Blog do Lúcio Saretta

Medo

Postado em 10/10/2017 at 10:37 AM

O meu único medo

É que esse texto não chegue ao seu final

E que eu seja vencido pelo sono

A boca aberta, a baba animal

 

Escorrendo sobre as teclas

Antes que eu possa concluir

Sem ter mestres nem asseclas

O meu plano anormal

 

Não me importo que essas linhas

Digam pouco ou quase nada

Nem que a sua rima arcaica

Seja motivo de piada

 

Só tenho medo do silêncio

E que o dia enfim termine

Sem que eu ponha no papel

Um pedaço do céu negro

 

Onde habita a minh'alma

Triste, calma e atormentada

Pela falta de coragem

Em me tornar um menestrel

Dentes amarelos

Postado em 4/9/2017 at 05:14 PM

Dentes amarelos!

Com quem um dia eu construí

Envolto em pândegos anelos

O meu sonho juvenal

 

E sem temor abri

Garrafas cheias de cerveja

Mastigando com firmeza

A tampinha de metal

 

Dentes amarelos!

Éreis tão fortes e tão brancos

E até mesmo era belo

O meu sorriso franco

 

Que luzia

Com júbilo profundo

Apenas por eu

Estar vivo nesse mundo

 

Dentes amarelos!

Já se passaram muitos anos

Não sou mais moço

Só insano

 

Olhando no espelho

A vossa cor

Tão pálida e tão triste

Só reflete o dissabor

 

Que existe no meu peito

Pois sois o símbolo

Perfeito

Da juventude que acabou

Corda bamba

Postado em 7/8/2017 at 05:27 PM

Há um homem parado no sinal

Equilibrando com astúcia corpo e mente

Enquanto pinos, argolas e balões

Rodopiam no ar alegremente

 

Quando a chusma de carros vai em frente

O artista conta moedas e vinténs

Depois fará malabarismo diferente

Comprando um quilo de feijão no armazém

Destaque jornal Pioneiro

Postado em 21/6/2017 at 03:02 PM

O louco chegou

Postado em 7/6/2017 at 08:10 PM

Ele chegou de mansinho, como quem não sabe nada.

A sua face é misteriosa: às vezes chora, às vezes dá risada. 

Na escuridão da noite, ele tem muitas histórias para contar.

Nostalgia do trago

Postado em 15/1/2017 at 03:24 PM

Depois de certa idade

é impossível beber

do jeito que eu fazia

todo santo dia

 

Depois de certa idade

é impossível tomar

a boa e velha carraspana

em cada final de semana

 

Depois de certa idade

é impossível beber

no botequim que fui freguês

uma vez em cada mês

 

Depois de certa idade

é impossível beber

de um jeito lindo e insano

uma vez em cada ano

 

Depois de certa idade

é impossível beber

do único jeito

que eu sabia

 

Desperdiçando, sem querer

o vigor da mocidade

até o sol aparecer

entre os prédios da cidade

Maré do amor

Postado em 24/10/2016 at 03:53 PM

Aquele cara que enxergava

o mundo pelo fundo

do vidro da garrafa

no balcão sempre a esperar

 

Como ostra mergulhada

na lama, dentro de si mesmo

no triste e plácido sossego

da solidão em qualquer bar

 

Hoje dorme de conchinha

e caminha de mão dada

com a sua namorada

na imensidão da beira-mar

Palestra aos alunos da EMEF Renato João Cesa

Postado em 6/10/2016 at 10:20 PM

Palestrando e aprendendo com os alunos da EMEF Renato João Cesa.
Obrigado às profes e organização do evento!

32ª Feira do Livro de Caxias do Sul

Shopping São Pelegrino - 05.10.2016

Coletânea de contos

Postado em 11/8/2016 at 02:04 PM

Alô, amigos!

Eis um trecho do meu conto incluído na coletânea "Onisciente contemporâneo".

O livro é o resultado da Oficina de Criação Literária ministrada pelo grande escritor gaúcho Assis Brasil, ao longo do ano de 2015.

Estou muito feliz!

Um abraço,

Lúcio

Biblioteca do Congresso

Postado em 2/8/2016 at 11:14 AM

Missão cumprida!

Agora meus livros também estão no acervo da Biblioteca do Congresso, em Washington.

Abraços.

Library of Congress - 11.07.2016

Poema della pioggia

Postado em 31/1/2016 at 05:26 PM

POEMA DELLA PIOGGIA

Quando piove mio cuore 
diventa lieto come un uccellino
nella finestra vicino 
non bisogno più nulla
neanche donne, neanche vino

Órbita literária

Postado em 25/8/2015 at 09:13 PM

Amigos,

Foi um prazer participar novamente do Órbita Literária, dessa vez falando um pouco sobre Edgar Allan Poe.

Obrigado ao pessoal da organização e a todos os presentes.

Um forte abraço!  

Visita Colégio Imigrante

Postado em 19/8/2015 at 08:48 PM

Alô, amigos!

Compartilho com vocês momentos do meu encontro com alunos do colégio Imigrante.

Foi simplesmente inesquecível conversar e receber o carinho dessa gurizada! 

Obrigado aos professores, em especial à Adriana e Inêz, pela acolhida e oportunidade.

18.08.2015

 

O cão e o violão

Postado em 24/7/2015 at 10:11 AM

Nunca tive nesse mundo

Qualquer tipo de paixão

Que não trouxesse lá no fundo

Mágoa, dor, ingratidão

 

Já tive sonhos de romance

Acalentados com tesão

Mas ser feliz não tive chance

E só ficou desilusão

 

Já tive noites de alegria

E as carícias de um pifão

Mas nunca achei o que eu queria

Nas ressacas de verão

 

É por isso que eu digo

Com o pensamento são

Que só existe um abrigo

Para fugir da solidão

 

Pois nunca tive nesse mundo

Qualquer tipo de aflição

Na companhia de amigos

Como o cão e o violão

 

Turma da oficina

Postado em 23/6/2015 at 09:28 AM

Comemorando com os colegas de oficina literária o aniversário do mestre Assis Brasil.

Maravilha fazer parte desse grupo!

PUC - 18.06.2015

Flechas

Postado em 14/6/2015 at 06:09 PM

Ainda lembro quando a flecha do cupido

Atravessou meu distraído coração

A sua chegada provocou grande ruído

E sem demora acendeu uma paixão

 

Nesse tempo um sonho cor de rosa

Nascia junto com a luz de cada dia

E as gotas do orvalho da manhã

Em teus lábios escarlates eu bebia

 

Mas entre as brumas espessas da luxúria

O cupido de forma sorrateira

Disparou outra flecha que continha

O veneno do ciúme em sua ponteira

 

Foram dias de grande confusão

Nos lençóis de uma cama dividida

E toda ânsia de viver uma ilusão

Acabou cinicamente esquecida

 

Novamente o cupido então puxou

A corda fina e delicada do seu arco

E a flecha que acertou meu coração

Não fez alarde nem tampouco estardalhaço

 

Pois agora eu caminho em silêncio

Pelas ruas da cidade e além

Procurando escapar do forte abraço

Da terrível solidão que sou refém

Beto Schmidt cita Crônicas Douradas

Postado em 7/5/2015 at 09:23 AM

Baita satisfação ter o meu livro "Crônicas Douradas" citado no blog Grêmio Libertador.

Beto Schmidt, amigo de longa data, além de músico e publicitário talentoso, é um dos idealizadores da página.

Eis aqui o seu comentário:

"Sou um tremendo crítico da crônica esportiva, ainda mais a local, mas pra toda regra tem uma exceção.

Nesse caso uma excelente exceção.

Crônicas Douradas, um livro do Lúcio Humberto Saretta.
O livro reúne crônicas históricas de imortais do futebol, boxe e basquete.
Muitas histórias geniais escritas numa fluência invejável. Vale a pena, com esse frio, pegar o livro e um bom copo de trago e aproveitar as tantas histórias de uma época dourada do esporte.

Vale cada real investido, acho que se encontra nas livrarias com preço bem camarada.
Eu já tenho o meu, e, diga-se de passagem, autografado".

http://www.gremiolibertador.com/cronica-esportiva/

Valeu, Beto!

 

Estranho sucesso

Postado em 7/4/2015 at 10:37 AM

Ó, estranho sucesso! Onde andarás que nunca te vi

Em que esquinas da cidade tu te escondes

Com que roupa tu te vestes nesses bondes

Onde vaga a multidão que não sorri?

 

Como serão os traços do teu rosto

E os olhares que destinas para alguém

Que atende pelo nome de ninguém

E de glórias nunca conheceu o gosto?

 

Se por acaso, num instante de euforia

Desse mistério eu arrancar o véu

Serias tu uma boa companhia?

 

Peço apenas que na ânsia por teu mel

Eu não esqueça que quem me abraça todo dia

É o fracasso, esse amigo tão fiel

 

Toda vez que eu desligo a televisão

Postado em 23/2/2015 at 08:24 PM

Toda vez que eu desligo a televisão

Fico no meio de um mundo diferente

Um belo quadro que descansa na parede

Me traz de volta para a vida de repente

 

São tantas coisas, pequenas, fascinantes

Que meus sentidos não percebiam antes

Lá fora o canto magistral do rouxinol

Toma o lugar de gritos torpes, delirantes

 

 

Toda vez que eu desligo a televisão

As horas mortas de novo ganham vida

E até percebo bem no lado do abajur

Porta-retratos de pessoas tão queridas

 

 

O silêncio escondido atrás da estante

Como um amigo aparece no sofá

Dando sossego aos meus ouvidos num instante

Enquanto a chuva cai na rua devagar

 

 

Toda vez que eu desligo a televisão

Um universo ante meus olhos se ilumina

Surgindo aos poucos no lugar do brilho branco

Que desvanece no interior da tela fina

 

Fim de tarde em Curitiba

Postado em 26/1/2015 at 08:50 PM

Camus está rolando no caixão

Dando chutes de emoção e alegria

Dostoiévski, que só joga carteado

Nem se mexe dentro da sua tumba fria

 

 


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