Translation

translation services

Esquina Urbana

13/6/2012 - URBANISMO E TRANSPORTE

 

              O tema da precariedade do transporte e da crescente quantidade de automóveis em circulação em Brasília volta a ser tratado nas manchetes e colunas dos jornais da cidade. Estudos realizados no âmbito do Plano Diretor de Transporte Urbano e Mobilidade do Distrito Federal e Entorno evidenciam a crise.     Caso não haja um aumento substancial da utilização do transporte público em 2020 Brasília vai parar. Em função do volume de veículos que estará em circulação as vias de acesso à Brasília ficarão intrafegáveis.

.

               O tema não é novo. A crise já foi muitas vezes anunciada. Neste blog o tema tem sido tratado reiteradamente. Não há assim como discordar do diagnóstico. Uma observação, todavia, deve ser feita. Há uma grave distorção no encaminhamento das soluções. Estas sempre contemplam apenas uma das variáveis da questão. Os estudos e propostas apresentados se restringem a equacionar e propor o atendimento das demandas do transporte público e da circulação de veículos. A relação entre estas demandas e o urbanismo, regra geral, é  pouco ou nunca considerada.

.

               A ausência de estudos e propostas que integrem o transporte e o uso do solo urbano não ocorre apenas em Brasília. É um pecado cometido em praticamente quase todas as intervenções relativas ao transporte público feitas no país. Planos Diretores Urbanos e Planos de Transporte e mobilidade nunca são realizados de forma integrada. O divórcio entre as duas áreas é uma constante. Objetivos perseguidos permanecem capengas na medida em que as propostas apresentadas trilham caminhos isolados e distintos. Os efeitos recíprocos e decorrentes destas propostas em uma e outra área ocorrem sem que sejam devidamente considerados.  Projetos procuram atender tendências. As tendências são examinadas, como dados da da própria natureza da questão, ou seja são assumidos como destinos que não podem ser alterados.

.

               As intervenções relativas ao transporte público ou ausência, impactam as áreas urbanas servidas. De forma simplificada ocorre o seguinte: Quando bem sucedidas estas intervenções provocam pressões sobre as áreas que pretendem servir. Pressões que, quando não devidamente calibradas, inevitavelmente levam a uma saturação da área. Morar na área passa a ser uma aspiração de indivíduos e famílias. Em fim desencadeia-se um processo que tende a valorizar os imóveis. Esta valorização por sua vez estimula investimentos imobiliários que as prefeituras quase nunca conseguem planejar, controlar ou sequer acompanhar. As iniciativas comerciais seguem o mesmo rumo.

.

               O inverso também ocorre na hipótese da não realização ou insucesso das propostas de transporte. Cedo ou tarde esta situação leva à deterioração, estagnação e eventualmente à decadência das áreas. Pessoas e negócios tendem a fugir destas áreas mal servidas que   progressivamente vão se esvaziando. Elas tendem também a se tornar mais inseguras em função da perda de importância política e da ausência de investimentos públicos.

               Faço uma analogia. Urbanismo e Transporte Público podem ser, talvez, analisados da mesma forma que alguns críticos consideram a excessiva especialização da medicina contemporânea. Por um lado não se pode deixar de reconhecer os grandes avanços técnicos. Por outro, cada  vez mais,  o paciente deixa de ser considerado como um organismo global.  

 

Postar um comentário!

<- Última Página :: Próxima Página ->

Sobre Mim

Esquina Urbana é um ponto de encontro para quem gosta de urbanismo e de discutir as cidades. É um espaço para o encontro de idéias sobre os problemas, soluções e desafios do nosso tempo.

«  November 2017  »
MonTueWedThuFriSatSun
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
27282930 

Amigos