Fraternidade Caminho da Verdade - Reino de Oxum Maré

HISTÓRIAS DE PRETOS VELHOS

01:06 PM, 9/10/2010 .. 0 comentários .. Link

HISTÓRIA DO PAI FRANCISCO DE LUANDA


Noite na senzala. Os escravos amontoam-se pelo chão arranjando-se como podem. Engrácia entra correndo e vai direto até onde Amundê está e o sacode: - A sinhazinha está chamando, é urgente! - O escravo é conhecido pelas mezinhas e rezas que aplica a todos seus irmãos e o motivo do chamado é justamente esse. O filho de Sinhá Tereza está muito doente. É apenas uma criança de cinco anos e arde em febre há dois dias sem que os médicos chamados na corte consigam fazê-la baixar. Sem ter mais a quem recorrer, no desespero próprio das mães, resolveu seguir o conselho de sua escrava de dentro e chamar o africano. Aproveitando a ida de seu marido à cidade, ele jamais concordaria, manda que venha. Sabendo do que se tratava o homem foi preparado. Levou algumas ervas e um grande vidro com uma garrafada feita por ele e cujos ingredientes não revelava nem sob tortura. Em poucos minutos adentram o quarto do menino e Amundê percebe que precisa agir com presteza. Manda que Engrácia busque água quente para jogar sobe as ervas que trouxe enquanto serve uma boa colherada do remédio ao garoto. Dentro de uma bacia coloca a água pedida e vai colocando as folhagens uma a uma enquanto reza em seu dialeto. Ordena que desnudem a criança e carinhosamente a coloca dentro da bacia passando-lhe as ervas no pequeno corpo. Nesse instante a porta se abre e surge o Sinhô Aurélio acompanhado do padre da cidade. Tereza grita e corre até o marido desculpando-se. O padre dirige-se a ela com ferocidade: - Como entrega seu filho a um feiticeiro? - dirigindo-se ao marido - Diga adeus ao menino, após passar por essa sessão de bruxaria ele morrerá sem dúvida! Tereza corre até o filho e o cobre com um cobertor enquanto o marido ordena que o escravo seja levado imediatamente ao tronco onde o capataz aplicará o castigo merecido. - Engrácia, acorde todos os negros para que vejam o fim que darei ao assassino de meu filho! Todos reunidos no grande terreiro ouvem a ordem dada ao capataz: - Chibata até a morte! E vocês - aponta todos os escravos - saibam que darei o mesmo fim a todos que ousarem chegar perto de minha família novamente. As chibatadas são dadas sem piedade, Amundê deixa escapar urros de dor entremeados com rezas o que somente aguça a maldade do capataz. Lágrimas copiosas correm pelas faces de muitos escravos. Após duas horas de intensa agonia o negro entrega sua alma e seu corpo retesa-se no arroubo final, finalmente descansará. O silêncio do momento é cortado por um grito vindo da principal janela da casa grande: - Aurélio, pelo amor de Deus - é Tereza com o filho nos braços - o menino está curado, a febre cedeu e ele está brincando! Assim morreu Amundê conhecido em nossos terreiros como o velho Pai Francisco de Luanda. Sua benção, meu pai! Permita que jamais voltemos a ver algo tão perverso em nossa história.

 
Vovó Benta


Todos os outros protetores já haviam desligado de seus médiuns, devido a hora avançada e também porque não haviam mais pessoas para serem atendidas. Fora uma noite semelhante à tantas outras onde aquele salão enchia-se de pessoas famintas do pão da fé e do conselho amigo dos pretos velhos. Vovó Benta no entanto, continuava incorporada em seu aparelhinho, batendo o pé no chão e cantarolando. O cambono-chefe veio até ela, informando delicadamente que os atendimentos haviam encerrado, podendo ela "subir". - Salve camboninho, nega véia sabe que o terreiro esvaziô, mas tô aqui esperando aquela zi fia que tá chegando na portera...
Olhando para a porta, o cabono avistou "aquela senhora" chegando e mesmo sem nada falar à preta velha, seus pensamentos reprimiram aquele tipo de conduta que se repetia.
Quando estavam prestes a encerrar o trabalho, ela chegava escondendo o rosto atrás de um xale. "ainda se fosse alguém decente, mas essa criatura se prostitui nas outras noites e nessa, vem até aqui se fazer de santa..." pensava ele. Vovó Benta captou as ondas do pensamento do cambono e somente sorriu, pensando em como a vida é uma caixinha de surpresas. - Saravá zi fia. Como suncê tem passado? - Minha mãe, minhas noites tem sido um terror. Os pesadelos não me deixam dormir e durante o dia tenho batido perna atrás de emprego, mas a senhora sabe, a minha fama faz com que todas as portas se fechem... - Não desanima filha. Se você decidiu que realmente quer mudar sua vida, vai precisar de persistência e fé. Não desista de procurar. Há um lar onde a dor está chegando e vai precisar de alguém de coração grande, com vontade de trabalhar e com paciência. Neste lugar, enquanto a filha ganha seu pão honestamente com seu trabalho, vai poder ressarcir os erros de um passado que desconhece e que por fugir dele, até hoje padece. - Eu não quero desistir, mas são muitas portas se fechando na minha cara... Às vezes penso que não vale a pena mudar de vida... - A escolha é sua, por isso o Grande Pai nos deu o livre arbítrio, porém esta preta velha vai dizer para a filha que sem subir e descer a montanha, sem atravessar o lodaçal e sem passar pelas águas turbulentas do rio, ninguém chega até a porta da Casa do Pai, a única que não se fecha para nenhum dos filhos. Prova disso, é o fel que o próprio Cristo Jesus precisou provar antes de se elevar aos céus. - Minha mãezinha, ontem mesmo vim até esta casa me oferecer para limpá-la durante o dia, como maneira de começar a fazer a minha caridade, porém me aconselharam que me restringisse a vir nas sessões de caridade, pois não ficaria bem uma "mulher da vida" limpar a casa dos Sagrados Orixás. - Mais uma vez o livre arbítrio filha. Jesus recebeu Maria Madalena e permitiu que ungisse seus pés, porque viu o seu coração e não se limitou a julgar seus atos. Continua insistindo filha, mostra que a sua intenção é boa, pede uma chance de mostrar o seu trabalho. Abençoando aquela mulher sofrida, de coração e forças já abatidos pelas noites de insônia dos tantos anos vividos naquele prostíbulo, Vovó Benta deu a ela um patuá e pediu que o usasse em sua bolsa, acreditando que estaria protegida e amparada por todos os Orixás. Despediu-se, quando a corrente mediúnica apressada, já cantava o ponto de encerramento. A Preta Velha limpando as energias de seu aparelho com o galho de Arruda, chorou sentida pela falta de entendimento que alguns filhos ainda tem do real significado da caridade. Depois de largá-lo, permaneceu ainda ali junto aos outros espíritos que haviam prestado o seu serviço naquele templo e que agora, de mãos dadas, cantavam e dançavam ao redor dos médiuns,reequilibrando suas energias com a magia do som e do movimento. Alheios à todo benefício que recebiam dos bondosos pretos velhos, alguns médiuns bocejavam, outros recostavam-se na parede sentindo-se cansados, outros ainda, pensavam no programa de televisão que estavam perdendo, graças "aquela senhora" que sempre atrasava o encerramento dos trabalhos. A semana corria e os acontecimentos andavam conforme a prescrição de uma força maior à dos homens. Num entardecer, aquela mulher grávida com fortes dores do parto, tenta chamar seu marido do trabalho, quando a bolsa d'água estoura e inicia-se forte sangramento. Alarmada pelo barulho, a filha adolescente sai do quarto e vendo a mãe no chão desmaiada, sai à rua gritando e chamando socorro. Uma mulher passava por ali, cabisbaixa e desanimada, mas que não hesitou em entrar correndo e atender a mulher, cuja criança já ensaiava nascer. Só teve tempo de lavar rapidamente suas mãos e pedir à menina que trouxesse toalhas e água quente, e ali mesmo fez o parto.
Não acontecia um acaso, pois ela fora adestrada pela vida em realizar partos caseiros, muitos, antes da hora... Sabia como agir e salvou a criança, mas sentindo que a mãe ofegava, ligou para um hospital chamando socorro. Quando o marido chegou em casa, assustou-se vendo aquela prostitua dentro de sua casa, com um bebê no colo. Os fatos foram relatados e correndo ao hospital, deparou-se com esposa em estado gravíssimo, vindo a desencarnar em poucas horas. Enlouquecido, agora culpava o parto mal feito, mesmo diante da afirmação médica de que a esposa havia sofrido uma parada cardíaca por problemas de pressão alta não tratada na gravidez. Saiu do hospital disposto a achar um culpado. Quando, enfurecido entrou no quarto para de lá expulsar a prostituta, assustou-se vendo que ao lado dela estava uma preta velha sorrindo. Esfregou os olhos e olhando novamente viu a mulher lhe entregando a criança e saindo. Que seria dele agora? Os vizinhos movimentaram-se nos primeiros dias, ajudando aquela família, mas depois de um mês cada um voltou a cuidar de sua vida. Na próxima gira de preto velho, o cambono-chefe ajoelhava-se chorando em frente de Vovó Benta, com um bebê nos braços, o que deveria fazer. - Zi fio, porque tanta tristeza? Esta criança é uma benção. -Mas não tem mãe.. - exclamava ele choroso - Não tem mãe mas tem uma avó. - Não minha mãe, as duas avós, tanto materna quanto paterna também já desencarnaram. - Zi fio aguarde ... aquela que é a avó do "curumim" está chegando. O cambono estremeceu ao ver "aquela mulher" novamente ali.  - Avó de meu filho?  O camboninho esquece que foi ela que o salvou? Seserviu de mãe, poderá servir de avó. Tem idade e experiência para tanto.- Mas não tem moral! - Zi fio, essa moral de que fala é um chapéu vistoso que dá imponência quando convém, e que serve para esconder a cara quando a vergonha chega. Larga de tanto orgulho e contrata essa filha que tanto precisa de um trabalho, para cuidar do filho que ela mesmo fez vir ao mundo. Naquela noite, durante o sono, o cambono foi levado a outras paragens do mundo astral e dos quadros que presenciou, foram trazidos à sua mente física, pela manhã como uma forte vontade, senão necessidade, de chamar "aquela mulher" para ser babá de seu filho. E assim o fez.
Ao pedir seus documentos para o devido registro, surpreendeu-se com seu nome verdadeiro, pois a conhecia por Madame Zulu, seu nome de guerra. Então ela passou a lhe contar que havia conhecido um rapaz rico que a engravidou, quando ainda muito jovem. Por impedimento das famílias, não puderam ficar juntos. Durante a gravidez toda foi obrigada a se esconder e quando o filho nasceu, sumiram com ele. Sua dor havia sido tão grande que saiu pelo mundo a procura do bebê sem nunca ter logrado êxito, até que desanimada e desacreditada, se jogou naquela casa e lá passou a viver de prazeres ilusórios. Falou de suas decepções, de sua tristeza e da saudade que tinha do filho que mal conhecera. O coração daquele homem agora disparava porque algo muito forte gritava dentro dele. Perguntou por datas, por nomes, por locais e não havia mais dúvidas: - era ela..."aquela mulher" era sua mãe! Entre soluços jogou-se aos sues pés, contando sua história de abandono e de carência materna no orfanato. Naquela noite, lá no terreiro, um cambono e uma ex-prostituta, agora mãe e filho, ajoelhados aos pés da preta velha choravam emocionados, apresentando o filho e neto para que fosse abençoado. - Camboninho entende agora porque a preta velha ficava esperando até altas horas para que a filha chegasse no terreiro? Entende porque se diz que "Deus escreve certo por linhas tortas"? Esse pequeno ser que desfruta agora de vosso amor, tem uma história também, mas seja qual for, prometam ampará-lo e amá-lo, o tanto que vossos corações forem capazes, para que a justiça se cumpra. Talvez um dia viessem a descobrir que em vida passada, o cambono e sua mãe haviam sido pais inconseqüentes daquele ser que ali renascia e que por causa disso, havia se perdido. Tudo o que mais abominamos, faz parte de nós. A vida sempre nos coloca de frente à espelhos, que independente das máscaras que usarmos, vão sempre refletir nossa imagem verdadeira.
Preta Velha já foi.. já foi prá Aruanda... Vovó Benta

Fonte: livro Causos de Umbanda - Editora do Conhecimento

 

Vovó Catarina


Os tambores tocavam o ritmo cadenciado dos Orixás, e nós dançávamos. Dançávamos todos em volta da fogueira improvisada ou à luz de tochas ou velas de cera que fazíamos. A comida era pouca, mas para passar a fome nós dançávamos a dança dos Orixás. E assim, ao som dos tambores de nosso povo, nos divertíamos, para não morrer de tristeza e sofrimento. Eu era chamada de feiticeira. Mas eu não era feiticeira, era curandeira. Entendia de ervas, com as quais fazia remédios para o meu povo, e de parto; eu era a parteira do povo de Angola, que estava errando naquela terra de meu Deus. Até que Sinhazinha me tirou do meu povo. Ela não queria que eu usasse meus conhecimentos para curar os negros, somente os brancos; afinal, negro - dizia ela - tinha que trabalhar e trabalhar até morrer. Depois, era só substituir por outro. Mas Dona Moça não pensava assim. Ela gostava de mim, e eu, dela. Fui jogada num canto, separada dos outros escravos, e todas as noites eu chorava ao saber que meu povo sofria e eu não podia fazer nada para ajudar. De dia eu descascava coco e moía café no pilão. À noite eu cantava sozinha, solitária. E ouvia o cantar triste de meu povo, de longe. Ouvia o lamento dos negros de Angola pedindo a Oxalá a liberdade, que só depois nós entendemos o que era. E os tambores tocavam o seu lamento triste, o seu toque cadenciado, enquanto eu respondia de meu cativeiro com as rezas dos meus Orixás. A liberdade, que era cantada por todos do cativeiro, só mais tarde é que nós a compreendemos. A liberdade era de dentro, e não de fora. Aqueles eram dias difíceis, e nós aprendemos com os cânticos de Oxóssi e as armas de Ogum o que era se humilhar, sofrer e servir, até que nosso espírito estivesse acostumado tanto ao sofrimento e a servir sem discutir, sem nada obter em troca, que, a um simples sinal de dor ou qualquer necessidade, nós estávamos ali, prontos para servir, preparados para trabalhar. E nosso Pai Oxalá nos ensinou, em meio aos toques dos tambores na senzala ou aos chicotes do capitão, que é mais proveitoso servir e sofrer do que ser servido e provocar a infelicidade dos outros. Um dia, vítima do desespero de Sinhá, eu fui levada à noite para o tronco, enquanto meus irmãos na senzala cantavam. A cada toque mais forte dos tambores, eu recebia uma chibatada, até que, desfalecendo, fui conduzida nos braços de Oxalá para o reino de Aruanda. Meu corpo, na verdade, estava morto, mas eu estava livre, no meio das estrelas de Aruanda. Em meu espírito não restou nenhum rancor, mas apenas um profundo agradecimento aos meus antigos senhores, por me ensinar, com o suor e o sofrimento, que mais compensa ser bom do que mau; sofrer cumprindo nosso dever do que sorrir na ilusão; trabalhar pelo bem de todos do que servir de tropeço. Eu era agora liberta, e nenhum chicote, nenhuma senzala poderia me prender, porque agora eu poderia ouvir por todo lado o barulho dos tambores de Angola, mas também do Kêtu, de Luanda, de Jêje e de todo lugar. Em meio às estrelas de Aruanda eu rezava. Rezava agradecida ao meu Pai Oxalá. Fui pra Aruanda, lugar de muita paz! Mas eu retomei. Pedi a meu Pai Oxalá que desse oportunidade pra eu voltar ao Brasil pra poder ajudar a Sinhá, pois ela me ensinou muita coisa com o jeito dela nos tratar. E eu voltei. Agora as coisas pareciam mudadas. Eu não era aquela nega feia e escrava. Era filha de gente grande e bonita, sabia ler e ensinava crianças dos outros. Um dia bateu na minha porta um homem com uma menina enjeitada da mãe. Era muito esquisita, doente e trazia nela o mal da lepra. Tadinha! Não tinha pra onde ir, e o pai desesperado não sabia o que fazer. Adotei a pobre coitada, fui tratando aos poucos e, quando me casei, levei a menina comigo. Cresceu, deu problema, mas eu a amava muito. Até que um dia ela veio a desencarnar em meus braços, de um jeito que fazia dó. Quando eu retomei pra Aruanda, o que vocês chamam de plano espiritual, ela veio me receber com os braços abertos e chorando muito, muito mesmo. Perguntei por que chorava, se nós duas agora estávamos livres do sofrimento da carne, então, ela, transformando-se em minha frente, assumiu a feição de Sinhazinha! Ela era a minha Sinhá do tempo do cativeiro. E nós duas nos abraçamos e choramos juntas. Hoje, trabalhamos nas falanges da Umbanda, com a esperança de passar a nossa experiência pra muitos que ainda se encontram perdidos em suas dificuldades.

Fonte: Tambores de Angola

Robson Pinheiro e

Ângelo Inácio (espírito)

 

Pai João das Almas


São muitas as lembranças da minha encarnação como escravo em uma fazenda de café no interior paulista. O som da chibata, os gritos dos feitores que saíam à caça dos escravos fugidos, as amas de leite obrigadas a amamentar os filhos da sinhá. Lembranças pungentes de muito sofrimento. Quando a princesa Izabel assinou a Lei Áurea, eu estava velho e muito doente.
A senzala era o único lugar onde o negro conseguia ser livre. Minha história de vida foi muito triste, mas aprendi muito. O sinhô era um homem muito refinado e não me tratava mal, mas a sinhá era uma mulher muito infeliz. Seu coração cheio de fel não sabia amar. Era temida e detestada. Por muito pouco mandava chicotear os escravos da senzala e o sinhô fazia todas suas vontades. Negrinhos eram afastados das suas mães, velhos escravos iam para o tronco e as escravas caseiras tremiam com as ordens da caprichosa sinhá. Eu não me queixava e jamais cultivei o ódio e a vingança. Alguns escravos odiavam os senhores com todas as forças até à morte. No plano espiritual, continuavam a perseguição perturbando os senhores com a força da magia negra e da vingança. Como é bom ser bom! Como é triste ser mau! Quantas lágrimas e sofrimentos os senhores plantaram através de suas atitudes. No entanto, todos caminharemos para a Eterna Felicidade! O caminho mais sublime é o Amor, mas alguns só evoluem através da Dor!
Eu era forte e jovem, mas quando meu grande amor foi vendido, capricho da sinhá, minha saúde nunca mais foi a mesma. Minha vida mudou bastante e o meu consolo eram as rezas. Jamais cultivei a revolta ou a vingança. Os Orixás me davam a paz e o consolo para suportar as provas daquela encarnação.
Pior que a escravidão os grilhões da maldade e do preconceito. Muito pior que nosso sofrimento era o peso dos pecados daqueles que oprimiam seus irmãos de cor.
No dia 13 de maio, a alforria! No entanto, as lembranças marcaram minha vida para sempre. Foi minha encarnação mais proveitosa. Nessa vida de martírios, cultivei a renúncia e a humildade.
Quando desencarnei, meu grande amor estava à minha espera. A linda escrava que eu amei e foi vendida já estava no Plano Espiritual ansiosa pelo meu retorno. Somos todos irmãos! Somos todos iguais!
Muito tempo se passou e agora estou novamente na Terra. Não como espírito encarnado, mas como pai velho trabalhando nos terreiros de Umbanda. Minha vestimenta astral é a de preto velho. Escolhi essa missão para estar mais perto dos meus filhos de fé. Muitos precisam de libertação, da alforria da paz e da fé. Essa é a missão dos pretos velhos! Conselho, resignação, amor e paz! Limpar com a fumaça do cachimbo os miasmas do mal e da doença.
Aceitei essa tarefa sublime por muito amar a Humanidade. Conheci o sofrimento, a humilhação e a pobreza. Minha mensagem é de libertação! Filho de fé liberte-se dos grilhões do orgulho e do egoísmo. Se você está sofrendo, não desanime! Confie no Pai Oxalá que tudo vê e tudo sabe! Faça sua parte no aprimoramento espiritual e na reformulação das suas atitudes. Liberte-se das vibrações negativas do desânimo, da tristeza e do pessimismo. Ame a Terra! Colabore para que esse Planeta melhore cada vez mais e seja um grande Lar de Amor! Liberte-se do peso da angústia através do Amor! Perdoe seus inimigos, porque Oxalá é o exemplo de Perdão e Misericórdia!

0 Desejo que Oxalá o ilumine hoje e sempre! Nascemos para vencer e evoluir! Nascemos para conviver com Amor e tolerância! Somos todos irmãos! Nascemos para cumprir apenas uma passagem! A verdadeira vida é a vida espiritual!

Pai João das Almas

(Mensagem psicografada por Sandra)

 

Pai Joaquim de Angola


São muitos os mistérios que envolvem o povo, as linhas, o universo da nossa Umbanda querida.

Grandes figuras entremeiam com a corda da humanidade, uma desta figura é o grande Preto-velho pai Manoel Joaquim de Angola, que baixa nos terreiros levando sua missão de amor e esse amor é tão grande que ninguém para tentar desvendar quem foi esta lendária figura entre os Pretos Velhos de Umbanda.

Pai Joaquim ou Iquemí foi um negro forte, guerreiro, filho prometido de uma família real africana, oriunda de angola, áfrica para reinar junto ao seu povo.

Iquemí era um príncipe majestoso, amava sua liberdade, seus amores, um legitimo filho do orixá Xangô.

Mas entre guerra de brigar pelo poder, Iquemí foi aprisionado por uma tribo inimiga que o entregaram aos mercadores brancos.

Iquemí o grande guerreiro, príncipe de sua tribo estava em desespero, preso como um animal, veio no porão de um navio aos gritos de desespero dos seus inimigos de cor.

O mercador de escravo, dono do navio aonde vinha Iquemí, soube do destaque de ter um príncipe entre os outros escravos, observou o seu porte, sua beleza, seus dentes perfeitos e seu corpo músculos, mas viu nos seus olhos que não se submeteria aos maus tratos em se tornar um escravo.

O mercador de escravos chamava-se Manoel Joaquim, nascido em Lisboa decidiu ficar com Iquemí na sua fazenda nas terras da bahia.

Assim Iquemí chegou a Bahia foi para a fazenda do mercador.

Mas Iquemí não aceitava ser escravo, o mercador se afeiçoou de Iquemí devido a sua valentia, sua força e destaque entre os negros, mal sabia que sobre a luz do espiritismo ambos eram almas afins unidos pelo destino.

Iquemí foi conquistando a amizade do senhor Manoel Joaquim, que só teve um filho que morreu cedo com apeste, gostava de Iquemí como de um filho e um dia lhe disse:

- Negro, tu não tens um nome, um nome verdadeiro, um nome onde vais ser conhecido, vou pensar como te chamar.

O mercador adoeceu seriamente, antes de morrer batiza Iquemí de Manoel Joaquim de Luanda, um pedido de Iquemí.

Sua fama correu terras, envelhecendo se tornou pai de todos.

Pai Manoel Joaquim de Luanda ( Pai Joaquim d’Angola) seu papel na escravidão foi importantíssimo, promovia a paz entre seus irmãos de cor. Bondoso, um verdadeiro cristão, Pai Joaquim recebeu seu primeiro chapéu de palha, dado por bispo da igreja local quando sua cabeça já era toda branquinha. Sofreu muito no cativeiro, mas jamais esqueceu sua grande e velha mãe África.

 

Luiz Roberto

 




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