FALCON FILES

Clínica da Mulher em 3 passos

02:42 PM, 1/6/2012 .. 0 comentários .. Link

 Com a constante falta de competência administrativa e a completa ausência de projetos que visem o aperfeiçoamento e a melhora de qualidade de vida do povo, resolvi postar aqui em meu blog, algumas pérolas da administração pública.

Eu não sou político, mas atuei na área de educação, conheci bem de perto a realidade de alguns municípios paranaenses, e agora, depois de aposentado, resolvi colocar aqui no meu blog, algumas fórmulas que dão certo na administração pública.

Todos os exemplos que vou expor aqui, servem para qualquer município do país, e podem ser levados a cabo, por qualquer vereador, prefeito, deputado, governador ou senador da pátria.

Vamos iniciar o curso intensivo de administração pública, oferecendo ao povo uma Clínica Médica rápida e eficiente, que pode ser montada em menos de 30 dias úteis, desde que se contorne alguns obstáculos inerentes. Três Passos são necessários:

1 Encontrar um imóvel grande para a instalação da Clínica, de preferência na área urbana do município. (uma casa grande com mais de oito cômodos) caso o município não possua um imóvel disponível, pode-se locar o imóvel, mediante a contrato. (Acredito que o gasto mensal referente ao imóvel locado não ultrapassará a 2 mil reais.)

2 Adequar os espaços do imóvel visando a consulta e o atendimento de pacientes. De acordo com as minhas pesquisas, as áreas a serem implantadas numa clínica médica são: Recepção, Consultório de Atendimento, Sala Cirurgica, Farmácia, Manutenção,Cozinha e Leitos. Contratar profissionais na área de saúde: Assist. Admin. Clínico Geral, Enfermeiros, Cozinheira, Aux. de Serv. (Entre os móveis e equipamentos uns 3 mil reais) Em profissionais 10 mil reais mensais

3 Credenciamento da Clínica, registro e regularização serão realizados com o apoio das prefeituras e por fim prestará os serviços médicos específicos de acordo com o equipamento disponível na clínica, desafogando o principal centro de atendimento do município.

Podemos ainda descentralizar alguns exames do princípal centro de atendimento municipal, transferindo equipamentos médicos para as demais clínicas recem criadas. Efetuar manutenções regulares nos equipamentos médicos, recuperando e reativando equipamentos parados do grande centro médico. A realocação desses equipamentos ou até mesmo a compra posterior de novos equipamentos, desafogará o principal centro de atendimento municipal e ainda proporcionará um melhor atendimento a população.

Tudo isso por apenas R$ 15.000,00 mensais, é possível e verídico. Pode ser usado como plano piloto em qualquer município do território nacional e pode ser apresentado por qualquer representante político da república. Porque não o fazem?



Olha Aí >> Só Dá EU! Hehe!

04:02 PM, 21/9/2011 .. 0 comentários .. Link

 



Alcohol 52% Gratis

09:19 PM, 26/8/2011 .. 0 comentários .. Link


A Chave de Salomão

10:51 PM, 15/8/2011 .. 0 comentários .. Link

 <a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.skoob.com.br/img/livros_new/2/49357/GUIA_PARA_A_CHAVE_DE_SALOMAO_DE_DAN_BROW_1252859788P.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 200px; height: 305px;" src="http://www.skoob.com.br/img/livros_new/2/49357/GUIA_PARA_A_CHAVE_DE_SALOMAO_DE_DAN_BROW_1252859788P.jpg" alt="" border="0" /></a><br />Sinopse: Identifica e esclarece temas do próximo livro do autor de ´O codigo Da Vinci:´ a história oculta de Washington, capital dos EUA; os ideais da maçonaria e seus reflexos na política norte-americana; as fraternidades secretas nas universidades, que ainda geram candidatos a presidência. Decodifica a simbologia republicana reproduzida nas armas e na moeda americanas. Indica por que os enigmas de Guia para a Chave de Salomão de Dan Brown recorrerão a simbolismos egípcios, rosa-cruzes e maçônicos, relacionando-os a arquitetura de Washington.<br /><br />Informações:<br />Gênero:Misterio<br />Ano de Lançamento:2006<br />Nº de páginas:206<br />Tamanho:1,51 Mb<br />Formato:Rar<br />Idioma:Português<br /><br /><a href=http://bitroad.net/download/0bb929ac2497bac38a0c2812525f33c9d/A_Chave_de_Salomao.rar.html">Download aki</a>



Atendimento Médico no SUS de Araucária

09:49 AM, 11/8/2011 .. 0 comentários .. Link

No último domingo, tive de ser levado ao serviço de emergência do SUS no município de Araucária, onde moro. Talvez por causa do horário 4:00 da manhã, não havia nenhum movimento na ala de emergência, e o médico plantonista estava em sua sala, cumprindo o plantão. Assim que cheguei fui encaminhado a uma sala de triagem, onde tiraram a minha pressão que resultou 15 por qualquer coisa que não entendi. em seguida fui levado até o médico de plantão, que me mandou sentar-me em uma cama no cosultório, e de sua mesa me interrogou.

__ O que é que houve?

Então contei-lhe que estava com dores terríveis nos ombros e braços, e não me lembrava de nada de estranho que pudesse  ocasionar as dores.

Sem se levantar de sua mesa, que estava a mais ou menos dois metros da cama, ele começou a escrever um receituário num bloco e me deu orientações de tomar os comprimidos e se as dores não passassem, eu deveria retornar ao centro médico. Fui encaminhado então para uma outra saleta onde uma enfermeira me aplicou uma injeção que deveria amenizar as dores que eu sentia.

Sou deficiente físico e uso muletas para me locomover, apesar disso tudo, nunca me senti tão insignificante na vida quanto naquela madrugada. Em que eu retornei a minha casa, sem ser examinado de fato, ainda sentindo dores nos membros. 

Hoje, já é quinta feira e a cada dia que passa as dores se tornam pior, acredito que terei mesmo de retornar ao SUS, para um novo atendimento.

Agora me pergunto: Porque, existe esse tipo de profissional, principalmente nessas áreas. Não é compatível com a função. Um médico trabalha em função da vida, da saúde, diagnosticando e erradicando a doença definitivamente. Mas infelizmente, assim como em todas as demais áreas profissionais, existem os (oportunistas, gananciosos, irrelevantes e corruptos) que prestam atendimentos deploráveis, e seguem um receituário de praxe, para a maioria dos sintomas de doenças. Sequer se dão o trabalho de ouvir o coração e os pulmões do doente, apalpar, tocar  e sentir o paciente então. é quase impossível.

Acho que além de melhorar a caligrafia, alguns profissionais na área de medicina deveriam aprender a dialogar mais, deveriam ser mais intimos no tocante aos pacientes. Afinal não existem as luvas? Elas evitam a pobreza e os possíveis focos de infecção que possam atingir-lhe as mãos. Mas mesmo assim permitem sentir-nos, impessoalmente, atenção, cuidado. Isso faz parte do atendimento, a medicina foi criada para curar.

Eu tenho que retornar ao centro médico, mas com tudo o que me aconteceu, fico receoso.

Pra hoje eu tenho remédios, mas as dores persistem no lado esquerdo, mas agora sinto que interno o problema, se não melhorar até amanhã, eu irei novamente ao médico. Até lá me desejem sorte. Fui!



O Poder do Agora

03:53 PM, 15/7/2011 .. 0 comentários .. Link

A origem deste livro

 

Não vejo muita utilidade no passado e raramente penso a respeito dele, mas, para que você compreenda a transformação que pode ocorrer na sua vida ao acessar o poder do Agora, vou contar como me tornei um mestre espiritual.

Até os meus 30 anos, eu era extremamente ansioso, sofria de depressão e tinha fortes tendências suicidas. Hoje, parece que estou falando da vida de outra pessoa.

Tudo começou a mudar pouco depois do meu aniversário de 29 anos, quando acordei certa madrugada com uma sensação de pavor absoluto. Não era a primeira vez que eu tinha uma crise de pânico, mas aquela, com certeza, foi a mais forte de todas. Tudo parecia estranho, hostil, absolutamente sem sentido. Senti uma profunda aversão pelo mundo e, principalmente, por mim mesmo. Qual o sentido de continuar a viver com o peso dessa angústia? Para que prosseguir com essa luta? Um profundo anseio de destruição, de deixar de existir, tinha tomado conta de mim, tornando-se até mais forte do que o desejo instintivo de viver.

“Não posso mais viver comigo”, pensei. Então, de repente, tomei consciência de como aquele pensamento era peculiar. “Eu sou um ou sou dois? Se eu não consigo mais viver comigo, deve haver dois de mim: o ‘eu’ e o ‘eu interior’, com quem o ‘eu’ não consegue mais conviver”. “Talvez”, pensei, “só um dos dois seja real”.

Fiquei tão atordoado com essa estranha dedução que a minha mente parou. Eu estava plenamente consciente, mas não tinha mais pensamentos. Fui arrastado para dentro do que parecia um vórtice de energia. No início o movimento foi lento, mas depois acelerou. Fui tomado de um pavor intenso e meu corpo começou a tremer. Ouvia as palavras “não resista”, como se viessem de dentro do meu peito. Eu estava sendo sugado para dentro de um vácuo que parecia estar dentro de mim e não do lado de fora.De repente, perdi o medo e me deixei levar. Não me lembro de nada do que aconteceu depois.

No dia seguinte, fui acordado por .um pássaro cantando no jardim. Nunca tinha ouvido um som tão maravilhoso antes. Meu quarto estava iluminado pelos primeiros raios de sol da manhã. Sem pensar em nada,eu senti – soube – que existem muito mais coisas para vir à luz do que nós percebemos. Aquela luminosidade suave que atravessava as cortinas da janela do meu quarto era o próprio amor. Meus olhos se encheram de lágrimas e eu percebi que nunca tinha reparado na beleza das pequenas coisas, no milagre da vida. Era como se eu tivesse acabado de nascer de novo.

Durante os cinco meses seguintes, vivi em.um estado permanente de paz e alegria. Depois, essa sensação diminuiu de intensidade ou talvez eu tenha simplesmente me acostumado com ela, pois se, tornou o meu estado natural. Embora eu continuasse vivendo normalmente, tinha percebido que nada que eu viesse a fazer poderia mudar realmente a minha vida. Eu já tinha tudo de que necessitava.

Eu sabia que algo profundamente significativo tinha acontecido, mas não entendia exatamente o quê. Só compreendi mais tarde, depois de ler muito sobre espiritualidade e de conviver com mestres iluminados. Percebi que eu já tinha vivenciando a transformação que as pessoas tanto desejavam. A pressão intensa do sofrimento daquela noite forçou minha consciência a pôr um fim à sua identificação com a infelicidade e com o falso “eu interior” amedrontado que minha mente havia criado para me controlar. Foi uma transformação tão completa que esse “eu interior” sofredor murchou imediatamente, como quando se tira o pino de um brinquedo inflável. O que restou foi a minha verdadeira natureza, a minha presença, a consciência em seu estado puro, anterior à sua identificação com a forma.

Mais tarde aprendi a entrar numa dimensão interior eterna e imortal, que havia percebido inicialmente como um vazio, e a permanecer plenamente consciente assim, alcançando um de profunda paz e bem-aventurança. Eu me entreguei completamente a essa experiência e, durante um bom tempo, abri mão de tudo no plano físico: não tinha mais emprego, casa, relacionamentos; nem uma identidade social definida. Passei quase dois anos sentado em bancos de parque num estado de profunda alegria.

Mas até mesmo as experiências mais bonitas vêm e vão. Retomei minha vida no plano físico, mas o sentimento de paz nunca mais me abandonou. Às vezes, ele é muito intenso, quase palpável, e outras pessoas também podem senti-lo. Outras vezes, ele fica na retaguarda, como uma melodia distante.

Tempos depois, as pessoas iriam se aproximar de mim e dizer: “Quero o que você tem. Você pode me dar ou me mostrar como conseguir?” Eu respondia: “Você já tem. Mas não consegue sentir porque a sua mente está fazendo muito barulho”. Foi essa resposta que acabou originando o livro que você tem nas mãos.

Quando eu vi, já possuía de novo uma identidade externa: tinha me tornado um mestre espiritual.

 

Verdade está dentro de você

 

Este livro representa a essência do meu trabalho, com pequenos grupos na Europa e nos Estados Unidos, durante os últimos dez anos. Com profundo amor e admiração, gostaria de agradecer a essas pessoas excepcionais pela coragem e força de vontade que tiveram para abraçar uma mudança interior... Este livro não existiria sem elas. Embora ainda sejam minoria, esses pioneiros espirituais estão chegando a um ponto onde serão capazes de romper os padrões de consciência coletiva herdados dos nossos antepassados, responsáveis pela escravidão da humanidade por séculos.

Acredito que este livro chegará às mãos das pessoas que estão prontas para uma transformação interior radical e que atuará como um catalisador dessa mudança. Espero também que ele alcance muitas outras pessoas que achem o conteúdo digno de atenção, embora ainda não estejam preparadas para viver plenamente essa transformação. Talvez, mais tarde, a semente plantada com esta leitura se junte à semente da iluminação que cada ser humano traz dentro de si e acabe germinando e florescendo dentro delas.

Este livro tem o formato de perguntas e respostas porque se originou de questões formuladas pelas pessoas que participaram de meus seminários, grupos de meditação e de sessões particulares de aconselhamento. Como aprendi muito nos encontros, achei que outras pessoas poderiam se beneficiar dessa troca de idéias. Por isso, resolvi transcrever algumas perguntas e respostas quase que textualmente. Também combinei certas questões mais freqüentes em uma só e extraí a essência de respostas diferentes para formar uma resposta genérica. Algumas vezes, enquanto escrevia, eu me deparei com uma ou outra questão inteiramente nova, muito mais profunda ou esclarecedora do que as discutidas anteriormente. Outras questões foram formuladas para esclarecer determinados conceitos.

Primeiro, vamos tratar da natureza da inconsciência humana, do sofrimento e da ilusão criada pela nossa mente. Vou lhe ensinar a reconhecer o que é falso em você e mostrar como a identificação com esse falso “eu interior” só pode trazer medo e infelicidade. O próximo passo é se libertar da escravidão da sua mente, entrar no estado iluminado de consciência e manter esse estado na sua vida cotidiana. Essa profunda transformação da consciência humana não é uma possibilidade distante no futuro, ela está disponível agora – não importa quem você seja ou onde quer que esteja.

Cada palavra deste livro foi planejada para conduzir você a uma nova consciência à medida que avançar na leitura. Meu objetivo é levar você comigo a um estado de intensa consciência da presença do Agora, de modo a lhe proporcionar um vislumbre da iluminação. Talvez, até que você seja capaz de vivenciar o que estou falando, algumas passagens pareçam repetitivas. Mas, assim que conseguir, perceberá a grande carga de poder espiritual contida neste livro.

O símbolo de pausa  depois de certas passagens é uma sugestão para que você possa parar de ler por uns instantes, relaxar e vivenciar a verdade do que foi dito.

O significado de certas palavras, como “Ser” ou “presença”, pode não ser claro à primeira vista, mas continue lendo porque essas questões serão respondidas mais adiante, ou, então, vão se tomar irrelevantes à medida que você se aprofundar nos ensinamentos – e dentro de você mesmo. A mente quer sempre rotular e comparar, mas este livro trará mais benefícios se você não se apegar às palavras. Se for comparar a terminologia que eu uso com a de outros textos espirituais, você pode se confundir porque emprego palavras como “mente”, “felicidade” e “consciência” em acepções diferentes das usuais.

Não leia apenas com a mente. Tome cuidado com o senso de identificação dentro de você. Não há nenhuma verdade espiritual que eu possa lhe contar que já não esteja no seu interior. Só o que posso fazer é chamar sua atenção para algumas coisas que talvez estejam esquecidas. A sabedoria da vida – antiga, mas ainda assim sempre nova – é então ativada dentro de cada célula do seu corpo.

Este livro pode ser visto como uma reafirmação, em nossos tempos, de um ensinamento espiritual atemporal, a essência de todas as religiões. Essa essência não vem de fontes exteriores, mas sim da verdadeira Fonte interior. Por isso, não contém teoria nem especulação. Como estou me baseando nessa experiência interior, vez por outra sou muito incisivo porque quero atravessar as densas camadas de resistência mental e alcançar aquele lugar no seu interior que você já conhece, como eu conheço, e onde se pode reconhecer a verdade ao escutá-la.. Surge, então, um sentimento de exaltação e de intensa vivacidade, quando algo dentro de você diz: “É, eu sei que isso é verdade”.

 

Para baixar este livro clik aqui



Terra Oca Especial

04:07 PM, 14/7/2011 .. 0 comentários .. Link

     

     

       

      Terra Oca

      Ana Luiza Barbosa de Oliveira, publicado no Projeto Ockham

      A teoria da Terra oca afirma que a Terra não é um esferóide sólido, mas sim oca com aberturas no pólos. No seu interior viveria uma civilização tecnologicamente avançada, cujos integrantes às vezes vêm para a superfície em OVNIs. Existem variantes desta teoria, inclusive uma em que nós vivemos no interior da Terra oca. Esta última é a teoria da Terra invertida, que se confunde com as diferentes versões da teoria da Terra oca.

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      A Terra oca (I)

      No fim do século XVII, o astrônomo inglês Edmund Halley propôs um modelo no qual a Terra seria composta por quatros esferas concêntricas e cuja a atmosfera luminosa, ao escapar para a atmosfera superior, seria responsável pela aurora boreal.

       

      Halley (1656-1742) foi astrônomo real e durante 18 anos estudou os movimentos da Lua, publicando um importante tratado chamado Astronomiae Cometicae Synopsis (Sinopse sobre Astronomia Cometária). Ele foi o primeiro a calcular a órbita de um cometa e neste tratado provou que os cometas possuem órbitas elípticas em torno do Sol e que, por isso, retornavam periodicamente. Ele previu que o cometa de 1682 retornaria em dezembro de 1758. Quando o cometa retornou, foi batizado em homenagem a Halley, que não viveu para vê-lo aparecer nos céus em 25 de dezembro de 1758.

       

      Halley propôs esta teoria para explicar anomalias no campo magnético da Terra que causavam interferência nas bússolas. Além disso, ele tinha notado que o campo magnético da Terra estava variando lentamente. Então, primeiramente, ele teorizou que a Terra era constituída de uma casca com um núcleo, cada um com diferentes pólos norte e sul magnéticos e velocidades de rotação, o que explicaria as variações no campo magnético em diferentes partes da Terra, assim como a variação do norte magnético. Porém, de forma a ajustar sua teoria a novos dados, Halley teve que incluir mais três núcleos internos um dentro do outro. Segundo ele, estes núcleos eram do tamanho de Marte, Vênus e Mercúrio. (Hoje em dia sabemos que a parte mais externa do núcleo da Terra composto de ferro derretido está em permenente movimento convectivo o que causa o campo magnético da Terra, assim como suas variações periódicas).

       

      Para que sua teoria se adequasse à sua visão religiosa, Halley imaginou que se Deus populou cada parte da superfície terrestre com seres vivos, Ele deveria ter feito o mesmo com os núcleos internos. E como estes seres vivos necessitariam de luz para viver, a atmosfera interior deveria ser luminosa.

       

      Durante o século XVIII, outros matemáticos modificaram a teoria de Halley sem nunca refutá-la. O suíço Leonard Euler rejeitou a noção de vários núcleos interiores, mas acreditava que existia um sol interior que fornecia calor e luz para os habitantes tecnologicamente avançados do mundo interior. E o escocês Sir John Leslie, por sua vez, acreditava que existiam dois sóis que ele chamou de Plutão e Proserpina.

       

      No século XIX, o veterano da guerra de 1812, John Symmes foi um difusor tão entusiasmado da teoria das camadas concêntricas, que a suposta abertura para o mundo interior ficou conhecida como Buraco de Symmes. (Sua teoria era uma mistura da teoria de Halley com a de Euler). Ele chegou a propor o envio de uma expedição ao Pólo Norte para verificar a existência desta entrada.

       

      Os autores de ficção científica também se interessaram pelo tema. Julio Verne escreveu Viagem ao Centro da Terra em 1864 e Edgar Rice Burroughs (1875-1950), criador do personagem Tarzan, escreveu vários romances passados no interior da Terra oca.

       

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      A Terra invertida

      Em 1869, Cyrus Reed Teed, herbalista e autoproclamado alquimista, disse ter tido uma visão na qual uma mulher disse a ele que nós estamos vivendo dentro da Terra oca. Ele começou a difundir estas idéias em panfletos, discursos e até fundou um culto chamado Os Koreshans (koresh é o hebraico para cyrus). Teed não sabia na época, mas a geometria moderna e o espaço curvo de Einstein tornam a teoria matematicamente irrefutável do ponto de vista teórico. Se a superfície terrestre fosse geometricamente invertida, a superfície interna reproduziria todos os fenômenos físicos que nós observamos ( veja a explicação). Mesmo os efeitos astronômicos teriam algum tipo de contrapartida: o Sol seria pequeno e estaria no centro da Terra, com um lado escuro e outro claro. As estrelas e planetas seriam realmente pontos minúsculos de luz minúsculos bem próximos de nós.

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      A Terra oca (II)

      Willian Reed publicou, em 1906, The Phantom Poles, no qual ele afirmava que nenhuma expedição tinha atingido os pólos simplesmente porque eles não existiam, pois na realidade eles seriam entradas para o mundo interior.

       

      Enquanto alguns se contetaram apenas em teorizar sobre a terra interior, outros como Olaf Jansen afirmavam ter estado e vivido lá. Jansen era um marujo norueguês que foi morar em Glendale, Califórnia e perto de morrer aos noventa e nove anos de idade, ele revelou sua história fantástica para o escritor Willis George Emerson que a publicou em 1908 no livro "The Smoky God".

       

      Em 1913, Marshall B. Gardner publicou "Journey to the Earth's Interior". Neste livro ele refutava veementemente a teoria das esferas concêntricas, porém afirmava que existia um sol de 965km (600 milhas) de diâmetro no interior da Terra e as entradas para o interior seriam no pólos.

      Finalmente, em 1926, Richard E. Byrd sobrevoou o Pólo Norte e, em 1929, o Pólo Sul, provando que não haviam entradas nos pólos. Mas os defensores da teoria da Terra oca afirmam que Byrd, na realidade voou para dentro do mundo interior através das entradas nos pólos. Tudo isso baseado em passagens do seu diário de bordo onde ele descreveu a Antártica como "a terra do mistério eterno" e uma vez escreveu "gostaria de ver a terra além do Pólo (Norte). Aquela área além do Pólo é o Centro do Grande Desconhecido".

       

      Somente isto basta como evidência para aqueles que acreditam na Terra oca. E em 1940, Ray Palmer, fundador de várias publicações sensacionalistas como "FATE", "Flying Saucers form Other Worlds" e "The Hidden Word", se juntou a Richard Shaver e criaram o Mistério de Shaver, uma lenda sobre o mundo interior e seus habitantes tecnologicamente avançados. Palmer chegou a afirmar que viveu entre estes habitantes do mundo interior.

       

      Durante a Segunda Guerra Mundial, o aviador alemão Peter Bender despertou atenção do governo nazista com suas elaborações sobre o koreshantismo. Existem boatos de que Hitler acreditou na teoria da Terra oca de Cyrus e que teria enviado, em abril de 1942, o Dr. Heinz Fischer em uma expedição à ilha báltica de Rugen, a fim de fotografar a frota inglesa com câmaras de infravermelho através da Terra oca.

       

      Em março de 1959, o submarino nuclear americano Skate navegou sob a calota polar e emergiu no Pólo Norte geográfico. Foram utilizados equipamentos de navegação inercial para calcular a rotação da Terra em cada ponto até encontrarem o ponto exato do eixo de rotação. Além disso, várias medidas da força gravitacional e leituras de navegação foram realizadas para assegurar que eles atingiram o Pólo Norte.

       

      Raymond W. Bernard, esotérico e líder dos rosas-cruzes, publicou em 1964 "The Hollow Earth - The Greatest Geographical Discovery in History Made by Admiral Richard E. Byrd in the Mysterious Land Beyond the Poles - The True Origin of the Flying Saucers" e também "Flying Saucers from the Earth's Interior". Ele alegava estar em contato espiritual com grandes místicos como o Dalai Lama e que teria aprendido a teoria da relatividade com a civilização do interior da Terra antes de Einstein publica-lá. Ele morreu de pneumonia em 10 de setembro de 1965, procurando uma entrada para o mundo interior na América do Sul. Ele acreditava em quase todas as lendas relativas à Terra oca, inclusive que os esquimós descendiam do povo do interior e que de vez em quando eles utilizavam seus OVNIs.

       

      Sua teoria era que a Terra era oca com paredes de cerca de 1300km (800 milhas) de espessura e que nos pólos existiam aberturas de cerca de 2250km (1400 milhas) com bordas que curvam suavemente para dentro de forma que um viajante por terra, mar ou ar entraria dentro da abertura sem perceber que estaria entrando no interior da Terra. E também que os pilotos somente pensam que estão cruzando o pólo norte geográfico, mas que na realidade eles estão somente seguindo a "borda magnética"da entrada.

       

      Em 1970, Ray Palmer conseguiu uma foto do Pólo Norte fornecida pelo Enviromental Science Service Administration do Departamento de Comércio americano. Esta foto mostra o Pólo Norte com uma área escura no meio. Para Palmer esta era a prova final da existência de uma entrada para a terra interior no Pólo. No entanto, esta foto era uma composição feita por computador de 40.000 fotos tiradas por satélite em um período de 24h. A intenção era mostrar a Terra vista de um ponto diretamente acima do Pólo, porém na época do ano que foram tiradas as fotos a região do Pólo Norte estava permanentemente no escuro por causa do inverno ártico.

       

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      Como sabemos que a Terra não é oca

      Geocientistas catalogam as ondas sísmicas geradas por terremotos, por explosões atômicas e outros fenômenos naturais ou não e medem a intensidade, velocidade, ângulo de incidência e atenuação das mesmas. As ondas sísmicas geradas na crosta terrestre possuem uma determinada velocidade que depende da densidade do meio em que estas viajam, isto somado ao fato de que o ângulo de incidência destas ondas também muda ao atravessar de um meio para outro (semelhante a um prisma que desvia e decompõe a luz do Sol) permite gerar imagens do interior da Terra denominadas tomografias sísmicas que são semelhantes às tomografias computadorizadas realizadas em hospitais.

       

      Por estas imagens sabemos que a Terra possui três camadas principais: a primeira constituída de granito e basalto com cerca de 40km (25 milhas) de espessura, a segunda, um manto de rocha líquida de aproximadamente 3200km (2000 milhas) de espessura e finalmente, um núcleo central de ferro e níquel derretido com algo em torno de 6400km (4000 milhas) de diâmetro.

       

      Estas imagens têm trazido grandes surpresas. Por exemplo, descobriu-se que o núcleo da Terra não é uma esfera lisa, mas cheia de montanhas com vários quilômetros de altura e vales seis vezes mais profundos que o Grande Cânion.

       

      Apesar das evidências irrefutáveis aqueles que querem acreditar se agarram a teorias conspiratórias de que os governos do mundo sabem a verdade, mas não a revelam para não causar pânico na população. Ou ainda se prendem ao fato de que a ciência moderna possui várias teorias que vão sendo modificadas com o tempo (e isto é o que a ciência tem de melhor para nos oferecer), ou que algumas vezes as teorias correntes para descrever um certo fenômeno são conflitantes (mas esquecem de mencionar que estes são os casos em que o real mecanismo por trás do fenômeno ainda não está explicado, daí a não existência de uma única teoria). Na realidade, a crença no mundo interior nunca irá terminar pois aqueles que acreditam no mundo interior habitado por civilizações mais avançadas moral e tecnologicamente procuram um mundo melhor onde os nossos problemas foram resolvidos. Dessa necessidade quase instintiva de acreditar neste tipo de paraíso na Terra vêm as lendas de Shangrilá, Atlântida e tantas outras como a da Terra oca.

      A teoria da Terra invertida

      As idéias de Cyrus Teed ressurgiram recentemente quando o matemático egípcio, Mostafa Abdelkader, publicou um artigo em 1983 na revista "Speculations in Science and Technology" onde ele apresenta o modelo do geocosmo, como é denominado este modelo do Universo contido dentro da Terra. Apesar do geocosmo poder explicar inteiramente nosso Universo, este modelo exige, por exemplo, que a luz necessariamente não viaje em linha reta e que sua velocidade não seja constante. Além de outras complicações físicas e matemáticas adicionais, esta teoria não apresenta nenhuma vantagem sobre a teoria do Universo segundo Copérnico.

       

      Dentro do princípio da Navalha de Ockham uma teoria mais complexa só é adotada se apresentar explicações para fenômenos não previstos por outra mais simples. A Relatividade, por exemplo, apesar de mais complexa, foi adotada porque explica e prevê fenômenos em escala astronômica que não são abrangidos pela mecânica newtoniana. O mesmo pode ser dito para a mecânica quântica em níveis subatômicos.

       

       

       

 



Os vedas e a Terra Oca

03:56 PM, 14/7/2011 .. 0 comentários .. Link

 

Os Vedas e A Terra Oca

 

Um tema controverso que começou a ser discutido mais profundamente no século XIX, a teoria da Terra Oca mantém relações com a milenar cultura védica.

 

A cultura Védica mantém-se dentro da Terra Oca. No Shree Ramayana, temos duas cenas que sugerem a existência de áreas internas na Terra. Depois que Shrimati Sitadevi foi raptado por Ravanna, Shree Lakshman jurou a Rama que perseguiria o vilão, mesmo que tivesse de caçá-lo nos 'vazios escuros da Terra'. No capítulo 8 do Kishkindya, Rama demonstra sua habilidade a Sugriva, disparando uma flecha que 'perfurou e atravessou sete palmos, uma pedra e a região mais interna do planeta, para um minuto depois estar de volta à aljava'.

 

O primeiro comentário de Lakshman não chega a ser tão revelador, pois sabe-se que imensas cavernas e vazios existem dentro da Terra. Abaixo do meio-oeste dos EUA, por exemplo, há um grande aqüífero que percorre o subterrâneo de vários estados . O segundo comentário, porém, parece sugerir que dentro da Terra, em vez de rocha maciça, há algum tipo de espaço interno.

Os Puranas nos dizem que, ao fim do Kali Yuga, o avatar Kalki nascerá em meio às melhores famílias de Shamballa, e que ele aniquilará os maus de toda a superfície da Terra. A versão geral dos Puranas prossegue afirmando que homens despontarão na superfície, vindos de baixo, para recolonizar e para reiniciar a cultura védica.

 

Primeiramente, esses homens teriam mesmo de recomeçar o ciclo do zero, pois ao fim do Kali Yuga não poderia haver uma cidade propriamente dita e nem famílias brâmanes. Seria simplesmente incoerente com a etapa final do Kali Yuga. O Bhagavatam diz que, ao fim do Kali Yuga, um homem de 15 anos será considerado muito velho e os seres humanos praticamente não terão memória ou inteligência, terão estatura de anão e vagarão em bandos, como animais. Em tal cenário, qual a viabilidade de uma cidade chamada Shamballa, ou de comunidades brâmanes?

 

Cidades na Terra Oca

Na memória coletiva tibetana, por outro lado, destacam-se os nomes das cidades de Shamballa e de Shangrilá. De acordo com o saber tibetano, são cidades importantes na parte oca da Terra. Supõe-se que haja entradas no Tibete que conduzam para baixo até elas, e que os budistas tibetanos façam peregrinações anuais.

Acrescente-se a isso o testemunho de Olaf Jansen. Ele era um adolescente norueguês que saiu com seu pai em uma expedição de pesca, na década de 1820. Partiram no veleiro da família para Spitzenburg, uma ilha ao norte da Groenlândia. Depois de se reabastecerem de provisões no litoral norte da ilha, rumaram para áreas boas para pesca. Porém, o pai estava possuído pelo desejo de ir ainda mais ao norte, para as cálidas terras das lendas escandinavas, e garantiu ao rapaz que eles seriam protegidos por Thor (Júpiter, como em Thursday, o dia de Thor ou Júpiter, assim como Friday é o dia de Frygga ou Vênus) e outros deuses escandinavos. Mesmo havendo algo de irresponsável em assumir um risco desses levando um garoto, lá se foram eles rumo ao norte.

 

Eles não tardaram a encontrar blocos de gelo e tiveram de manobrar cuidadosamente para ultrapassá-los. Segundo Olaf, bastaria que o barco fosse ligeiramente maior para que não pudesse passar entre os icebergs. Depois de um mês de delicadas manobras, o gelo desapareceu e eles viram-se maravilhados em meio ao mar aberto, a poucos graus (de latitude) do pólo norte. Isso não corresponde à nossa idéia típica de áreas polares, que imaginamos como cobertas por uma sólida banquisa. Mas, na verdade, praticamente todos os exploradores polares do passado relataram sobre águas abertas próximas dos pólos e sobre um fenômeno chamado 'aquecimento polar'. Tal efeito ocorre quando ar mais quente, do interior do planeta, é expelido por aberturas próximas aos pólos. Em todo caso, pai e filho continuaram a jornada por mar aberto durante várias semanas.

 

Descobrindo a Entrada

Enquanto prosseguiam para o norte, eles naturalmente ficavam de olho no sol, que em sua trajetória equatorial estava atrás deles e baixo no horizonte. A essa altura eles fizeram um avistamento incomum, que também tinha sido feito por dois dos mais notáveis exploradores que já desbravaram o Ártico: tenente Adolphus Washington Greely (1844 - 1935) e Fridtjof Nansen (1861 - 1930). As expedições foram de tal modo valorizadas que Greely acabou sendo promovido a general de exército nos EUA e Nansen foi sagrado cavaleiro pela coroa norueguesa.

 

O que Olaf e o pai avistaram de fato foi um outro sol, alternativo, brilhando à frente deles. O disco solar era menor e sua cor marcadamente avermelhada em relação ao nosso sol, mas estava lá. Eles velejaram na direção do sol alternativo; à medida que a proa do barco começou a abaixar, seguindo a curva da abertura polar, o sol alternativo ergueu-se no céu e permaneceu visível durante a passagem pela abertura. Correspondentemente, o sol maior, visível da superfície, saiu de vista baixando permanentemente no horizonte. Os exploradores árticos Greely e Nansen não chegaram a ter essa experiência, pois não prosseguiram ao interior da entrada. Aparentemente, as embarcações deles inclinaram-se, ao tangenciarem a borda da entrada, que lembra uma tigela, e prosseguiram, aprumando-se novamente. Conseqüentemente, há aqueles que avaliam o sol desses exploradores como um reflexo ou miragem. Porém, à medida que Olaf e o pai seguiam por uma rota para dentro do planeta, o sol alternativo tornou-se claramente visível e assim ficou.

Ao avançarem mais, depararam-se com o litoral de um continente e seguiram a linha da costa. Eles notaram árvores imensas e mamutes duas vezes maiores que elefantes. A certa altura, cruzaram o caminho com o que Olaf descreveu como um navio gigante, maior do que qualquer um que ele pudesse imaginar. O navio pareceu um barco de cruzeiro ou de turismo, pois os conveses estavam repletos de gente cantando alegremente. Os dois viajantes foram encontrados por ocupantes do navio e levados a bordo. E viram-se na companhia de humanos de estatura gigantesca, com o mais baixo tendo uns três metros e meio.

 

Cultura Védica

Olaf e o pai foram recebidos com hospitalidade na Terra Oca. Excursionaram pelos reinos de Shamballa Menor e Shamballa Maior. O veleiro deles foi levado de cidade em cidade e exibido como objeto de curiosidade e de admiração: um barco anão de homens pequeninos, que veio da superfície para parar lá.

 

Mas, o que Olaf relatou de interessante que se relaciona com o que a cultura védica diz acerca da Terra Oca? Bem, já sabemos que Olaf descreveu seres humanos com pelo menos três metros e meio de altura. Relatou, entre outras coisas, que desfrutavam de uma expectativa de vida de cerca de 800 anos, tinham memória fotográfica e grande inteligência, que falavam sânscrito ou um derivado próximo, usavam marcas cerimoniais na testa (tilaks), eram de um tipo norte-europeu de raça, oravam ao sol interno e veneravam um panteão de deuses muito similar ao do hinduísmo. (Lembre-se de que Olaf era bem jovem na época e, além das dificuldades de comunicação com eles, não poderia absorver tudo.) Ele relatou que todas as flores tinham fragrâncias tremendas e que as frutas eram mais saborosas que as da superfície. Para qualquer um familiarizado com as descrições nos Purana acerca da humanidade de antes do advento do Kali Yuga, está tudo aí.

 

O Bhagavat nos diz que o Kali Yuga foi introduzido como conseqüência de Kala, o tempo. A palavra Kala também tem sido usada como sinônimo de influência planetária na literatura astrológica védica. Aparentemente, os alinhamentos dos planetas mudaram para causar este Yuga. Por exemplo, há shastras Jyoti muito antigos, que aludem a escritos védicos que descrevem alinhamentos que não são mais observados nesta altura do Kali Yuga.

 

Supondo-se que influências planetárias sejam responsáveis por trazer o Kali Yuga para aqueles na superfície que são abertamente expostos a essas influências, segue-se, tão naturalmente como a noite segue o dia, que aqueles que vivem na parte oca da Terra estão protegidos dessas influências. Assim, seus padrões de corpo, mente e inteligência não se deterioraram, ou pelo menos não tanto quanto os nossos na superfície. Afinal, estamos com 5.000 anos de Kali Yuga, não 50.000 ou 100.000, e aparentemente a crosta e as várias camadas da Terra serviram de abrigo.

 

Pode ser essa a situação? Pode uma antiga irmandade védica, com nossos irmãos no interior da Terra, ter desaparecido de nossa memória coletiva? Sabendo que não havia nada que pudesse ser feito, teria o outro lado da equação vedas-Terra se distanciado de nós para assistir passivamente ao desenrolar dos inevitáveis efeitos do Kali Yuga? Platão fez um comentário que implica que os egípcios fecharam as portas e retiraram-se para as esferas mais internas da Terra. Os egípcios originais na verdade eram Aditianos, seguidores ou descendentes de Aditi. Era isso que Platão queria dizer?

Dean Dominic De Lucia

 

Inserido de <file://C:\REPORTAGEM HTML\hoje\Os Vedas e A Terra Oca.htm>

 



A verdadeira natureza do espaço e do tempo

10:47 PM, 5/8/2010 .. 0 comentários .. Link

Pense agora no seguinte: se não existisse nada, só o silêncio, ele não teria nenhum significado, porque você nem ia saber o que era aquilo. Só quando o som apareceu é que o silêncio passou a ter um sentido. Da mesma forma, se só existisse o espaço, sem nenhum objeto, ele também nada significaria para você. Imagine-se como um ponto de consciência flutuando na imensidão do espaço, sem nenhuma estrela, nenhuma galáxia, somente o vazio. O espaço não teria imensidão, ele nem estaria ali. Não haveria velocidade, nem movimento de um ponto para outro. São necessários ao menos dois pontos de referência para que a distância e a velocidade possam ter um significado. O espaço só passa a ter um significado no momento em que a Unidade se transforma em dois, e em que, como “dois”, se transforma em “dez mil coisas”, que é como Lao-Tsé chama o mundo manifesto. É assim que o espaço se amplia cada vez mais. Portanto, o mundo e o espaço surgem no mesmo momento.

Nada poderia ser sem que houvesse o espaço, ainda que o espaço não seja nada. Mesmo antes que o mundo existisse, antes do “Big Bang” se você preferir, não existia nenhum espaço vazio esperando para ser preenchido. Não existia nenhum espaço, assim como não existia coisa alguma. Só existia o Não Manifesto, a Unidade. Quando a Unidade se transformou em “dez mil coisas”, o espaço, de repente, mostrou que estava ali, permitindo que as mil coisas existissem. De onde ele terá surgido? Será que Deus o criou para acomodar o mundo? Claro que não. O espaço é coisa nenhuma. Portanto, ele nunca foi criado.

Saia de casa em uma noite clara e olhe para o céu. Os milhares de estrelas que podemos ver a olho nu não passam de uma fração infinitesimal do que existe lá por cima. Os telescópios mais potentes já conseguem identificar um bilhão de galáxias, cada uma formando um “mundo isolado”, contendo, cada um, bilhões e bilhões de estrelas. Ainda assim, o que inspira mais respeito é o próprio espaço sem fim, a profundidade e a quietude que possibilitam que toda essa grandeza exista. Nada poderia inspirar mais respeito e grandiosidade do que a inconcebível imensidão e quietude do espaço, e, ainda assim, o que ele é? Um vazio, um imenso vazio. Aquilo que se apresenta para nós como espaço, no nosso mundo percebido através da mente e dos sentidos, é a forma exteriorizada do próprio Não Manifesto. É o “corpo” de Deus. E o grande milagre é que essa quietude e imensidão, que permitem o universo ser, não estão apenas lá no espaço, estão também dentro de nós. Quando estamos inteira e totalmente presentes, nós o encontramos como o espaço interior e sereno da mente vazia. Dentro de nós, ele é imenso em profundidade, não em extensão. A extensão espacial é, em última análise, uma percepção distorcida da profundidade infinita, uma característica da realidade transcendental única.

 

 

 

De acordo com Einstein, o espaço e o tempo não são coisas separadas. Não entendo muito bem, mas acho que ele está dizendo que o tempo é a quarta dimensão do espaço. Ele chama isso de “o continuum do tempo e espaço”.

 

 

 

 

Sim. O espaço e o tempo que percebemos são, em essência, uma ilusão, mas contêm um cerne de verdade. Correspondem às duas características essenciais de Deus, que são a infinitude e a eternidade, vistas como se tivessem uma existência externa, fora de nós. Dentro de nós, o espaço e o tempo possuem um equivalente que nos revela não só a verdadeira natureza de cada um deles, como também a de cada um de nós. Enquanto o espaço corresponde à quietude, a infinitamente profunda região da mente vazia, o tempo tem o seu equivalente interno na presença, na percepção do eterno Agora. Lembre-se de que não há diferença entre os dois. Quando o espaço e o tempo são percebidos, em nosso interior, como o Não Manifesto – mente vazia e presença –, o espaço exterior e o tempo continuam a existir para nós, mas perdem a importância. O mundo também continua a existir para nós, mas não nos impõe mais restrições.

 

 

 

Portanto, o objetivo final do mundo não está dentro do mundo, mas na transcendência do mundo. Assim como nós não teríamos consciência do espaço se não houvesse objetos no espaço, o mundo é necessário para que o Não Manifesto seja percebido. Talvez você tenha ouvido o ensinamento budista “se não houvesse ilusão, não haveria a iluminação”. É através do mundo e, em última instância, através de você que o Não Manifesto é reconhecido. Estamos aqui para tornar possível que o propósito divino do universo se revele. Veja só como você é importante!

                                                                                                                                                                 Eckhart Tolle



Incríveis Pinturas Corporais.

09:52 PM, 5/8/2010 .. 0 comentários .. Link

Impressionantes, mas por aí tem muito mais...



Querem ver algo interessante...

09:12 PM, 5/8/2010 .. 0 comentários .. Link

MIKE JAGGER ANTES                                                   MIKE JAGGER HOJE...

DAVID BOWE                                                              DAVID...

São tantos que eu nem vou comentar, apenas postar as imagens, afinal, fã que é fã, reconhece o seu ídolo seja com que idade ele estiver... será???

 



Uma das melhores coisas do mundo...

07:36 PM, 5/8/2010 .. 0 comentários .. Link

Beleza, beleza galera, esse foi apenas um teste de entrada da minha logomarca, falcon notícias, toda vez que surgir no blog esse tag, acreditem é notícia imperdível. 



PUCULANDO...

08:39 PM, 29/7/2010 .. 0 comentários .. Link


 

Desesperado, o chefe olha para o relógio, e já não acreditando que um funcionário chegaria a tempo de fornecer uma informação importantíssima para uma reunião que estava começando, liga para o dito cujo:

 

"- Alô!" - atende uma voz de criança, quase sussurrando.

 

"- Alô. Seu papai está?"

 

"- Tá..." - ainda sussurrando.

 

" - Posso falar com ele?"

 

"- Não." - disse a criança bem baixinho.

 

Meio sem graça, o chefe tenta falar com algum outro adulto:

 

" - E a sua mamãe? Está aí?"

 

"- Tá."

 

"- Ela pode falar comigo?"

 

"- Não. Ela tá ocupada."

 

"- Tem mais alguém aí?"

 

" - Tem..." - sussurra.

 

" - Quem?"

 

"- O "puliça"."

 

Um pouco surpreso, o chefe continua: "- O que ele está fazendo aí?

 

"- Ele tá conversando com o papai, com a mamãe e com o "bombelo"..

 

Ouvindo um grande barulho do outro lado da linha, o chefe pergunta assustado:

 

"- Que barulho é esse?"

 

"- É o "licópito"."

 

"- Um helicóptero!?"

 

"- É. Ele "tlôce" uma equipe de busca."

 

" - Minha nossa! O que está acontecendo aí ?" - o chefe pergunta, já desesperado.

 

E a voz sussurra com um risinho safado:

 

"- Eles tão me "puculando" . 



Qual a Diferença???

07:56 PM, 29/7/2010 .. 0 comentários .. Link

A diferença entre os países pobres e os ricos não é a idade do país.
Isto pode ser demonstrado por países como Índia e Egito, que tem mais de 2.000 anos e são pobres. Por outro lado, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, que há 150 anos eram inexpressivos, hoje são países desenvolvidos e ricos.
A diferença entre países pobres e ricos também não reside nos recursos naturais disponíveis. O Japão possui um território limitado, 80% montanhoso, inadequado pra a agricultura e a criação de gado, mas é a segunda economia mundial. O país é como uma imensa fábrica  flutuante, importando matéria-prima do mundo todo e exportando produtos manufaturados.
Outro exemplo é a Suíça, que não planta cacau mas tem o melhor chocolate do mundo. Em seu pequeno território cria animais e cultiva o solo durante apenas
quatro meses no ano. Não obstante, fabrica lacticínios da melhor qualidade.
É um país pequeno que passa uma imagem de segurança, ordem e trabalho, o que o transformou na caixa forte do mundo.
Executivos de países ricos que se relacionam com seus pares de países pobres mostram que não há diferença intelectual significativa.
A raça ou a cor da pele também não são importantes: imigrantes rotulados de preguiçosos em seus países de origem são a força produtiva de países europeus ricos.
Qual é então a diferença?
A diferença é a atitude das pessoas,
moldada ao longo dos anos pela educação e pela cultura.
Ao analisarmos a conduta das pessoas nos países ricos e desenvolvidos, constatamos que a grande maioria segue os seguintes princípios de vida:
1.      A ética, como princípio básico;
2.      A integridade;
3.      A responsabilidade;
4.      O respeito às leis e regulamentos;
5.      O respeito pelo direito dos demais cidadãos;
6.      O amor ao trabalho;
7.      O esforço pela poupança e pelo investimento;
8.      O desejo de superação;
9.      A pontualidade.
Nos países pobres apenas uma minoria segue esses princípios básicos
em sua vida diária.  Não somos pobres porque nos faltam recursos naturais ou
porque a natureza foi cruel conosco.
Somos pobres porque nos falta atitude.
Nos falta vontade para cumprir e ensinar esses princípios de funcionamento
das sociedades ricas e desenvolvidas.



O CINEMA NOVO

09:32 AM, 29/7/2010 .. 0 comentários .. Link

O Neo Realismo Italiano

 

            O período significativo do neo realismo italiano foi quando Roberto

Rossellini começou a fazer o seu filme Roma, Cidade Aberta em 1945 , filmado no próprio local do fato ocorrido.

            A Itália tinha acabado de ser libertada e apresentava os seus aspectos pós-guerra. Antes da guerra, o cinema italiano caminhava bem, mas sua produção cinematográfica caiu quando Mussolini sobe ao poder em 1923. O poder fascista desinteressa-se pelo cinema, acentuando a censura que já havia antes da guerra.

            Só a partir dos anos 30 que Mussolini, aborrecido com a supremacia do cinema americano e a sua influência na Itália. O Conde Ciano, amante do cinema reenvindica toda essa problemática sendo ministro da cultura em 1938.

            Neste período o cinema italiano é beneficiado pelo estado e a sua produção cresce sensivelmente ao ponto da Itália se tornar, em 1942, o primeiro produtor europeu.

            Nesse ano que são construídos os estúdios ultramodernos da Cinecittá, os festivais de Veneza e o centro experimental que se torna um lugar de contestação intelectual, abrindo as portas para o neo realismo italiano. Um cinema de crítica social, que descreve o real. As principais características do cinema italiano neo-realista são: a denúncia social, imagens cinzentas, filmes tipo documentário, falta de técnica, o importante é o conteúdo, cenários naturais, atores não-profissionais, montagem simplificada sem efeito, filmagem da realidade.

            Os mais importantes filmes neo realistas e seus diretores:

·         Dois Dias Fora da Vida; (1942), Blasetti

·         Obsessão (Luchino Visconti)

·         Ladrões de Bicicleta (Vittorio de Sica)

·         Roma Cidade Aberta (Roberto Rosselini)

·         I Bambini ci Guordano (De Sica)

·         Gente del Pó (Antoneoni)

·         A Terra Treme (Visconti)

·         Arroz Amargo (De Santos)

·         Moinho do Rio Pó

·         Viagem em Itália

·         A Estrada (Fellini)

 

Novelle Vague Francesa

 

No final dos anos cinqüenta o cinema francês se mantém num total academicismo fechado para a realidade política e social de seu tempo. Só se salvam algumas exceções, como Robert Bresson, Jacques Becker, Jean Reonoir, Jacques Tati, Jean Cocteau, Max Ophuesi.

O fenômeno Novelle Vague surge por volta de 1958, tornando-se um movimento efêmero, com duração de 5 anos. Se extingue rapidamente da mesma maneira que surgiu.

É fundada por jovens burgueses apaixonados por cinema e freqüentavam os cíneclubes e cinematecas francesas. Entre eles estão François Truffault, Claude Chavol, Jean-Luc Godard, Eric Rohmer, etc.

Havia dois grupos distintos na Novelle Vague. Aqueles classificados como da ala esquerda, que seguem os seus caminhos com a curta metragem e acreditavam que a criação cinematográfica era devida ao aparelho da produção e a maneira de servir dele; e o outro grupo era o dos jovens redatores que atacavam o cinema dominante da época e tentavam encontrar uma nova maneira de fazer filmes.

O que vai caracterizar o cinema da Novelle Vague são os filmes baratos, atores desconhecidos, rodagem no exterior, abandono de estúdios, os longa metragens partem dos curtas, utilização de temas existencialistas, montagens alternativas.

Os filmes mais significativos da Novelle Vague:

·         Les Mauvaises Pencontres (Alexandre Astruc)

·         As Boas Mulheres (Claude Chalrol)

·         Lola (Jacques Demy)

·         Pedro, o Louco (Jean-Luc Godard)

·         Hiroshima, meu Amor (Alain Resnais)

·         Jules e Jim (François Truffaut)

·         Duas Horas na Vida de uma Mulher (Agnes Varda)

Os realizadores da Nova Vaga tinham bons instrumentos para recolher a realidade: câmeras de fácil manejo, teleobjetivas, cuja sensibilidade Ihes permitisse rodar nas piores condições de luz, magnetofones portáteis.

 

O Processo Cinemanovista

 

O Cinema Novo foi um movimento cultural que surgiu na segunda metade da década de 50 no Brasil.

Surgiu questionando a companhia cinematográfica Vera Cruz e todo 0 cinema já feito no Brasil, passando a discutir a natureza do cinema brasileiro e os problemas do método.

O Cinema Novo nasce ligado ao desenvolvimento industrial no Brasil, num momento de aceleração do desenvolvimento econômico. Mas, ao mesmo tempo, o filme Rio, 40 Graus, de Nelson Pereira dos Santos, que originou o Cinema Novo, era contra o desenvolvimento.

Alguns cineastas, como Alex Viany fizeram críticas denunciando 0 imperialismo cinematográfico. Desde o início da década, os primeiros congressos nacionais do cinema brasileiro (em 51, 52 e 53 em São Paulo e Rio de Janeiro) afirmavam a questão da presença do cinema estrangeiro no mercado brasileiro que ocupava muito tempo de projeção. Esses cineastas colocavam com extrema importância um cinema no Brasil como manifestação autêntica de cultura nacional.

Alex Viany propunha um cinema que tivesse como objeto a realidade brasileira e tivesse como método analisar essa realidade do ponto de vista econômico, social e político.

Um movimento cultural organizado por Walter da Silveira nos cineclubes da Bahia acontecia paralelamente a essa época e tinham relações e posições com a cinemateca de São Paulo, que surgiu durante a ditadura de Getúlio em 1946, que mais tarde virou departamento de cinema do Masp.

As informações sobre a cultura cinematográfica mundial e o conhecimento da teoria do cinema estava totalmente vinculada aos cineclubes, com a retrospectiva do expressionismo alemão, o cinema revolucionário russo, etc., eram acompanhados de vários artigos publicados nos jornais e revistas.

Movimentos pós guerra cinematográficos, como o neo realismo italiano

ocupam o seu lugar, deixando de lado a hegemonia do cinema norteamericano no mercado brasileiro.

No início da década de 40, no Rio de Janeiro, Vinícius de Morais faz críticas de cinema no Jornal A Manhã, abrindo a sua coluna em 1942 para uma discussão sobre a necessidade ou não de desenvolver o cinema nacional. Outras publicações também cariocas defendem a existência de uma cinematografia brasileira.

O Cinema Novo foi também fruto do desenvolvimento da ideologia nacionalista no Brasil e dos primeiros conceitos de subdesenvolvimento. Isso gerou uma contradição, porque o nacionalismo na década de 50 já não era uma realidade brasileira, pois o mercado brasileiro já se encontrava aberto ao mercado estrangeiro.

Em 1960, o cinema já tinha associado a idéia de uma cultura nacional. Havia a necessidade de realizá-lo no ponto de vista das massas populares.

A acumulação financeira que ocorria nesse período de desenvolvimento industrial permitiu que se conseguisse o financiamento de uma burguesia que então se emergia.

O Cinema Novo pode ser definido a priori como um movimento de juventude que misturou nacionalismo com internacionalismo, pois o Cinema Novo teve a intenção de mundializar esse processo, sendo significativo o prêmio dado a Barlavento de Glauber Rocha ao festival de Santa Marguerita Lingure. Esse filme lança internacionalmente o Cinema Novo.

O CPC (Centro de Cultura Popular) do Rio de Janeiro, que congregava os pensamentos mais inquietos da época e que tinham algo em comum ao Cinema Novo, trabalhavam juntos mesmo com algumas controvérsias.

Ruy Guerra lança em 1962 Os Cafajestes, que provocou um escândalo moral por ser o primeiro filme brasileiro a mostrar o nu frontal.

Foram realizados nesse período Gonga Zumba (Carlos Diegues), Os Fuzis (Ruy Guerra), Porto dos Caixas (Paulo César Saraceni, Maioria Absoluta (Leon Hisman), Garrincha Alegria do Povo (Joaquim Pedro de Andrade) e Assalto ao Trem Pagador (Roberto Faria), que faria a linha de filmes de gangster como O Bandido da Luz Vermelha (1968) e Lucio Flávio, que estariam incluídos no movimento.

O filme força o público a ficar do lado dos pobres ladrões contra uma sociedade que os privou da oportunidade de construir para si vida decente e de acordo com o seu esforço. O fato principal do filme é que o dinheiro roubado não tem nenhum valor para o pobre, pois um negro de Mercedes seria tido como evidência de que o carro seria roubado.

Em 1964, quando cai o Janguismo e se inicia o Golpe Militar, o Brasil ampliava os seus laços de associação com o capitalismo internacional. O Cinema Novo pode sobreviver graças à repercussão internacional das fitas (Vidas Secas e Deus e o Diabo na Terra do Sol. Vão para Cannes depois do Golpe de Estado.

Ainda em 64, no período de Castelo Branco, inaugurou o desafio de Paulo César Saraceni, que foi uma fase politicamente engajada que retratava as relações do liberalismo de esquerda com a burguesia. Nessa temática inclui o filme Terra em Transe, de Glauber. Ainda nessa época, lançaram os seguintes filmes: A Hora e a Vez (de Augusto Matraga), O Padre e a Moça (Joaquim Pedro) e Menino de Engenho (Walter Lima Jr.).

No período de 64 a 68, filmes como Vidas Secas e Deus e o Diabo na Terra do Sol entram no mercado francês.

Funda-se a Difilm, uma produtora onde outras produtoras forneciam seus filmes. Cada um dos membros da Difilm era produtor individual e o lucro era investido em outros projetos.

Em 1969, no governo Médici, o Cinema Novo não mantinha o mesmo grupo. O cinema toma outros rumos e o desenvolvimento da linguagem autêntica não havia sobrevivido.

O cinema sobreviveu graças ao mercado internacional, pois aqui muitos filmes não eram reconhecidos, como Macunaíma e Os Herdeiros.

Para Glauber, o regime se contradizia em faturar o prestígio e expulsar a ideologia.

No período de 1969 a 1974 o Cinema Novo já se diluía. Glauber decretou em O Pasquim o fim do Cinema Novo, mas alguns filmes continuavam a ser produzidos, como: Os Deuses e os Mortos (Ruy Guerra), O Profeta da Fome (Maurice Capovilla) e Como Era Gostoso o meu Francês (Nelson Pereira dos Santos).

Segundo Glauber, nesse período levava em conta a economia internacional do cinema brasileiro, como a estilização da economia brasileira, surgia a Embarrilem e o cinema brasileiro adquiriu uma nova fase.

 

Nelson Pereira dos Santos

 

Fazendo parte do Partido Comunista Brasileiro, Nelson, em 1949, parte para Paris, que na época era o centro dos intensos debates políticos e culturais.

Lá manteve relações com exilados políticos, como Jorge Amado, Célia Gateai, o pintor Carlos Scilior e outros intelectuais. O contato com esses intelectuais foi de extrema importância para Nelson, recebendo várias influências para a sua formação, mais tarde, de cineastas.

Uma de suas influências foi o existencialismo de Jean Paul Sartre, principalmente na obra de O Ser e o Nada. Apesar de Sartre ser recusado pelo PCB por ser considerado um burguês individualista e decadente, Nelson apropriou suas obras como fonte de inspiração.

Notaremos a influência de Sartre principalmente no filme Vidas Secas, porque descreve a realidade do homem, no caso o personagem Fabiano num ambiente concreto que seria o ambiente miserável predominando a seca.

Outras influências marcantes para o Cinema Novo e principalmente para Nelson Pereira dos santos foi o neo realismo italiano, que rejeita a técnica e enaltece o conteúdo. Filmes como Ladrões de Bicicleta, de Vittorio de Sica; Roma Cidade Aberta e Paisá, de Roberto Rosselini e A Terra Trema, de Luchino Visconti foram os que causaram maior impacto para a nova proposta do cinema.

Além dessas tendências, Nelson era amante da literatura e obras de Graciliano Ramos, Jorge Amado e José Lins do Rego, de certa forma, estariam em seus filmes.

Nelson, em Paris, tem contato com diversos intelectuais, e dentro de alguns debates culturais surgiam idéias e sugestões para a sua formação de cineasta. Como a influência do documentarista Jóris Ivens, um cultor do conteúdo e não da técnica, afirmava que: "A tendência pequeno-burguesa é de glorificar o lado formalista, esquecendo voluntariamente as imensas riquezas de seu povo, que poderiam ser transmitidas com simplicidade".

"Nós deveríamos expressar com toda a simplicidade a vida profunda do povo, suas lutas, seus desejos, seus sucessos, sua imensa sede de verdade." Suas afirmações seriam a essência de Rio 40 Graus. O que importava era o conteúdo, o povo, sempre o protagonista, lutando para um mundo melhor.

Em 1930, Nelson fez o seu primeiro documentário de 45 minutos chamado Juventude. Retratava os jovens trabalhadores de São Paulo. O filme era um compromisso político, que destinava-se ao Festival da Juventude de Berlim.

O documentário era desprovido de técnicas e o que importava era o conteúdo. Se passava em uma fábrica onde um menino de onze anos que trabalhava em uma máquina perigosa quebrava o dedo. Quando voltava de bonde, este estava lotado de gente, quando aparecia a vida no campo, mostrava o enterro de uma criança. O filme não tinha nada de bom.

Esse filme foi desmanchado e aproveitado mais tarde para filmes de propaganda e serviu como fonte de inspiração para os próximos filmes que vieram numa abordagem política.

O mundo cinematográfico brasileiro se dividia em dois: os grupos dos militantes comunistas, dentre eles Nelson, que defendia um cinema brasileiro de verdade, preocupados com a nossa gente, seja no litoral ou no interior, nas suas lutas. Para alcançar o progresso, em meio a todo um atraso e exploração como defendia Nelson, e do outro lado o cinema produzido pela Vera Cruz, um cinema de influência Hollywoodiana totalmente fechado para as denúncias sociais.

Nelson acusava a Vera Cruz como um pretexto para a incursão de famílias granfinas como Lage, Vergueiro, Matarazzo para a arte do cinema. Depois de seu primeiro documentário, Nelson produz alguns filmes,

como Agulha no Palheiro de Alex Viany em 1952 e O Saci em 1951, onde é assistente de produção.

Nelson não queria que a Vera Cruz acabasse, apenas queria se juntar a ela e fazer filmes politicamente engajados. Ela poderia se tomar um grande mercado de trabalho, podendo proporcionar verbas para um projeto de cinema brasileiro.

Em 1956 lança Rio 40 Graus, que praticamente deu origem ao Cinema Novo. Um filme que fala dos contrastes do Rio e das desigualdades sociais.

Atuam no filme atores não profissionais, moradores da favela, uma prática muito adotada nos filmes neo italianos. As cenas são filmadas nos ambientes externos, não há estúdios.

Rio, 40 Graus tem traços marcantes que se perpetuaram em outros filmes de Nelson, como a delicadeza. Na abordagem dos sentimentos humanos, o lirismo, o respeito pelo povo, a revelação da beleza numa realidade socialmente feia e bruta.

Nos anos 50 o filme foi considerado subversivo por apresentar o favelado, o povo descalço, o seu modo de falar, sua gíria. Mostrando a realidade como realmente ela é.

Mas, por outro lado, o filme é ingênuo, por ser maniqueísta; o burguês corrupto, ruim, imbecil e o povo sempre bom.

Rio 40 Graus foi proibido no mesmo ano de seu lançamento e liberado mais tarde pela censura federal apenas proibido para menores de 10 anos.

Foi proibido pelo coronel general Menezes Cortes. Este, antes de ter visto o filme, acusava-o de ter sido feito por comunistas, acreditando que o filme foi realizado com o dinheiro que Moscou enviava para o Brasil, o que não foi verdade. '

Quando o coronel assistiu o filme, achou a técnica idêntica aos filmes produzidos na Checoslováquia e ficou indignado, porque ninguém trabalhava, mas o filme se passava num domingo. Nelson explicou para o coronel que havia trabalhadores; os vendedores de amendoim e os jogadores de futebol. O coronel só liberaria o filme se tivesse um texto avisando que era domingo.

Outro fato não aceito pela censura foi que, mostrando um americano dando esmola e um sírio explorando a luz no morro, estaria ofendendo os países vizinhos.

Houve uma campanha feita pelos intelectuais pela liberação do filme. Quem governava o Brasil era o vice de Getúlio, Café Filho, que foi contra o golpe, mas a ditadura ainda se mantinha.

A proibição do filme provocou um movimento nacional. Estudantes e intelectuais reunidos em torno de Jorge Amado e Oscar Niemeyer no jornal Paratodos formaram uma campanha articulada com o diário carioca que teve repercussão nacional e influenciou o pensamento de futuros cineastas.

Em 1957, lança Rio Zona Norte, que seria parte da trilogia Rio, 40 Graus, Rio Zona Norte e Rio Zona Sul. Rio Zona Norte problematiza a vida de um compositor de samba enredo que, ao cair do trem, vê sua vida num flashback. Mais uma vez Nelson aborda a luta do povo, que sonha em vencer na vida honestamente, sem deixar a alegria de lado esmo que o ambiente seja hostil.

Esses dois filmes citados acima são os que apresentam mais características do neo-realismo.

Outras características de Nelson: não há tomadas de ângulos especiais ou truques de montagem, nada que distancie o espectador do drama que está assistindo.

 

Filmografia (longas-metragens):

 

Rio, 40 Graus (1956)

Rio Zona Norte (1957)

Mandacaru Vermelho ( 1960)

Boca de Ouro (1963)

EI Justiceiro ( 1967 )

Fome de Amor ( 1968 )

Azylo Muito Louco ( 1969)

Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim - TOM JOBIM - nasceu no dia 25 de janeiro de 1927 no bairro da Tijuca - Rio de Janeiro, filho de Jorge Jobim e Nilza Jobim (o pai morrera quando o filho tinha apenas 8 anos). O parto, demorado e difícil, foi auxiliado pelo Dr. Graça Mello, o mesmo que tinha assistido, anos antes, o nascimento de NOEL ROSA.

            Desde pequeno, era contemplativo. Gostava de passar longos tempos sentado no degrau da cozinha, olhando para o céu ou para o quintal cheio de flores. Quando teve permissão para sair sozinho, andava pelas ruas tranqüilas do bairro, ia olhar o mar ou assistir às matinês no cinema próximo de sua casa.

            Foi testemunha e personagem de importantes mudanças no Rio de Janeiro, a partir do próprio bairro onde mora desde os quatro anos de idade, Ipanema. Como ele próprio gosta de lembrar, a Ipanema da sua infância oferecia as ruas para jogar bola de gude, além da lagoa Rodrigo de Freitas para nadar e pescar camarão. Muito diferente, portanto do que ocorre neste fim de século. Às vezes, o padrasto (Celso Frota Pessoa que estivera presente em todos os momentos importantes de sua vida e da de sua irmã), acordava a família meio da noite para irem à praia na Barra da Tijuca. Tom e Helena (irmã de Tom, foi quem colocou o apelido) deitavam-se na areia fria e aprendiam a identificar as grandes constelações.. Começaram as primeiras incursões de Tom com seu avô pelas matas que então circundavam a cidade. Aos poucos, o menino aprendeu a direção dos ventos, das águas, o nome dos bichos. Também aprendeu sobre as plantas e as árvores, identificava os pássaros e imitava o canto de cada um. Observavam as garças, as gaivotas, os biguás, os sócos e os martins-pescadores. Ou então, os dois irmãos iam passear na Lagoa Rodrigo de Freitas. Apesar das inúmeras histórias contadas pela mãe, de crianças que ficavam presas no lodo e nas plantas aquáticas do fundo da lagoa, Tom adorava nadar naquelas águas azuis. Num dia que se tornaria inesquecível, ele nadou pela primeira vez até o outro lado. Foi e voltou, mantendo sempre o mesmo nado ritmado e entusiasmando os amigos que torciam pelo sucesso da façanha.

 

PRIMEIRAS NOTAS

 

Em 1940, Nilza Jobim, a mãe de Tom, inaugurou em sua própria casa o Colégio Brasileiro de Almeida. Construiu um segundo andar sobre a garagem, alugou um piano para as aulas de música e o pequeno Jardim de Infância começou a funcionar, em moldes modernos para a época. Tom, adolescente, sentia orgulho da iniciativa da mãe, mas morria de vergonha de morar em um colégio. De qualquer maneira, o piano na garagem começou a chamar a atenção do garoto. Todos os dias chegava da praia, ainda de calção, ia buscar combinações de notas e harmonias. Ficava horas tentando tocar, mas ainda achava que aquilo era apenas uma distração, como empinar pipa ou pescar.

Começou a ter aulas de música com Hans Joachim Koellreutter, um alemão fugido da guerra, que trazia da Europa a novidade do atonalismo. Tratava-se de um método moderno de composição, em que a escala tradicional de sete notas é modificada pela introdução de recursos da escala cromática. Foi pelo estudo do atonalismo que os acordes dissonantes foram introduzidos na música popular. Tom estudava com afinco, passando horas debruçado sobre as teclas de marfim, praticando escalas, aprendendo os clássicos. Apaixonou-se pelas obras de Villa-Lobos. Decidiu que queria ser concertista. A música fazia parte do seu dia-a-dia. Em casa, Tom ouvia a mãe e a tia cantarem composições de Pixinguinha, Custódio Mesquita, Noel Rosa, Ary Barroso, Lupiscínio Rodrigues, Dorival Caymmi e Ataulfo Alves. No cinema, assistia aos musicais de Hollywood e voltava cantando partes das trilhas sonoras. No rádio, o jazz (*) e os blues (*) se consagravam, tornando conhecidos compositores como Glenn Miller, Cole Porter e George Gershwin.

(*) Jazz - música norte-americana, nascida da confluência de ritmos afro com o charleston e o foxtrote. O jazz é uma das categorias musicais que mais exerceu influência sobre a música popular moderna. Fazem parte de sua estrutura improvisações e solos, que abriram novas possibilidades harmônicas e rítmicas, introduzindo novos elementos e novos instrumentos nos naipes que constituem a base instrumental da música popular.

(*) Blues - é o ancestral do rock da segunda metade do século. O Blues surgiu na região sul dó Estados Unidos, mais propriamente nas lavouras de algodão, onde os negros entoavam cantos de saudade e de amargura pela servidão a que eram obrigados.

O Blues tem sua origem ligada aos cânticos tribais e, posteriormente, aos de ligas religiosas dos afro-americanos. O termo Blues significa, em inglês - tristeza.

Apesar de nascido na Tijuca, Tom era um jovem típico de Ipanema. Freqüentava a sua praia e, na adolescência, já estava enturmado com amigos para formar grupos musicais. Entre esses amigos, encontrava-se Newton Mendonça, que mais tarde, seria seu companheiro na profissão de músico da noite e seu parceiro em alguns dos seus maiores sucessos. O adolescente, porém, não imaginava que, um dia, seria um profissional da música. Fazia os seus estudos normalmente nos colégios Mallet Soares, Mello e Souza, Paula Freitas, Juruena e Andrews, e pensou em ser engenheiro. Acabou fazendo concurso para a Faculdade de Arquitetura, onde permaneceu durante apenas um ano, decidindo-se, aí, sim por dedicar-se inteiramente à música.

Ao decidir trocar a arquitetura pela música, encontrou sérias resistências familiares. A começar pela mãe, dona Nilza, " uma mulher forte, uma morena bonita de olhos verdes", na definição do próprio compositor. Dona Nilza, temia que o filho, exercendo a profissão de músico e, mais grave, à noite, acabasse tuberculoso, como tantos outros que misturavam trabalho com boêmia. Quem apoiou, logo de saída foi seu padrasto, Celso Frota Pessoa. apoio fundamental em todos os sentidos, pois Tom resolveu casar-se com Thereza Hermanny em 1949, apesar de ganhar muito .mal como pianista de boate. Quando faltava dinheiro para pagar o aluguel, o padrasto o socorria imediatamente Trabalhando na noite, ele chegou a pensar que tinham inteira razão aqueles que temiam uma tuberculose ou qualquer coisa do gênero. Chegou a perder dez quilos, logo ele, que quase não tinha gordura para perder.

Nos primeiros anos de carreira, a principal preocupação era correr atrás do dinheiro do aluguel. Já morando na rua Nascimento Silva, 107 (endereço que se tornaria famoso, anos mais tarde, na música Carta ao Tom 74, de Vinícius e Toquinho). Sempre que encontrava algum conhecido reclamava. Primeiro do aluguel - quando pôde comprar o apartamento em que morava - das prestações. Numa tarde encontrou Pixinguinha no centro da cidade. Conversa vem, conversa vai, Tom acabou confessando seus temores, sua eterna preocupação em conseguir dinheiro para sustentar a família. Depois de ouvir pacientemente o jovem músico, Pixinguinha contestou: "mas isso não é o importante, Antonio, o importante é ser feliz" .

Observava-se uma certa ebulição na música popular brasileira em 1946. Em junho a gravadora Continental lançaria um disco destinado a obter grande repercussão: o sambacanção Copacabana, de João de Barro e Alberto Ribeiro, cantado por Dick Farney. Era uma obra que acabou abrindo um caminho na música popular brasileira e que continha ingredientes claramente recolhidos da música norte-americana.

Já ia longe a época em que era apenas mais um pianista na noite carioca, tocando de bar em bar, bebendo cerveja e trocando a noite pelo dia. Agora, Tom era uma pessoa diferente, sem as inquietações da juventude. Mas o Rio também se tornara uma cidade diferente. As pessoas já não mais podiam sair pelas ruas à noite, as praias estavam sujas e a pobreza era cada vez maior. O Brasil era outro, distante daquele que dera origem às bases de sua música. E agora, para entender sua trajetória, temos que revisitar aqueles pontos. Temos que reencontrar o Brasil que vivia, nos anos 50, a euforia da modernização. Õ país que abria suas portas pro mundo, ávido de produtos e de modas vindas dos grandes centros. Juscelino Kubitschek, eleito em 1955, seria o ponto alto e o símbolo dessa fase. Ele construiu a nova capital federal, Brasília, e deu grandes incentivos para a indústria automobilística nacional. Abriam-se caminhos para empregos e para o crescimento econômico.

No panorama cultural, o momento também era de buscar o novo. O concretismo, o Cinema Novo e a Bienal de São Paulo provavam que o nível artístico brasileiro podia ser comparado em qualidade aos melhores do mundo. A hora, agora, era a de reafirmar uma estética nacional, uma identidade.

Porém, se tudo parecia ir de vento em popa, na música não era bem assim. Atravessávamos uma entressafra. Um período recheado de boleros e sambas-canção de qualidade duvidosa. Era uma lacuna entre a bossa de Noel Rosa e a bossa nova, que ainda seria inventada nas areias de Ipanema.

Já que a música nacional passava por um momento de pouca criatividade, as rádios começavam a tocar mais e mais música importadas, especialmente dos Estados Unidos. Se por um lado isso diminuía o espaço para os artistas locais, por outro permitia que a juventude da classe média tivesse contato com o suingue dos negros norte-americanos, com seus lamenos e com sua liberdade de improviso.

É esse o ambiente em que Antônio Carlos Jobim se prepara. É dele que extrai elementos aqui e ali para, mais tarde, produzir sua mistura finalizando o jazz às tradições de grandes sambistas, como Ismael Silva e Noel Rosa, principalmente Noel, pai do samba de flauta, violão e cavaquinho (*).

(*) Samba-canção - resultado de uma mistura de ritmos. De um lado, o samba mais tradicional. De outro, os boleros. O resultado é uma música de ritmo cadenciado por instrumentos de percussão, como o surdo ou a bateria, com letras geralmente melosas, que falam quase sempre de casos de amor.

Quando Tom cria coragem para mostrar algum exemplo dessa mistura fina, tudo começa a acontecer. Já em 1953, vê pela primeira vez uma obra sua em um disco de 78 rotações. Pouco depois, outro disco. O reconhecimento vem chegando. Mas o panorama da música continua pálido. As soluções do bolero já não funcionam. Alguma coisa nova tem que aparecer para chacoalhar o marasmo que se insinua. E a mudança viria embalada num ritmo com raízes no samba, só que mais elaborado, nascido nas classes médias da Zona Sul do Rio. A nova música lidaria com uma temática urbana, existencialista, e revolucionária para sempre a MPB. Na década de 30, Noel Rosa já havia experimentado uma mistura. A união do samba do morro à poesia e ao humor da classe média dos bairros como Vila Isabel e Tijuca tinha resultado num novo tipo de samba, que, nos bares da cidade, era chamado de bossa.

Seu primeiro grande sucesso, Tereza da Praia, foi gravada em dueto por Lúcio Alves e Dick Farney em 1954.

 

A NOVA BOSSA

 

Já estamos nos meses finais de 1957, momento em que dois jovens se reencontram. Tom Jobim e João Gilberto haviam sido apresentados tempos atrás, mas passaram um período sem e verem. Agora, nesse reencontro, Tom ouve o violão tocado de forma singular, repara nos timbres discretos, tranqüilos, profundos, da voz do amigo: cantando baixo, dando a nota exata. Tom lembra-se de Cher Baker, grande do jazz norteamericano. Em pouco estaria consumado. Era o fim da época do sambas-canção. Tom e João empunhavam a bossa de Noel Rosa e a misturavam ao suingue do jazz. Havia nascido a nova bossa. A bossa nova (*) que embalaria a MPB nos próximos tempos.

(*) Bossa nova - um movimento musical surgido no final dos anos 50, no Rio de Janeiro. Mais do que uma simples tendência musical, a bossa nova inaugurou um novo estilo e um novo horizonte. Ela foi a síntese da interação entre o jazz e o samba, mas também foi o resultado do contato entre a cultura das escolas da zona sul carioca e a cultura da vida do morro das favelas do Rio de Janeiro. Juntamente com o rock, a bossa nova promoveu uma das maiores rupturas na música contemporâneas, influenciando, até hoje, músicos brasileiros e de várias partes do mundo.

Em 1958, João Gilberto lançaria o compacto Chega de Saudade, com a música harmônica de Tom e Vinícius de Moraes, e marcaria no calendário o nascimento do novo ritmo. Mas, como acontece com todo movimento de vanguarda, não demorou muito para que a bossa nova começasse a receber críticas. Diziam que era muito "jazzificada" sem autenticidade. O fato é que, harmônica e melodicamente, o estilo criado por Tom Jobim, Vinícius de Moraes e João Gilberto era muito mais trabalhado, e isso, aplicado a uma temática genuinamente brasileira, resultava em uma música muito arrojada para a época

Com o sucesso de Chega de Saudade, Tom Jobim abriu a gaveta onde guardava suas composições e foi como se dali saísse uma revoada de pássaros. Entre 58 e 59, ele lançaria músicas suficientes para manter uma estação de rádio 24 horas no ar. Quem não o conhecia, passou a conhecê-lo. Quem já ouvira alguma coisa sua, continuava a se surpreender com a criatividade do jovem compositor.

Como sempre, o Brasil é um lugar estratégico para os Estados Unidos. Na década de 50, não era diferente. O mundo vivia a guerra fria, dividido em dois blocos antagônicos, e qualquer país de dimensões continentais era vital para ambos os lados. Os americanos, então, se esforçavam para manter relações cordiais, estreitar os laços de amizade com o Brasil. Eram comum visitas de estrelas e políticos norte-americanos. Os mesmos norte-americanos que, desde a morte de Carmem Miranda, em 55, não sabiam muito bem o que era a música brasileira (para eles, continuava sendo O Tabuleiro da Baiana ou Chica Chica Boom Chic), ficaram espantados com a bossa nova que ouviram. Um dos músicos a visitar o Brasil nesta época foi Charlie Byrd. Quando ele partiu, levou na bagagem o ritmo que estreava e deixou assinado o visto de entrada da bossa nova para as terras de Tio Sam.

Tom teve vários parceiros e incontáveis intérpretes. Mas, para participar de fato de sua obra, era preciso uma boa dose de amor. Amor brasileiro. Por Causa de Você parceria com Dolores Duran. Mas essa não era a primeira composição que fazia com Tom. Antes houve a canção Se É por Falta de Adeus. A parceria com Dolores só não deu mais frutos por causa dos ciúmes de Vinicius.

Vinícius de Moraes acabou se tornando o parceiro mais importante de Tom. O primeiro produto acabado da parceria: nada menos do que o clássico Se Todos Fossem Iguais a Você. A partir do momento em que começaram a compor juntos, o poeta passou a exigir cada vez mais exclusividade de Tom. Juntos revolucionam a música popular brasileira e ajudariam a criar a bossa nova, influenciando artistas de todas as partes do mundo até os dias atuais. A parceria acabaria alguns anos depois, graças às constantes viagens de Tom ao exterior e ao temperamento inquieto e um tanto possessivo de Vinicius. Cada um seguiria seu caminho, mas deixariam obras-primas como Garota de Ipanema, Chega de Saudade, Eu Sei que Vou Te Amar e Canção do Amor Demais. O único parceiro de Tom com quem Vinicius não implicava era Newton Mendonça, amigo de infância do compositor. Diariamente Newton visitava Tom, e, juntos, discutiam música, futebol e mulheres. Trocavam opiniões ou, simplesmente, lembranças. Depois, Tom sentava-se ao piano, Newton ao seu lado, e começavam a compor. Desses encontros, nasceriam canções fundamentais na história da bossa nova e de toda a música brasileira, como Desafinado, Samba de Uma Nota Só, Brigas, Caminhos Cruzados, Meditação e Incertezas. Foi um período de enorme criatividade, mas ainda eram tempos difíceis, de muita preocupação e de falta de dinheiro. Para grande desgosto de Tom, quando os primeiros discos de bossa nova chegaram aos Estados Unidos e suas músicas começaram a ser gravadas e tocadas com sucesso, Newton morreu, vítima de um enfarte fulminante, com apenas 32 anos.

O compositor também acabou se afastando um pouco dos seus primeiros parceiros, como Paulinho Soledade, João Stockler, Luiz Bonfá, Alcides Fernandes e Roberto Mazoir, Ronaldo Bôscoli

Para Tom Jobim, iniciava-se uma nova etapa, dividindo o tempo e o trabalho entre os dois países. Pouco depois, ele começaria a se apresentar na TV americana. Torna-se famoso. É reconhecido na rua. Grava dois discos com Nelson Riddle, o companheiro habitual de Frank Sinatra, e, em 1966, realiza um grande sonho: The Voice - como Sinatra é chamado - convida-o para gravar. Escolhido pela crítica especializada dos Estados Unidos como o melhor álbum vocal de 67, o disco Francis Alberto Sinatra & Antonio Carlos Jobim ganhou o Grammy e foi sucesso de público. Em número de vendas só perderia para Sgt. Pepper's Lonely Heart Club Band, clássico do rock, dos Beatles. No período em que esteve fora, levou juntamente com João Gilberto, a bossa nova para a América do Norte e para o mundo.

Se nos Estados Unidos tudo era elogio, no Brasil... a crítica nacional não entendia porque ele passava tanto tempo fora do país ou porque gravava seus discos no exterior. O compositor era acusado de ter-se americanizado, de ter esquecido suas raízes e ter-se vendido.

No final da década de 60,~a situação política brasileira não era das melhores. A ditadura encurtava as rédeas e o regime se tornava cada vez mais duro. Por um lado, a direita, na figura dos militares, impedia o livre exercício da cidadania, por outro, as patrulhas ideológicas da esquerda execravam qualquer coisa que não estivesse exatamente de acordo com sua luta.

Os artistas viviam em um equilíbrio precário. Pressionados por todos os lados, eram intimados diariamente a deixar claras suas posições, a tomar partido. O que dizer, então, de alguém que não estava por aqui? O que pouca gente sabia era que o principal motivo que mantinha Tom nos Estados Unidos era a qualidade dos estúdios de gravação. Em busca da perfeição, nunca poderia se contentar com estúdios sucateados, incapazes de atingir o resultado que ele desejava.

Autodidata, lia tudo o que lhe caísse nas mãos. Sabia quase tudo sobre qualquer assunto. Quando suas músicas começaram a fazer sucesso no exterior, começou a preocupar-se com a qualidade das versões que seriam feitas. Comprou uma série de dicionários, livros de morfologia e sintaxe da língua inglesa e passou a estudar o significado e a etnologia das palavras.

Foi mesmo um período de equívocos. Quando sua música Sabiá venceu a etapa brasileira do 3° Festival Internacional da Canção, o público vaiou, achou que a letra da canção era alienada, ao contrário de Caminhando (Prá Não Dizer Que Não Falei Das Flores), de Geraldo Vandré, que ficara em segundo lugar. Meses mais tarde, quando o governo editou o AI-5 e intelectuais e artistas foram obrigados a abandonar o país, Sabiá se tornou um espécie de hino de saudade.

Durante os anos 70, Tom faria apresentações nos quatro cantos do mundo. Mas a verdade é que desejava estar no seu país. Queria estar no bar Veloso (mais tarde bar Garota de Ipanema), jogar conversa foram com os amigos, andar pela beira da praia. Por isso, a alegria foi grande quando recebeu o convite para participar de um show com os amigos Vinícius, Miúcha e Toquinho. Com previsão de ficar em cartaz por algumas semanas, o espetáculo acabou durando oito meses, e serviu para marcar a volta mais definitiva de Tom Jobim à cena brasileira.

Nos anos 80, o Brasil já perdera há muito a aura romântica. Era um país diferente. Com novas tristezas, com novas alegrias e nova inquietações. Já não era um país apenas belo. Era um país sublime. Com suas veias tortuosas expostas, com sua miséria . aumentada, com os cinzas das grandes cidades e das matas derrubadas, mas também com os azuis dos céus e os verdes das folhas e das esperanças. No meio de tudo isso, Tom Jobim soube se segurar em sua ilha, sem, no entanto perder de vistas o que acontecia no continente. Sabia das trilhas brasileiras. E, ainda em 84, achara companheiros para suas jornadas. A Nova Banda fora formada naquele ano, com músicos que tinham forte ligação afetiva com o maestro. Eram sua segunda esposa Ana Lontra, seus filhos Paulo e Elizabeth Jobim, Danilo Caymmi, o casal Jacques e Paula Morelembaum, Maúcha Adnet, Sebastião Neto e Paulo Braga, tocando e cantando criações de Tom. Era uma música que guardava, dentro de suas harmonias e letras, pedaços de um Brasil luminoso, que se podia ainda vislumbrar nos discos de Tom Jobim

Em 08 de dezembro de 1994, o coração de Tom parara de repente.. No Rio de Janeiro, mais de mil balões brancos e pretos subiram ao céu, representando as teclas do piano. A multidão cantava Chega de Saudade. E todos sabiam que a saudade apenas começara.



ADEUS VELHA FLORESTA em memória de (Leôncio Portes)

09:04 AM, 29/7/2010 .. 0 comentários .. Link

Vou contar-lhes uma uma história

Ela é meio comprida

O assunto é interessante

Por quem ela foi vivida

 

Para mim ela é bonita

Porque nela eu vivi

Meu prazer é que todos sintam

O que eu mesmo senti

 

Ficamos bem calados

Para ouvir com atenção

Todo preço dessa história

Quem te cobra é o coração

 

Vou falar uma verdade

Do que posso confirmar

A respeito dessa gente

Sem de nada exagerar

 

Nosso pai, homem de fibra

Cidadão muito estimado

Nossa mãe, a sua esposa

Sempre firme ao seu lado

 

Nove filhos são criados

Com muita dedicação

Como herança receberam

Uma boa educação

 

O Nico e o Nene

Sem medo de enfrentar

Os trabalhos que faziam

Naquele novo lugar

 

 

 

 

Depois veio os demais

Cada um numa missão

Concordados todos juntos

Para dar continuação

 

Nosso pai foi de respeito

Não mentia, não enganava

Nunca teve inimigos

Não bebia e não fumava

 

O trabalho que fazia

Tinha sempre a perfeição

Fez uma grande casa

Com muita repartição

 

Nem por dentro e nem por fora

Nela não faltava nada

Tinha sótão e porão

Tinha até água encanada

 

Os paiós que ele fazia

Nem os ratos não entrava

Para não fazerem danos

Na colheita que guardava

 

O Barbacuá que ele fez

Outro igual não existiu

Para bem aproveitado

Um vagonete construiu

 

O malhador era gigante

No capricho trabalhado

Até hoje ainda lembro

Do seu ruído no tablado

 

O monjolo construído

Tinha muita utilidade

A farinha que fazia

Tinha sempre qualidade

 

Tinha muita criação

Junto as vacas leiteiras

Nunca faltava o leite

Com farinha de primeira

 

Reunia o seu gado

E fechava a porteira

Assim ele ensalava

O seu gado na mangueira

 

O coxo que ele tinha

Era de cerne lavrado

Ele tinha sempre gosto

De ver tudo bem tratado

 

Nossa mãe que trabalhava

Sempre muito animada

Com a ajuda de seus filhos

Ela tudo realizava

 

Ela plantava fumo

Lá no mato dos Quati

Mulher tão trabalhadeira

Igual a ela nunca vi

 

Os fumo que fazia

Tinha sempre compradô

Preço bom ou preço ruim

Ela nunca se queixô

 

Costurava a nossa roupa

E o sapato ela comprava

Só gastava com os filhos

O dinheiro que ganhava

 

No monjolo trabalhando

Não respeitava chuva fina

Quando o serviço apurava

Ela chamava a Nega Albina

 

O remédio que nos dava

Ela mesmo é que fazia

Dava sempre o lombrigueiro

E gotas de homeopatia

 

Nosso pai que trabalhava

No serviço lá de fora

Fazendo tudo no tempo

Sem usar muita demora

 

“Sou fazendeiro” Nunca disse

Mas gado tinha bastante

Para ser mesmo fazendeiro

Não ficava tão distante

 

Cavalo gordo e bem tratado

Ele sempre conservava

Tratado na estrebaria

O milho nunca faltava

 

Bons aperos sempre tinha

Que com zelo ele guardava

Sobre um gancho de raiz

Ele sempre pendurava

 

O cão que ele tinha

Corajoso e valente

Porco arçado e alongado

Segurava só no dente

 

O nome que atendia

Só por Tope era chamado

Sempre pronto e muito esperto

Em toda a lida de gado

 

Os tempos foi mudando

Com as coisas que passava

Veio a peste perniciosa

Que ninguém nunca esperava

 

Morreu porcos e cavalos

Morreu o Tope valente

Esta história é verdadeira

Quem escreveu não mente

 

Morreu a égua Picaça

E foi logo arrastada

Na varginha do areião

Ali foi tudo terminada

 

Morreu o Pino véio

No lugar que se deitou

Deixando boas lembranças

Do serviço que prestou

 

Logo mais adiante ainda

Andando pelo caminho

No campo foi achado

Morto o cavalo Morinho

 

O Saino também morreu

No paiol lá das capoeira


FEITIÇO DA TERRA

08:19 AM, 29/7/2010 .. 0 comentários .. Link

O sol, sumindo-se na barra do horizonte, incendiava ainda a cúpula do Teatro Amazonas, num último arranque de heroísmo, lançando ao longe a sua tocha acesa. Visto assim, do rio, a maravilhosa arquitetura do prédio, parecia arder nas chamas de um incêndio que espalhava-se à sua volta. Nada é mais curto do que a crepúsculo equatorial. O sol, feito um guerreiro cansado, some-se pela linha azulada do horizonte, nos últimos lampejos de uma derrota sangrenta. Chega a sombra, triunfante, arrebanhando todo o espaço visível, abrangendo qual tal um polvo, com seus tentáculos, macios e silenciosos, a terra que se entrega muda. Nas águas fartas e volumosas do Rio Negro, brilham  os lampejos do crepúsculo agonizante, pareceu-me ver a pontuação vermelhada das luzes do cais flutuante, deslizando para dentro d’água, como lágrimas de uma cidade incrustada no meio da floresta, que a intimida. É a cidade que chora, com saudade do dia. A imensa massa líquida, eleva-se, as ondas se chocam contra a embarcação, embalando-a suavemente. Nessa hora de elevação da natureza, rio parece avolumar, assemelha-se a um peito que palpita uma vasta e incontida emoção. Por essa imensa estrada líquida, nessas águas eternamente agitadas e místicas, sulcadas de embarcações que mal parecem ferir-lhe a superfície, Henrique se admirava diante da beleza do por do sol. Tudo mais adquire um leveza irreal. Só a água pesa, só ela se movimenta, só ela existe. Nela circula a seiva da vida, o sangue da floresta. Tudo em volta é mistério, é esse mistério escondido, que fascina aquele estrangeiro. Há entre o rio e o céu, uma troca silenciosa, Desce do alto a paz e sobe da água a tristeza das mágoas humanas. A noite se espalha pela terra, as estrelas aos poucos vão surgindo, aqui e ali, relampeando nas suas mais diversas formas, os pássaros juntam-se, para esperar que a treva passe e o dia ressurja novamente, trazendo uma nova esperança de vida, de movimento. Na terra tudo dorme, tudo descansa.

         Em volta do barco, a água tocada pela grande roda de proa em movimento, vai rangendo animadamente. As luzes do grande barco, assemelham-se a um grande bando de vaga-lumes, que vagam noite afora, deixando uma esteira dourada, nas águas escuras e silenciosas do Negro. Dentro, as vozes se multiplicavam, quebrando aos poucos o silêncio da noite, uma mistura de sotaques, trazia de volta a vida, o visitante que se perdia em pensamentos, diante da beleza incontável da natureza em sua exuberância máxima. Um vai e vem descontrolado de pessoas diversas, de raças diferentes, de línguas e dialetos, interesses diferentes, ambições desencontradas. Tudo isso vai terminar, tal qual uma onda, de encontro às tábuas do paredão do cais. Henrique vai debruçado na amurada do convés, os olhos voltados para as luzes da cidade, que aos poucos se distanciam, vão desaparecendo ao longe. Lá vai ficando Manaus, lá vai ficando Esthela... Teria saudades? Era curioso, mas ainda não as sentia, quem sabe mais tarde, essa dor, doeria...

         Mas a noite engoliu tudo, arrebanhou-lhe o espírito e as lembranças, vai deslizando com ele, rio a fora, aumentando  a distância entre ele e a esposa. Tudo que ele tem de mais caro.

         É uma constatação que o escandaliza, essa, de se sentir firme sozinho, de aceitar a solidão como um gozo, uma carícia, de sentir que quanto mais se distancia, mais cresce, continua, avança.

         Os sons vindos da terceira classe, não o atraem, ele está envolto em uma espécie de capa protetora, a solidão na amurada, ainda o prendem a um breve passado, Esthela não lhe sai do pensamento, mas as cenas que se desenrolam em sua frente, enchem-no de expectativa. Quer a solidão, quer o silêncio e o mistério das águas escuras e revoltas, que se abatem junto a amurada. Quer seguir como uma seta, perfurando o destino, o futuro, dentro daquela noite  que o cobre, como uma redoma de vidro fume. Vislumbra qualquer coisa dos dias que virão, sabe-se enganado pelas tolices da vida, pelas armadilhas urdidas diariamente pelo destino, mas mesmo assim segue em frente.

         Pressente as alegrias e tristezas que o esperam, nessa longínqua área de exploração, que separam oito dias de viagem, rio acima. Revê-se preparando tudo, às pressas, após a resolução, aparentemente tomada de supetão, mas, na realidade, vagarosamente amadurecida dentro do seu espírito aventureiro. Todo a seu ser  jogava nesse empreendimento, o convite recebido no dia anterior, vindo do IBAMA, convidando-o a participar de uma equipe de estudos, que lotada na selva, realizava experiências junto a rica flora da região, fê-lo decidir-se de imediato. Havia muito que vinha pensando naquilo, seu maior sonho seria trabalhar no IBAMA, e agora, com essa oferta... Estava cansado, farto da vida cotidiana que levava. Já nem a doce presença de sua esposa, conseguia empolgar-lhe o espírito, sentia que precisava de uma mudança radical de cenários, desde que deixará o Paraná, em busca de futuro no Norte, ansiava por tal oportunidade, mesmo depois de se instalar na grande Manaus, ele esperava por aquele momento. Seu espírito aventureiro ansiava por empreitadas como aquela.

         Trabalhando no IBAMA como operador de Micro, aos poucos ele estava se tornando indispensável ao grande grupo de biólogos, cientistas e estudiosos, que por ali passavam.

         A vida para ele, estava como um carrossel, sempre girando no mesmo lugar. Era preciso largueza de horizontes, os seus insistentes pedidos à Direção, acabaram surtindo o efeito esperado, depois de alguns meses de ininterrupta insistência, o Diretor de campo Gonzaga, solicita a sua presença, na área de pesquisa.

         Bom Futuro! Que vontade o assoberbara de conhecer a área de pesquisas Bom Futuro, ele queria conhecê-la de perto! Com que ânsia ele aguardou a carta de Gonzaga, autorizando-o a deixar a central, para seguir ao Bom Futuro, por  vezes, recebeu em sua casa o amigo Rodolfo, ele é que lhe punha na cabeça, a vontade de deixar a cidade e sair em busca de emoções, a floresta estava cheia delas, mas a consciência o impedia, não poderia jamais largar tudo e seguir a sua vontade, mas agora era diferente, estava a trabalho.

         As cartas que recebia do amigo Rodolfo, vinham descritas minuciosamente as cenas diárias, os acontecimentos cotidianos, tão simples na aparência, porém tão cheias de significado, para Henrique. Ah! Como se sentia atraído pelo lugar, para aqueles segredos, para aqueles perigos que o atraíam e o ameaçavam, mesmo de longe! Rodolfo, passara a ter uma vida quase irreal. Era quase um símbolo. Comparando-se ao amigo, compreendia estar vivendo exclusivamente para o dever. Os caminhos da terra vibravam de impaciência, para serem percorridos pelo homem, e ele nada...

         Henrique debruçado na amurada, repassava tudo isso em sua mente, “As águas se agitam, na esperança de serem sulcadas pelos navios, o homem recebeu pernas para caminhar e correr por entre as trilhas da terra...” Essa coisa de ficar sempre preso às mulheres...

         No íntimo sentia que tinha certa prevenção contra a Esthela, por vezes ele se pegou falando uma coisa e sentindo outra, notou que isso também se passava com ela, não foram poucas as vezes que ele a surpreendeu no ato, os dois pareciam usar uma máscara, um diante do outro, na verdade, nenhum dos dois deixava transparecer o que realmente sentiam, seus medos, suas angústias, seu desejos...

         Entretanto ela era tão boa! Amava-a tanto. Porque havia esse desajustamento? Porque, querendo-a tanto, tinha tantas queixas contra ela? Reconhecia-as injustas. Mas não podia evitar. Tudo isso porque? Tinha visto as lágrimas em seu rosto, na hora da despedida, na hora da separação, desde há muito ela andava emocionada, referia-se aos anseios de Henrique, como um falso heroísmo, uma bravata de pirata caolho e barrigudo.

         Sentira perfeitamente isso, agitara o mais profundo do seu ser. Vira-a soluçando em seu ombro. Era, afinal de contas apenas quinze dias, tão curta era a ausência, que ele não via razão para tanto choro. Mas era por pouco, estava precisando desse descanso. Havia seis meses que trabalhava feito um louco, tentava de mil maneiras, fazer com que seus esforços fossem reconhecidos, pelos seus superiores. Graças ao se conhecimento na área de informática, sua tecnologia era empregada nas mais diversas áreas de estudo e estatística do IBAMA.

         Essa pausa verde, esse contato com a mãe-terra, haveria de retemperá-lo, voltaria com novas energias, e quem sabe... uma promoção... algo parecido.

         Andava tão fatigado, sentindo-se nervoso por qualquer motivo. Para isso concorrera muito a sua partida para a Amazônia, as conseqüências que caíram sobre ele, após uma ardilosa calúnia que lhe lançaram, finalmente lhe deram ânimo para a empreitada. Nunca pudera aprovar aquilo. Era, a seu ver, mais um desastre que se abatia em sua vida. Fizera-lhe ver, aliás, tudo isso, em franca conversa, mas o professor Murilo, que o caluniara, mostrou-se obstinado. Recordava -se da cena. Ele voltado para o traidor, esgotando os recursos da sua dialética: “Você, me trair com mentiras, me indispor com a Secretaria de Educação, não papel que se preste a um professor...” “Na vida tudo é luta, a lei que impera, é do mais forte, é um direito que me reservo, não é certo?”, ripostara ele. Ao fim, terminara por encolher os ombros. Ele que fizesse o que bem entendesse. Era, afinal livre. Fosse para o Inferno! Mas a injustiça já estava feita, nada se havia à remediar. 

         O processo administrativo se instaurara. Fora preciso aceder, aceitar. Muitos de seus amigos, pareciam vibrar com tais elucidações enganosas que no decorrer do inquérito, foram apresentadas. Nada repercutiu mais, do que a sua própria vergonha, na incerteza dos amigos, na completa obscuridade da Lei, Henrique resolveu deixar o Paraná, nada mais o prendia ali, o único trauma que levava consigo, era a dor da traição.

         Saía daquilo tudo, como quem se livra dos aperreios incômodos, era com alívio que também deixava para trás, o barulho surdo dos alunos da Brasilino, o constante arrastar de carteiras, as correrias, os gritos.

         Depois que o Murilo lhe traíra, deixando-o naquela constrangida situação de preterido, viera-lhe o desejo mais forte do que nunca, de fugir, escapar, de abandonar aquele ambiente. Sabia que tinha de voltar, mas viria de cabeça erguida, novas idéias, outras disposições. ia encher os pulmões de ar puro, saturado de vida, ia buscar coragem e um novo recomeço.

         A escola, os alunos, que se arranjassem com outro, a Secretaria ainda lhe tinha oferecido o cargo de secretário, mas a vergonha e a indignação, o impediu de ficar. Esthela tinha-lhe dito: “Não vá você perder a cabeça, hem? !...” Que todos me virassem às costas, de que adiantava ganhar dinheiro, trazer para casa, pagar as contas, trabalhar feito um burro, num lugar onde ninguém valoriza os seus esforços, se tudo sumia naquele torvelinho. Se tudo era papado por aquela quantidade de gente que vivia obtendo vantagens em cima de vantagens, nas suas costas? Não, ele não tinha vocação para burro de carga! Sua resolução espantara a todos. D. Marli, a mãe de Esthela, Divairton, seu ex-marido, Nancy, a filha mais nova do casal, Vitória, sua mãe. Que direito tinham de interferir em sua vida? Se ali não tinha condições de ser feliz, procuraria o seu destino em outras paragens!

         Esthela fora fina, não se opusera, propriamente. dissera compreender a necessidade dessa mudança. Apenas de quando em quando, colocava uma pedra em meu sapato... Dizia uma ou outra frase, que deixava a mostra os seus verdadeiros sentimentos de receio.

         Ela estava sempre a se comunicar com os parentes no Paraná, escrevia-lhes toda semana, queria saber de tudo, de todos, Henrique se mantinha à margem.

         Agora depois de seis meses, enfim, seus esforços foram reconhecidos, na sua inocente mente sonhadora, ele se via de partida para a tão sonhada vida aventureira.

         Esthela demostrava à inoportunidade daquela viagem. Justamente agora, que estavam sobrecarregados de despesas, estavam recomeçando a vida, comprando móveis, construindo a casa... Era o que o seu olhar parecia acrescentar as frases. Pois era exatamente isso que o aborrecia. Queria ver-se livre, pelo menos por algum tempo, daquela canga pesada. Por alguns dias gostaria de ter a sensação da liberdade. Partiria.

         E agora sulcava as águas, só com os seus pensamentos, como queria. O Rodolfo fora avisado, esperava-o com entusiasmo. O Bom Futuro era no Purus. Aguardava-o a selva, as emoções nos verdadeiros templos de vegetação, a obscuridade dos mistérios, a conversa com o amigo, sob a luz dos lampiões. A caça, a pesca, uma canoa veloz, uma boa leitura, e quem sabe até, o início de um grande romance, se possível, vivido por ele mesmo. E a capacidade de sonhar sobre todas as coisas, longe de tudo, ouvindo a distância o ronco das feras, o canto dos pássaros, a soturna algazarra dos guaribas. Que mais queria? Ao fim de certo tempo, Esthela de novo. Afinal, era boa a vida. Completa mesmo, se não fosse essa eterna preocupação de se ganhar dinheiro! Isso é que era o Diabo! Mas para todas as suas dúvidas, Rodolfo encontrava a explicação. Sempre dizia uma palavra que dissipava as suas nuvens. Certamente o Rodolfo haveria de rir, com as suas preocupações, na verdade, Rodolfo planava acima de tudo...

         Na noite escura o barco avança, Henrique cerra os olhos, antegozando os prazeres que o aguardam. Levado por uma força nova, vai, rumo ao desconhecido.

 

 

II

 

 

         Com a luz dos dia, tudo toma um aspecto diferente. O cenário na aparência, é sempre o mesmo, conforme a luminosidade e o contraste com as sombras, ganha nova vida, novos contornos, tudo se modifica lentamente, ante os olhares atônitos da platéia. A manhã, encontrara-o de pé, louco para ver o nascer do sol, essa hora exata, em que as águas se tingem de rosa, onde a terra se confunde a uma palheta, repleta de cores e tonalidades mil, que no decorrer do dia, comporão a tela do dia. Todo esse painel, tem o seu fundo musical, ali, em meio a floresta, o canto de mil pássaros, os rugidos das feras, os silvos longos e perenes da embarcação, dão a cena um ar nostálgico, encantador.

         A frente no horizonte, as águas barrentas do rio, contrastam com o azul fumarento do céu. Tudo é cor, tudo é irreal e passageiro. O dia caminha, desfazendo efeitos, desmanchando paisagens, modificando e alterando a cada momento. Nesse momento, Henrique pensou que Deus, seria um artista insatisfeito, que as mudanças que se sucediam a cada momento, seriam mudanças expressas pela sua vontade, que ele as modificava na tela da vida, pincelando aqui e ali, com o seu poder divino.

         A cada tentativa de mudança, a paisagem aparece mais bela e diferente na sua obra, os espectadores sentem a ânsia da perfeição, a impaciência estática do absolutismo.

         Conduzindo a custo a carga heterogênea, o grande vapor pintado de azul e branco, vai empenachando o ar puro da manhã, com uma fumaça escura, que enevoa a paisagem. A limpidez do dia, porém, logo absorve toda aquela discordância.

         O vapor em cujo interior palpita uma vida intensa, leva em deprimente promiscuidade, homens e animais. Na terceira classe, onde um som rouco e ritmado de uma banda incansável, anima e enche de esperanças, os ouvintes desatentos, amontoam-se bois em cujos chifres avultam penduricalhos e enfeites mil, vacas secas e ossudas, burros verruguentos, cabras e carneiros desnutridos e até porcos, ao lado de sacos de sal, gasolina, querosene, óleo diesel, tijolos e uma interminável lista de outros produtos. Os oficiais de bordo atravessam com dificuldade por entre os grupos compactos de passageiros e cargas. Os passageiros com seus baús e trouxas e os animais com a sua ânsia de desembarque, obrigam os tripulantes, para a execução de suas manobras, fazer verdadeiras ginásticas para atravessar de um lado para o outro da embarcação. Toda essa gente come, cospe, vomita, conversa, fuma, pensa e sofre, ao som da eterna melodia da banda. As mulheres vestidas de chita, com seus curumins nos braços, discutem a moda da cidade grande, pitando os seus cachimbos de pau torto e aparando as ilustres barrigas de seus filhos. Os pobrezinhos choram pedindo bolachas, que na coberta, existem barricas repletas, um ou outro assoa o nariz melequento, no pano às costas da mãe, ali ficam os rastros de uma lesma crônica, que habita o interior nasal da maioria das crianças amazonenses. Os homens falam dos tambores de cachaça, dos galões de cagibrina. As mulheres, da variedade incomparável dos baús e das canastras carregadas. A fartura em volta e a fome ali dentro, estômagos apertados, o cuido da fome , a espreita. A vida é cara. Os nordestinos tem a cara deprimida, sempre arredios, desconfiados, o olhar sempre perdido nas margens, Henrique observa a cena ao longe e imagina o que se passa na cabeça de cada uma daquelas pessoas, que sonhos devem ter, que caminhos irão traçar?

         Vêm de terras desoladas, destruídas pela seca, o medo os acompanha, no Ceará, conheceram a dor da seca, aqui, conhecerão a dor da água, o medo é a estampa real do nordestino em terras amazonenses. Muitos deixaram lá, as suas famílias, outros ainda, trazem-na de contra peso. Ele sabe que pensam também, inconfessávelmente, nos quartos de carne que viram pendurados na ré, as mantas de carne bovina, destinada a alimentação dos passageiros da primeira e da tripulação, são devorados em pensamento, pelos famigerados nordestinos, que fogem da seca, para afogar-se no alagado.

         Alguns armaram suas redes e se alheiam do ambiente, entregam-se a doída dor da saudade, a tirania de uma dor invencível. Outros, mascam fumo, pitam no cachimbo de taquari, dando trela a imaginação, a respeito do que os espera na selva.

         No outro convés, o segundo, onde há a roda do leme, o bolinete, a despensa, o bar, a sala de refeições, a caixa da fumaça e os camarotes com acomodações  para o pessoal de classe mais elevada, estão os passageiros representantes de companhia de extrativismo mineral, os grandes madeireiros, fazendeiros de toda sorte, criadores de gado e até um criador de jacarés, os oficiais de bordo, os serviçais e sobressaindo-se ante todos, pela sua farda impecável, o comandante de bordo, um homem simpático, de olhos miúdos, enorme barriga e resposta pronta no ato, ao seu redor todos circulam, é um ondear de indagações que ele responde sempre, bem humorado.

         Naquele dia, Henrique presenciou um diálogo interessante entre um dos passageiros do Vapor e o Comandante da embarcação:

         __ Creio que temos um caso grave de varíola, comandante...

         __ Onde se encontra? , perguntou o fardado, preocupado.

         __ Na terceira, é um cearense.

         O comandante meneia a cabeça, deixando a mostra, seus dentes amarelados de caboclo, e como notou os olhares perplexos sobre si, comentou:

         __ Não se preocupem, é uma erupção branda, temos um médico a bordo, ele irá examinar o pobre coitado, tirem a preocupação da cabeça, no “Vara Rio” nunca me ocorreu uma epidemia, sequer um óbito...

         Nada a temer, pensou Henrique.

         Mas no barracão mais próximo, houve uma parada imprevista, junto a malagueta o comandante dá as ordens. As máquinas pararam e o vapor desliza, rumo a barranca.

         Na amurada os passageiros espiam curiosos, indagando aqui e ali, o motivo da parada inesperada. Alguns arriscam o palpite, de que a parada seja para descarregar os porões, que dizem estar cheios, prejudicando a embarcação no sentido de melhor singrar as águas do rio, dizem que a água está bem acima da linha de flutuação. Os cearenses da terceira, deixaram suas redes, a banda estacou em seus acordes e os ferros rangem. A fumaça inebria os olhos desacostumados, empesteando o ar, em volta dos curiosos, um caboclo que descera para amarrar o cabo, grita. O imediato, rígido, grita as ordens em voz alta, sobrepondo-se ao grande alarido formado no convés, pelos passageiros. Um grupo de curiosos aguarda no porto. Da margem perguntam para os de bordo, se há cigarros, fumo, farinha d’água, cebola, se trazem jornais...

         Mas nada disso. As ordens são severas e imperativas. Há uma troca de palavras com o senhor da terra, e um protesto se eleva categoricamente. Logo a seguir, um silêncio que encomoda a todos, um momento de hesitação. Por um momento, apenas o canto dos pássaros é ouvido, os passageiros recostados à amurada, adernam o barco levemente, as águas em derredor, carregam as cascas de laranja, cortadas em todos os feitios, de repente, os gritos do pessoal de terra começa, enorme. Não! Ali não se aceitam pessoas enfermas, que vão contagiar o Diabo que as carregue, ali não. O Comandante insiste. Dois caboclos trouxeram da terceira classe, o corpo do moribundo, envolto na rede. Ao seu lado, um cachorro, esquálido uiva incontrolávelmente desolado. O povo do porto continua com a grita, dali um pouco, outros caboclos surgem de armas em punho. As ameaças continuam, as disputas, as insistências. Um dos caboclos perde a calma e soa o primeiro tiro, será o primeiro de uma série... O comandante empalidece diante da ameaça, então dá ordens para que o enfermo seja levado de volta à terceira classe. Em poucos minutos os ferrolhos são novamente recolhidos e o vapor cobre toda a margem com a sua fumarada. Ao longe ainda se pode ouvir os tiros dados a esmo.

         No barco a hipótese de contágio, rondava a cabeça de todos, apesar do avanço da medicina, naqueles ermos não havia recursos. O comandante preocupado com o possível contágio, mandou que se instalasse no convés, uma tolda e para aí, o corpo do moribundo é transportado, sob a chuva dos olhares amedrontados e curiosos dos passageiros.

         O navio prossegue sobre as águas mansas. Tronqueiras, galhos, ilhas de capim verdejante, passam no rebojo do rio. a Banda recomeça com o seu incansável acorde e logo se ouve o compasso de uma valsa brejeira.

         Mais tarde há uma nova parada, o comandante exibe os dentes amarelados e chama atenção para si, tenta entre outras coisas, narrar os seus vinte e tantos anos, subindo e descendo por aqueles aquosos rios.

         Mas ninguém se interessa pelo relato animado, ninguém está disposto a seguir o curso de suas idéias. As fisionomias, revelam a ansiedade geral. Todos os espíritos ali presentes, atentam para a parada inesperada do vapor, então acorrem a amurada.

         Um caboclo, pendurado no mastro, olha com espanto a cena que se apresenta, o vapor estremece ante a parada, com os motores ligados, com pressa uma maca é improvisada e o corpo do virulento desce a margem. O movimento dos homens que carregam o corpo é rápido, cheio de cuidados e receios. O corpo é deixado no barranco. O doente ficará sozinho. Morto? Ainda bate aquele coração que ali vai repousar para sempre, ao abandono, longe das moradias ribeirinhas, Henrique observa a cena que se desenrola a sua frente, sem emitir um som sequer, aquela era uma crueldade para com ele.

         O navio larga novamente, algum morador das proximidades, deverá encontrar o corpo, mais tarde. Daí, a epidemia vai se entrar pelo mato, pelas choupanas dos agricultores saudáveis, alastrando-se até os povoados ribeirinhos mais afastados e as malocas escondidas no seio da selva. A temível semente da destruição ficou ali semeada. Respiram os oficiais de bordo. Estão livres... A conversa do comandante é retomada no rio interrompido:

         __ Pois bem, naquele famosos ano da cheia...

         Henrique desinteressa-se. Parece-lhe tudo um pesadelo. E dizer-se que assistira a cena, de braços cruzados! Pensar que diante de suas vistas se processara algo tão ilegítimo, tão criminoso.

         O homem estaria mesmo morto? Ele era um fraco, nada tinha feito. Viu com horror. Mas aceitou. Não quis atrapalhar-se em discussões com o comandante, ele também era novato, não conhecia a rigidez da região. Se Esthela estivesse ali... Quer tirar daí o pensamento.

         Passam no rio balsas com toras, engatadas uma às outras, à procura de rebocadores, que as conduzam aos grandes centros, muitas vezes chegam a ter mais de quilômetro e meio de comprimento. Encarapitados em cima, vão os caboclos, sorridentes, satisfeitos, mostrando os dentes falhos e amarelos, acenando alegremente ao pessoal de bordo. No navio o movimento intenso continua, sempre ao som da banda. As bandejas passam com as refeições, do corredor, sobem os  vapores cheirando a comida fresca. Todos se cruzam, se cumprimentam, sorriem, e movimentam-se. E sempre, o comandante cercado, contando casos.

         Henrique não sente necessidade desses contatos humanos. Ao contrário, aspira pelo isolamento, tanto quanto possível, nesse amontoado de seres humanos dispares. Seu olhar se perde na muralha de vegetação, que barra a visão da margem. As águas escorrem brandas, amaciando-se na tranqüilidade serena da tarde. Num tronco, que desgrudado de sua base, desce a corrente do remanso, gaivotas observam a paisagem a volta. Os mosquitos e muriçocas, intensificam o seu ataque, é durante a tarde, que a sua ação se torna mais devastadora.

         Na popa, alguns rapazes se divertem imitando o choro de um filhote, atraindo junto a amurada, um bando de botos rosados.

         As mulheres presentes, correm soltando ao vento, exclamações de alegria...

         O cachorro do morto, continua uivando na terceira. Subitamente é noite. Tudo se acentua no navio. A vida fora cessou, dentro, intensifica--se, Henrique conversa indiferentemente com qualquer um que lhe interpelasse. vem a saber que a bordo, está o arqueólogo lotado no Bom Futuro, para onde ele se dirige. Em pouco apertam-se as mãos. Um homem trigueiro, de maxilares proeminentes, cabelos encaracolados e grisalhos, a princípio Henrique imaginou que ele os pintava, parecia-lhe tão moço ainda.

         __ Alexandre Caravadgio, muito prazer...

         Caravadgio, lhe fala a respeito do acampamento, dos barracões, dos hábitos, dos outros técnicos e profissionais que lá se encontram. Henrique passa a viver intensamente dessa vida. Já não é bem o marido de Esthela, o observador atento da paisagem. As palavras do arqueólogo dançam na frente dele. Parece que em Manaus, nada deixou. Segue, apenas, rio acima, com o mundo diante de si.

         A viagem era movimentada, não se modificava muito a forma como ia se desenrolando, mas os horários não podiam ser observados. A cada momento, um acidente novo, um acontecimento inesperado. Era preciso cuidado para não esbarrar nas tronqueiras perigosas, não albarroar nos barrancos, que as vezes a cerração ocultava. A natureza brincava com o homem, impondo-lhe obstáculos, divertindo-se em alterar-lhe os rumos, como o gato que passa distraídamente a pata  no inseto a sua mercê. Era comum ver a terra andando sobre as águas: eram as plantas que, crescendo nos leitos dos rios , obstruíam a passagem em largos trechos, surgindo a tona, verdejantes, cheias de humo, viçosas flutuando.

         Havia grande alegria no reino animal, era a época da migração das aves, ainda à noite, ouvia-se o chiar das andorinhas, nos seus preparativos. Logo após, a barulhenta travessia dos papagaios pelo rio, pontuando de cores vivas o azulado esmaecido do céu. Por seis meses, desapareciam das margens, milhares de animais , enquanto que grande parte dos vegetais, que não podiam fugir, esperavam a morte por afogamento. Essa vegetação estrondosa, quando não a destróia a violências das águas, morrem, muitas vezes, pela mão dura e cruel do homem. Há grandes clareiras na floresta, clareiras que falam de dor, que bradam cuidados, que solicitam auxílio. Vazios que contam a brutalidade do homem, a cobiça gerada pelo dinheiro, a crueldade do braço do madeireiro. Mas a água trás nova vida, sedimentos novos. Rebrotam as plantas e novamente a vida palpita. É uma natureza eternamente renovada. Tudo aí, é violentamente substituído, tando pela mão do homem, quanto pela ação da própria natureza.

         Uma ou outra habitação, punha uma notazinha de esperança, naqueles ermos. Ouvia-se ao longe, o latido de um cão, o apito de um outro vapor, um galo a cantar atrasado.

         Lá adiante, uma choupana, pobre erguida sobre as paliçadas, algumas casas menos primitivas, um trapiche de tábuas... Um taperi improvisado, coberto de folhas de palmeira, um grosso toro, servindo de ponte, de entrada.

         No convés, dia e noite, Henrique absorvia as palavras de Caravadgio, destilando a prosa, feito um alambique de  carvalho. Indagava a respeito de suas múltiplas funções dentro do acampamento. O homem elogiava o Rodolfo. Sujeito esforçado, trabalhador como poucos, e de inteligência aprimorada! Henrique batia a cabeça assentindo. Todo os elogios seriam poucos, para gabar o amigo. Caravadgio contava a ele, que muitos dos profissionais do Sul, que trabalharam ali com eles, encontravam muitas dificuldades em se adaptar com o clima, muitos foram atacados pelas doeças tropicais. Contou-lhe a respeito de um tal Geremias que ficou doente, acabou contraindo num dos barcos gaiola da região, a malária, logo que chegou. Mas o leite do Amapá, já o tinha curado.

         __ É um excelente remédio natural da região, nossa equipe está estudando a fundo esses derivados vegetais, a farmacologia é abundante na região, graças ao povo daqui, estamos conseguindo um grande avanço na medicina.

         Entusiasmado com o assunto, Caravadgio emendou:

         __ Os caboclos dizem que o Amapá, é um ótimo tônico para as vias respiratórias, por causa da grande quantidade de cal que contém, explicava. __ E também o é, para mordeduras, ou picadas, como o queira. Para todas as moléstias com que a natureza ataca o homem, ela oferece um remédio, isso ele nos garantia.

         Henrique ria-se.

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