele que dói tanto e tanto, e trás tantas feridas e marcas. Temê-Lo, tentar destruí-lo dentro de nós, fugir Dele, escondê-Lo para fingir que Ele não existe em nós, tudo isso que nos destrói, que nos corrói, que nos estraçalha pouco a pouco. E a única cura para todo esse mal é aceitá-Lo, é deixar que Ele viva por nós, é libertá-Lo das prisões que construímos para Ele à fim de que sua força e seu poder nos cure, alivie e nos dê a tão necessária paz. A única forma de não sofrermos com revolta e dor as consequências de nossas escolhas equivocadas, geradas pela ignorância e resistência à Deus, é permitindo que Ele, enfim, viva por nós. E é dessa união perene com Ele que encontramos a tão desejada felicidade, e com Ele, mesmo sofrendo, rendemos graças. Estar com Ele é nossa garantia de felicidade, porque Ser Feliz é viver com e para Deus.

Só Ele pode nos guiar para a cura da nossa loucura. E deixar que Deus viva através de nós é amar. Amar perdidamente, intensa e plenamente. Amar à todos, à tudo, deixar que o amor nos invada, nos consuma, nos envolva e estravaze de nós, e então Deus se mostrará e guiará os nossos passos, vivendo através de nós, por nós e por nossos amores. E Deus nunca erra. Tudo sabe e tudo pode. Nada lhe é impossível.



Mestre e Pastor

{ 08:26 PM, 26 September 2010 } { 0 comentários } { Link }

Em várias passagens Jesus disse que veio pelos perdidos, por aqueles de má vida, doentes do espírito. Isso nos leva à meditar na nossa quase natural presunção de sermos aqueles com quem Jesus mais se preocupa, já que nos decidimos, voluntariamente, nos juntar ao rebanho dos que tentam ficar perto Dele. Raramente lembramos que, quando Ele esteve por aqui fisicamente, Ele visitava constantemente as casas e lugares onde estavam aqueles que, aparentemente não estavam interessados nos seus ensinamentos morais.

Olha só como Jesus era mesmo uma quebra de paradigmas. Como Ele podia ver o fundo de nossos corações, podia ver o que escondíamos por trás de todas as máscaras e defesas que usávamos para nos proteger do mundo hostil, Ele nos ensinou uma lição inesquecível: tirou de alguns antros de perdição, algumas das almas que mais brilhariam entre as jóias de Seu tesouro. Da mesma forma que mostrava, sem medo ou cerimônia, o cheiro nauseabundo que exalava por trás de toda a pompa dos sacerdotes, tidos como os homens de Deus da época. Ele nos mostrou, de forma inequívoca, que tanto os bons como os maus usam máscaras de proteção. Nos mostrou que por trás de uma ovelha negra, pode estar um pequeno cordeiro perdido e apavorado, que pintou-se de negro para se proteger dos predadores, muitas vezes invisíveis. Igualmente nos mostrou que por trás de uma belíssima ovelha alva e de raça, existia um lobo rapace, capaz de levar à cruz o próprio Salvador.

Vemos muitos que se apresentam com a máscara da maldade, como inimigos não só nossos, mas do Cristo também, e então eis que Ele nos surpreende e em vez de nos proteger do mal e nos resguardar dos aparentes lobos como esperávamos, Ele nos convida à irmos em sua companhia resgatar o corderinho inofensivo que alí habita, e que está pronto para seguir-Lhe, sem no entanto saber como… Mas para isso inevitavelmente nós sofremos, porque o aparente lobo resiste com todas as suas forças a se despojar de sua fantasia que sempre causou medo e desespero em quem tentou se aproximar, protegendo-o eficazmente de invasores indesejados.

Ele nos ataca ferozmente, nos destrói e massacra. Tudo faz para não permitir que retiremos sua fantasia de lobo, descobrindo assim, o quão frágil e amedrontado ele é. Não é fácil, e é necessário uma força sobre-humana para nos mantermos na posição de ovelha, sem acabarmos como lobos também, num desesperado ato de sermos como ele para nos protegermos dos ataques. Essa força sobre-humana, sem dúvidas, vem do entrelace estável e inabalável entre a nossa alma e a Alma do Mestre. E esse entrelace se mantém sobretudo pela oração incansável e pela vigilância constante. Não se pode descansar um só minuto, porque um lobo apavorado se mantém em guarda e vigília perene, quando se sente ameaçado.

Não foi em vão que o Cristo nos pediu que orássemos e vigiássemos todo o tempo. Não foi em vão que Ele nos disse que, se quisermos estar com Ele, se quisermos realmente seguí-lo pelos vales de dor e desespero, tinhamos que ser trabalhadores incansáveis, daqueles que não podem conhecer um só dia de ócio, um só dia de invigilância, um só dia de fraqueza. Mas então nos perguntamos: como? Como podemos ser sempre fortes, se somos ainda tão fracos, tão pequenos, tão cheios de egoísmo ainda? Como suprir as necessidades do Cristo, sendo ainda tão insuficientes e despreparados para seguí-Lo verdadeiramente? Todos os seus apóstolos mais diretos descreveram essa dúvida, essa confissão de incapacidade para trabalhos tão exigentes. Pedro, Tiago, Paulo, João, Mateus… Nenhum deles se sentiu digno, menos ainda prontos para enfrentarem lobos rapaces, afim de encontrarem neles as ovelhas perdidas do Mestre.

E de fato nenhum deles era forte suficiente, como nenhum de nós o é. Nenhum deles tinha aquela força de carácter imbatível, característica das almas verdadeiramente elevadas que contribuem com o Mestre das esferas angélicas e felizes. Eram “gente como a gente”, no entanto tinham algo que muitos de nós ainda não temos: foram inesquecivalmente tocados pelo Cristo nos lugares mais recônditos de suas almas. E esse encontro que cada um deles teve com o Mestre, permitiu que eles tivessem uma fé inabalável na presença constante, ainda que humilde e discreta, do nosso querido e amado Pastor.

É nesse momento que entendemos que, apesar de sermos tão pequenos e fracos como realmente somos, podemos nos fazer grandes e incrivelmente fortes, se soubermos reconhecer humildemente, que por trás de toda nossa força, de toda nossa capacidade, está Ele. É sempre Ele que resgata, que toca, que cura, que sustenta… Nós somos apenas pequenos e frágeis aprendizes, titubeantes nas virtudes e na fé, que precisamos do sustento Dele diário, afim de aprendermos na prática como Ele faz, para aos poucos, um dia de cada vez, seguí-Lo em todos os passos e em plenitude.

Nosso Pastor e Mestre, aquele que primeiro nos resgata dos lugares mais escuros de nós mesmos, para depois nos convidar à irmos aprender com Ele como se ama e se trabalha com Deus, como precisamos de pouco mais que uma fé inabalável na vitória do Bem e na assistência incansável Daquele que tem toda a força e capacidade que nos falta. E então, mesmo insuficientes, conseguimos à duras provas, sermos um pouco úteis, mesmo tão pequenos e fracos. E é sempre com muita alegria que nos percebemos sendo úteis, seja à quem for e como for, nas tarefas mais singelas às mais exigentes. Jesus, por fim, consegue nos ensinar que, apesar de todo sofrimento que podemos enfrentar para sermos úteis à Sua Obra, não há nada mais perfeito e prazeroso que servir…



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A mais elevada forma de esperança é o desespero superado. (Georges Bernanos)

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