Literato Silas Correa leite

29/11/2015 - O Feminista Romance Véspera de Lua de Rosangela Vieira Rocha

Breve Resenha Critica:

 

O Romance “Véspera de Lua “ de Rosangela Vieira Rocha Traz a Prosa da Alma Feminina em Bela Literatura de Sangria Desatada

 

“Continue a viver em brilho//Continue vivendo//Sua hora chegou para brilhar//Todos os seus sonhos estão a caminho//Veja como eles brilham//E se você precisar de um amigo//Eu estarei logo atrás//Como uma ponte sobre águas revoltas//Eu acalmarei sua mente//Como uma ponte sobre águas revoltas// - Bridge Over Troubled Water, Compositor Paul Simon.

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-Enquanto afoito persegui-me a ler sem querer parar, o belíssimo romance VÉSPERA DE LUA de Rosangela Vieira Rocha, veio-me a mente – perdão leitores - o suicídio de Sylvia Plath, e concomitantemente – ah a louca mente humana – a mãe de Elvis Presley, e para a qual ele cantava chorando,  “Bridge Over Troubled Water”, composição de Paul Simon, antes mesmo de ser o astro do rock  que ao morrer iria constar em Memphis intitulado então na Igreja Assembleia de Deus de Elvis Presley, na cidade onde nasceu. Tudo junto e misturado, não sei como e com que feitio, mas, perdoem, foi o li/senti/vivi/captei, juntando os cacos, na soma da leitura. Somas de entressumos e perguntamentos, ou quireras de entrelinhas da leitura embonitada e tocante, fluente?

Adoro cantoras de blues e jazz. Que cantam rasgos da alma e adotam cactos no espírito. Adoro as ins-piradas poetas russas, e, ultimamente, coincidência ou não, ando lendo escritoras mulheres (se mulher que lê vale ouro, imagine então as que escrevem?), eu, um bendito fruto, criado entre elas, fruto de uma matriarca mulher-bandeira, nesse mundo machista em que certamente desde a idade das cavernas elas foram dizimadas em seus sonhos e desejos, passando pela cruel idade média, pela hedionda inquisição nefasta de credos suspeitos e dogmas parasitas, acho que até muito mais sofreram do que negros e os índios, porque o garrão sobre elas nesse mundo insano é ainda maior, e a violência camufla seus prazeres e detona a esperança de liberdade nua e crua, dentro da própria da dignidade humana dentro do que deveria ser realmente o humanus da civilização tropeçando em babas de uma ignóbil violência e em cornos de total insensibilidade a respeito.

“A morte deve ser assim, sem palavras diz a narradora”. Mas, paradoxalmente é a vida que arrebenta os seus favos, gomos e núcleos de abandonos no que de lavra na sarada escrita que permeia a obra. Prosa poética cativante como se uma vazão de contracorrente espremida, vindo de um aparelhamento intimo aqui e ali desbaratado, desbaratinado, mas ainda e por isso mesmo sedutor. A véspera de uma lua-vida. Feminina-mente, o próprio “corpo da dor” não estrebuchada, mas lançada na narrativa como um corte-cerzir certo nas palavras escritas com a cor do pecado e o sabor de quero mais.

Cólicas menstruais e zonas de desconfortos. A narrativa feito uma indelével (por assim dizer) sangria desatada. Comungando-se, alma nau, flor fêmea. De veludo. Quiabo com beija-flores não dá um prato de se cuspir veredas. O Buscopan letral, e seus efeitos colaterais, bulas a parte. Ah a tábua de carne dessas mulheres loucas, libertárias, sexualmente potentes, prontas para o bom combate que a tudo seduz e corrompe e rotula: borboletas negras existem? Memórias-godê? Aliás, brinco de dizer falando sério (Charles Chaplin) que na TPM converso com minha esposa-musa de mulher para mulher.

O hormônio é divino ou diabólico? Ai de nós. Diria Sylvia Plath: “Dentro de mim mora um grito.// De noite, ele sai com suas garras, à caça// De algo pra amar”. Ou como diria Marina Tsvetaeva  “Não roubarás minha cor// Vermelha, de rio que estua.// Sou recusa: és caçador.// Persegues: eu sou a fuga.//” Para concluir afinal a lembrança do que diz  Bella Akhátovna Akhmadúlina: “A chuva açoita meu rosto, meus ombros//a tempestade ronca e vem aí//Cai sobre mim, a carne, a alma//como a tormenta sobre a nau se abate.//Não quero, não quero mesmo saber//o que me acontecerá depois - //se serei esmagada pela dor ou se jogada contra a felicidade”. Rosangela Vieira Rocha trabalha essa prosa-lâmina, essa prosa-dor, essa prosa-rio como se escavando na própria pele o sentir e o pensar sobre esse amor que deve dizer o nome, de sua própria cruz e veio. Do sangue viemos, ao sangue voltaremos. Lágrimas de percursos, e sins e nãos, e sais no contexto existencial. E lágrimas, sofrências, menstruações, partos e lonjuras, enjoos e cheganças.

“Despreza os meios-tons, precisa ir ao fundo(...) até encontrar o deserto(...)”. Bravo! Há poesia na escureza dos cedros que se empinam apontados para a clareza de todos os sentidos, na alma dos amantes, nos copos de leite cheios de implicâncias, cacos de espelhos, rasgos de véus, conjeturas e aceitações. A vaidade é uma boneca cobiçada. A sexualidade é pólvora procurando rastilho para se encontrar em fogo de amor puro enquanto dócil e frugal. Ah a solidão-albatroz, a solidão-palhaço, a solidão-Cibalena da mulher fêmea, lua e estrela, coração e mente atiçando propriedades de natureza intima, almas de crochê. A salvação dessas amantes é a destruição do preconceito. Sair do quadrado, da casinha, no caso da personagem, sair, por assim dizer, de uma espécie de coifa. Escrita-mulher, o gozo apalavrado no letral bem lustral, o corpo livro, e alma aberta acima e sobre todas as coisas se dizendo única, talentosa, livre, feito pássara-flor.

A Penalux caprichou na edição, até porque por isso mesmo também a premiada escritora e professora universitária (e jornalista e advogada) caprichou no enfoque, na narrativa, na expiação de suas perguntas, nos prismas, conflitos e angus de caroço, quando com esmero se deu como corpo-vida ao seu talento literocultural feminino nesse corpo livro que sai do lugar comum, e se assoma gostoso e cativante como um roteiro de filme, uma balada, uma esperança urdida de ser feliz em todas as formas de amor.

-0- Silas Corrêa Leite - E-mail: poesilas@terra.com.br - www.artistasdeitarare.blogspot.com

 

 

 

 

 

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19/7/2013 - Novo Livro de Contos Loucos de Silas Correa Leite: TROIOS PERIGRITANTES

 ‘Troios Perigritantes’ Livro de Microcontos de Silas Correa Leite
 
 ‘Troio’ é um neologismo para a mistureba de joio e trigo, numa catança marota de twittercontos, loas mínimas e nanoprosa do autor que vão de pensadilhos jocosos (Pensamentos trocadilhos) a pensagens irônicas (pensamentos mensagens), passando por doses de incompletudes urbanas/humanas em drops cênicos. Microcontos, (rastilhos/meteoritos), barbaridades e extravagâncias, feito derrama em sachê de mixórdia para rir, ficar de butuca sacando o quase, achar ruim pela desnatureza do vagido que é regurgitado, desde a desvairada Paulicéia S/A. Prosa de desvairados inutensílios agora em quinquilharias letrais. Nesse pocketbook, stories que clarificam em atos mínimos o inominável e o indizível.
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Quando escrevo permaneço em um nível de
concentração que me permite criar vozes e frases
estranhas a mim. John Banville, Luz Antiga
 
Fixar o alvaiade no rosto com máscara. Dalton Trevisan em drops? Quem tem Orkut tem medo. Sampa... nem ‘dulcora e nem eldorado’. Os coxinhas hedonistas retratados. Nelson Rodrigues pósmoderno em tempo de infovias efêmeras como cincerros? Cenas de sangue cênico como Plinio Marcos meio Bukowski tramando subterrâneos. Pinceladas rápidas em Glauber de/compondo cenas de instante-trevas. O certo e o errado, o ‘flagramenthus’ a arrebentação. Trigo e joio, num neologismo: TROIO.
A palavra iluminando o silencial. Quinquilharias de mini'stories', contos mínimos, parágrafos saindo pela tangente, pelo ladrão. A culatra da ironia, o desdizer, do, curto e grosso “mãos ao ato” em si. Naniquidades perversas em narrativas rápidas e rasteiras. O que alguém tem a dizer, quando escreve contos nanicos como fotografias em 3X4 de um lambe–lambe fake mambembe em sépia, a palo seco? O conto-quase no haraquiri das palavras. Contos rastilhos que, quando saem, alvoroçam clarificações indizíveis, feito desvairados inutensílios em narrativas contundentes.
O que ninguém quer sacar, tem medo de, escoa o meio, a sociedade, o medo-rabo de um ‘mondo cane’ em bravatas, panurgismos e polvorosas, como se a fazer ‘petalamentos’ de promessas 'perigritantes', feito ‘ilumideias’ em almanaque de micronarrativas telúrico-lustrais. Conversa afiada pra boy dormir, sacadas-coivaras em quinquilharias narrativas como naniquidades perversas.  
No final, todos tiramos o boné cabritado para tantas esquisitices? Viver é plágio, sobreviver é platônico e escrever é ‘daltontrevisanar’ o rancor, o escárnio, o vitupério, a vicissitude, o sígnico, desde o campo de lavanda com corvos, passando por uma espécie de brincar de esconde-esconde com o trágico, o cômico, o próprio abismo das alienações purgadoras. A faca é cega mas ainda acorda.
Tudo é possível ao que cria. De perto ninguém é normal, cantou Caetano Veloso. O importante é que a erosão social dê o que falar? Quando o perto fica mais perto, nesse momento expande o universo, disse Helena Katz (Colônia Penal). Deve ser isso o troio perigritante, em tons de cinza. TROIOS PERIGRITANTES como cerebrança de arreios, nódoas e inquietações. Como tudo é impossível de mudar, delatar é preciso, assim mesmo, na lata. Estamos todos ilhados no pântano da condição humana com seus cincerros, e todos sangram e buscam desesperadamente alguma coisa que não sabem o que é. Quem cria, regurgita? Talvez o mundo já tenha acabado, e apenas os artistas, poetas, loucos e fabricantes de bonecas é que não foram avisados.
É isso, cara-pálida: Somos Todos ‘Troios’. A minha parte quero em cerveja, controle remoto e uma máquina mágica de escrever pensaVENTOS. O romance vence por pontos, o conto vence por nocaute, disse Octávio Paz. E os curtos “surtos circuitos” de TROIOS? E o microconto, o twittercontinho; dedo de prosa no dedal das anomalias? Ah um meteorito minimalista ainda faz estragos. Há o pé no sacro, o repente-lucidez, a ficção-angústia, uma quimera narrativa do autor destrambelhado que põe pingos em is, dábios e reticências. O prisma saindo pelo buraco da fechadura/ferradura.
Repentes cínicos, contos miniaturas, nanicos, do fantástico ao político, do poético ao memorial, do elaborado no jorro neural em refluxo recorrente, ao contundente do diálogo curto e grosso, do paradoxal ao escabroso, das falas rápidas pincelando situações irônicas ou até mesmo politicamente incorretas que sejam, sapecando fogo na canjica, tipo batatinhas viajando na maionese; no shoio paraexistencial, até no cervegetariano zenboêmico do autor feito um neobeatnik contemporâneo a botar a boca no trombone, em suas disparidades ímpares... TROIOS são, Troios hão, Troios vão, troios cão, troios chão, então: Perigritantes nanicas contações bem ao estilo da revista MAD: você não vai acreditar no que vai sentir quando acabar lendo.
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O livro de microcontos e twittercontos do Cyber Poeta Confeccional Silas Correa Leite, também novo ebook do autor, está à venda impresso e no formato digital no site:
ou no link:
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Antonio T. Gonçalves
Jornalista, Mestrando em Educação Contemporânea
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19/7/2013 - DESVAIRADOS INUTENSILIOS, Poemas, Editora Multifoco, Rj, Poemas de Silas Correa Leite

 
Pequena Resenha Crítica
 
Livro “DESVAIRADOS INUTENSILIOS” do Cyber Poeta Silas Correa Leite
Todas essas criaturas a que chamas animadas,
como aquelas a que negas a vida, sem razão
melhor do que a de não as veres em ação – todas
essas criaturas têm, em grau maior ou menor,
capacidade para o prazer a dor; mas a soma geral
de suas sensações, é, precisamente, aquele total
de felicidade que pertence de direito ao ser divino,
quando concentrado em si mesmo. Edgar Allan Poe
 
“DESVAIRADOS INUTENSILIOS”, Editora Multifoco, Rio de Janeiro, é o novo livro de poemas de Silas Correa Leite, o Cyber Poeta tachado pelo site Capitu de “O Neomaldito da Web” (o autor está em mais de 800 links da net), que no programa “Provocações”, do Antonio Abujamra, da TV Cultura de São Paulo, exprimindo sua latente poética da tristeza, disse que “corta os pulsos com poemas”; também disse que se sente um “E.T.” entre nosotros, e que, “como a vida não lhe deu limões, fez limonadas de lágrimas”. Pois os poemas da safra desta nova obra, ““Desvairados Inutensílios””, tem todas essas lágrimas em contracorrentes, têm esses ácidos multiformes, essas sutilezas esplendentes, mais catarses, onirismos, surtos-circuitos, correntezas hilárias, delírios, irrazões, errações e ousadas experimentações, próprio do estilo do autor.
Humor ora discreto, ora rompante, quando não plangente, ou mesmo curto e grosso. Humor e brevidade, bem próprio desses nossos tempos de correria (e tantas infovias efêmeras) e amarguras. Galhofa, ironia, na linha de Oswald de Andrade (poeta da semana da arte moderna), com invencionices, desvarios, inutensílios, e, claro, dissonâncias de acordes breves. Tudo a ver. 
Minimalista? Neoconcreto aqui e ali. Há ainda o dizer no desdizer, ficando a vertente no implícito, o pulso no tácito, o dizer (fazer poético) obliquo, a palo seco. Haiquases, sim. Acordes dissonantes na linha do seu feitio, tipo “Silas e suas siladas”. Conflitos com filtros (olhos obtusos), briancanças verseiras, twitter-poemas até. O nada-que-é-tudo serpenteando versos ridentes, risadores. O clic e salta o verbo: insights, iras certeiras. Já pensou? Inventando o inexistente, o olho mágico é do poeta ou de sua cetra parideira de poemetos, feito uma metralhadora dialética? O Poeta Silas não oscila seu deleite derramado.
Tem seu espiral de haikais e tankas diferenciados. Alinhava suas tessituras – no “tear do silencial de ‘mins’ e h2outros” como muito bem diz ele – feito até, por que não, um antipoema que ainda é, assim e por isso mesmo, também, poesia pura. Ou, vá lá, impura como jojobas ácidas. Guloseimas ocres. Fios (fiações) literais vários, meio neozen, meio Pessoa, Drummond, Bandeira, Maiakovski, Bertold Brecht, Frederico Garcia Lorca, José Saramago, Manoel de Barros, Mário Quintana, Robert Bob Dylan Zimermam. Será o impossível? Ai de ti Babilônia Bandeirantes. Ou a Neverland Santa Itararé das Artes, Cidade Poema, a terra-mãe do autor, que a canta em verso e prosa e baladas and blues. Poesias com in/fluências várias, meteoritos-maroteiros. Bulbos letrais.
Marotices literárias. Ler, rir, curtir. Sentir. Bijuterias com alguma angústia-vívere, mais a solidão-albatroz, um certo medo-coisa, disparates, instante-trevas (luz). Bulbos-surtos-circutos portanto. Lacre e limo. Lume e húmus. Humor e técnica de aproximação com a lucidez-loucura. Chorumes e a tal da bendita (maldita) antilira. Niilismo. Pode uma coisa dessa? “Desvairados Inutensílios” é isso: pós-Porta-Lapsos (o último livro de poemas do autor), sendo um boêmico tabuleiro de mixórdias letrais mesmo, avessos de reversos, experimentações cítricas, quando não pan poesia.
Pensadilhos? Pensamentos trocadilhos, diz ele. Pensagens? Pensamentos mensagens, diz ele, com seus tantos neologismos do arco da velha. Melhor morrer de overdose de poesia do que de normalidades hipócritas? Antes sóbrio do que mal acompanhado, trocadilha o autor, muito bom nisso, textificando ócios do oficio de tentar ser um Ser. Não é fácil. Escrever poesia é extra/vazar o lume neutro de fugas, ilhas movediças, facas cegas em palavreiros. Poemas letras de rock. Poemas histórias em quadrinhos. Mas poemas bem contemporâneos.
A faca é cega mas ainda corta, diz a balada.
Os entrecortes epigramáticos – a faca nos dentes - nos entremeios (e entreveros) poéticos tem tudo a ver com o que cria o Cyber Poeta Silas Correa Leite, já elogiado por Moacyr Scliar, Álvaro Alves de Faria (que já o entrevistou duas vezes na Rádio Jovem Pan), Ignácio de Loyola Brandão, João Silvério Trevisan, Rodrigo de Souza Leão, Sergio Vaz, Antonio Miranda, Plínio Marcos, Marcelino Freire, Elio Gaspari, Pedro Maciel, Miltom Hatoum, Araken Galvão, Antonio Cabrita (Moçambique, África), e outros.
Ítalo Calvino disse “O homem contemporâneo é dividido, mutilado, incompleto, hostil a si mesmo: Marx o chama de alienado, Freud de reprimido; um estado de harmonia antigo foi perdido, aspiramos a uma nova totalidade” A poesia do Cyber Poeta Silas Correa Leite muito bem – e ainda filósofo-irônico - exprime (e agoniza?) isso. Tempos tenebrosos. Ser Humano é uma desnatureza que deu errado?
Poesilhas: pois é: lendo o poeta você vê (sente) uma espécie assim de ‘ilha de edição’ – prisioneiro de sua própria existencialização? - que é o seu contundente fazer poético de louco desvarrido; com seus poemas atirados como se em garrafas vazias pedindo socorro, resgate, rumo, âncora, casa, paz, lar. Feito um Homero sonhando uma Itararezinha que talvez só existe mesmo em sua cabeça, em sua imaginação.
Habemus o cyber poeta a ferro e fogo, cerveja e enxofre, mas, ainda assim e por isso mesmo, seu mosaico lustral no livro de poemas “DESVAIRADOS INUTENSILIOS”. Salve-se quem puder. Periga LER
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Crítico Antonio T. Gonçalves, São Paulo, 2012
Jornalista e Professor Universitário
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19/7/2013 - Os Ebooks do Cyber Poeta Silas Correa Leite

 
Os Ebooks do Cyber Poeta e Ficcionista Premiado Silas Correa Leite

-Escrevendo desde os oito anos de idade, publicando desde os 16 anos em jornais de sua terra, Itararé-SP, quando descobriu a internet, Silas Correa Leite, que escrevia todo santo dia (hoje tem mais de mil cadernos de rascunhos poéticos de duzentas páginas que foram reportagem no Metrópolis, TV Cultura de SP), sacou o ambiente virtual e como reproduzir, corrigir, imprimir, compartilhar, editar, ilustrar e divulgar seu diferenciado mundo líterocultural. Oficialmente lançou Ruínas e Iluminuras (Prêmio Eduardo Coelho, Elos Clube, Comunidade Lusíada Internacional), sua estreia, depois Trilhas & Iluminuras (Editora Grafite/RS) em seguida Porta-Lapsos, Editora All-Print/SP, quase uma antologia de poemas premiados, publicados em sites, revistas e mesmo em antologias literárias de renome, até do exterior. Depois veio Campo de Trigo Com Corvos, contos premiados, Editora Design/SC, classificado para a final do Prêmio Telecom, Portugal, em seguida O Homem Que Virou Cerveja, Crônicas Hilárias de Um Poeta Boêmio, Editora Primus/SP, Prêmio Valdeck Almeida de Jesus, Salvador/Bahia, e agora está lançando DESVAIRADOS INUTENSILIOS, poemas, pela Editora Multifoco RJ.  
Depois começaram os e-books, dos quais ele virou referência, segundo o Portal Imprensa. Primeiro o livro virtual de sucesso, primeiro e-book interativo da rede mundial de computadores, pioneiro e único no gênero, O RINOCERONTE DE CLARICE, onze contos fantásticos, cada ficção com três finais, um final feliz, um final de tragédia e um terceiro final politicamente incorreto. Por ser de vanguarda, teve um recorde de download na Editora HotBook, RJ. Foi destaque na grande mídia (Estadão, Diário Popular, Revista Época, Revista  da Web, Minha Revista, etc.), inclusive televisiva (TV Cultura, Programas Metrópolis e Provocações; Rede Band, Momento Cultural/Márcia Peltier, Rede 21, Programa Na Berlinda, etc.), e obra recomendada como leitura obrigatória da matéria Linguagem Virtual, no Mestrado de Ciência da Linguagem, na UNIC-Sul, de Santa Catarina. Foi tese de mestrado pela Universidade de Brasília e tese de doutorado pela UFAL. A tese está disponível no link: HTTP://biblioteca.universia.net/ (Pesquisar Silas Correa Leite ou “O Livro Depois do livro : a experiência hipertextual em Giselle Beiguelman). Essa obra está disponível como free nos seguintes endereços da internet: 

01)-www.itarare.com.br/rino.htm
02)-http://ebookbrowse.com/livro-o-rinoceronte-de-clarice-pdf-d165920376.
03)-www.fernandojorge.com/Silas-correa-leite/4524102313
04)-www.wordoffiles.net.

-Premiado em concursos literários de renome, até internacionais, como Prêmio Lygia Fagundes Telles Para Professor Escritor (Secretaria de Educação de SP), Prêmio Paulo Leminski de Contos (Unioeste, PR), Prêmio Ignácio Loyola Bandão de Contos, Premio Biblioteca Mário de Andrade (SP/Gestão Secretária de Cultura Marilena Chauí), Prêmio Literal de Contos (Fundação Petrobrás/Curadora Heloisa Buarque de Hollanda), Vencedor do Primeiro Salão Nacional de Causos de Pescadores (USP-Jornal O Estado de São Paulo/Parceiros do Tietê), Prêmio Instituto Piaget e Ficções Simetria (Microcontos, ambos em Portugal), entre outros. Depois do sucesso de O Rinoceronte de Clarice ainda vieram os e-books ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS, romance místico, hoje disponível no link WWW.fernandojorge.com/silas-correa-leite 
O polêmico poema social OS PICARETAS DO BRASIL REAL, da Série Cantigas de Escárnio e Maldizer, Editora Thesaurus, Brasília, DF, disponível no site:  
WWW.thesaurus.com.br/download.php?codigoArquivo=43

Em seguida, o livro GUTE-GUTE, Barriga Experimental de Repertório, aprovado pela Editora Chiado, Portugal, e disponível como e-book de literatura infanto-juvenil disponível no site
WWW.camaleo.com/books/0016106757767c03d1375
Depois veio BULBOS POETICOS, Poemas, e-book disponível no site
WWW.bookess.com/read/15796-bulbos-transversos-poemas-e-desconcertezas/

E mais recentemente o livro virtual de poemas ESTADOS DA ALMA, Acordes Dissonantes de Mins, pelo site de Portugal
WWW.carmovasconcelos-fenix.org/Escritor/silas-correa-leite-02.htm

Silas Correa Leite, Professor, Especialista e Teórico da Educação, Jornalista Comunitário, Conselheiro diplomado em Direitos Humanos, livre pensador humanista, tem o romance Cavalos Selvagens aprovado por uma editora de SP, em vias de lançar o seu novo livro de poemas e chips poéticos, chamado Desvairados Inutensílios, Editora Multifoco, RJ, planejando lançar ainda outros e-books, de romances infanto-juvenis a livro sobre educação, de livro de crônicas de sucesso na internet a artigos polêmicos, de livros de poemas para a juventude a um livro de haicais e um de microcontos, entre outros. Procurando o nome do autor no Google, o leitor vai achá-lo em mais de oitocentos sites, em todas as redes sociais, com milhares de seguidores, quer pelo Orkut, quer pelo Facebook com seus trabalhos de humor e ironia, como Silas e suas siladas, a pensadilhos (pensamentos trocadilhos), ou pensagens (pensamentos mensagens) e mesmo letras de rock e blues, e ainda ensaios e artigos sobre autores clássicos, criticas literárias e outros assuntos, escrevendo muito e sempre, daí porque foi tachado pelo site Capitu de O Rei da Web, sempre seguindo a máxima de Leon Tolstói quando disse “Canta A Tua Aldeia e Serás Eterno”. O Literato premiado e Cyber Poeta  feito um Homero querendo voltar para casa, cantando sua Santa Itararé das Artes que adora tanto.  Recentemente, sobre seu novo livro, DESVAIRADOS INUTENSILIOS, Editora Multifoco, Rio de Janeiro, Série Literatura Brasileira Contemporânea, Poesia Emergente, foi entrevistado pela FM-VUNESP de SP e no Programa Sábado 88, FM-Educadora-FAFIT, Itararé-SP.
Por fim, o autor criou o livro TROIOS PERIGRITANTES, microcontos, quinquilharias perversas em nanonarrativas, twittercontos, ficções mínimas, que está à venda como ebook ou mesmo livro impresso no site: http://www.clubedeautores.com.br/book/148073--TROIOS_PERIGRITANTES

Blog do UOL premiado do autor:
WWW.portas-lapsos.zip.net
E-mail para contatos: poesilas@terra.com.br
-Livros a venda no site: WWW.livrariacultura.com.br

CultNewsArt Literatura Releases Criticas - (Divulgação) La-goeldi@bol.com.br
 
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14/3/2013 - JOANA MARCELA, ETERNA MISS ITARARÉ, Poema de Silas Correa Leite

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21/9/2011 - Pequena Fortuna Crítica de Silas Correa Leite, Literato Contemporâneo

 
Pequena Fortuna Crítica – Silas Correa Leite
 
 
1.Álvaro Alves de Faria, Jovem Pan, após Entrevistar o Escritor Silas Correa Leite
 
“Silas Corrêa Leite é um poeta criativo. A sua narrativa é de uma linguagem de hoje. Sua construção poética começa pelo título do livro ‘Porta-Lapsos’ (Poemas). Um poeta que sabe desse oficio de escrever poemas com uma linguagem poética cativante”
 
Jornalista e Poeta Álvaro Alves de Faria, Rádio Jovem Pan de São Paulo, Fragmento
 
 
 
2. Ana Carolina Xavier, Fragmento de Resenha Crítica, CMI Noticias,
 
“Quem lê Silas Corrêa Leite jamais esquece. Adora sua loucura-lucidez, seu talento e estilo todo próprio de dizer na lata o que lhe cabe como metáfora”
 
Ana Carolina Xavier, Jornalista, CMI Noticias, São Paulo
 
 
 
3.Sobre CAMPO DE TRIGO COM CORVOS, Contos, ALGUNS SÍMBOLOS DA PERPLEXIDADE
 
O título, sumamente concreto e substantivo, impele ostensivamente para zonas sensoriais e pictóricas. No entanto, “Campo de Trigo com Corvos” não é mera reprodução do quadro de Van Gogh onde o trigo, amarelo, eivado das chamas loucas do pintor, escorraça de seu seio o bando negro dos corvos. No livro, muito para além dos afugentados, corvos há que permanecem pairantes ou, mais ainda, baixando ao rés do solo jogam-se contra as pessoas provocando a clivagem. E esta fórmula aproxima os textos de uma realidade mais humana(...). Mas, na arte de contar estórias, e é um pouco do que se trata aqui, o texto recorre globalmente a técnicas específicas da pintura. Designadamente, dos seguintes modos: Os fatos sucedem-se em tom linear, contíguos ou adjacentes, em direção a um desfecho, previsível ou não, podendo-nos apropriar neste caso da imagem do rio que decorre e atravessa a paisagem rumo à foz. A disposição da narrativa procede à colocação ou disposição de cenas paralelas, quadros que se encostam na vertical, ou na horizontal, às vezes na diagonal. Lembrando um pouco os vitrais medievais que ainda hoje se encontram nas catedrais. Postado na posição do personagem, o narrador reavém e sintetiza em frases-cristais largas faixas de vida transcorrida. São parágrafos breves, como riscos impressionistas e apressados, que intentam ou ensaiam remover um vulto de episódios para um mínimo centro, na vã tentativa de os aprisionar.(...). Por outro lado, mais do que abordagens textuais que imitam técnicas fílmicas ou de vídeo, nota-se um apropriar de materiais atinentes ao teatro. Desde logo, na encenação criteriosa e fiel de palcos que suportam os personagens, a reconstrução de sítios, locais, ambientes ou atmosferas.(...) Alguns títulos, algumas frases, preparam para ocorrências posteriores do conto. É uma espécie de levantar do véu, destapar de roupas femininas, jogo de sedução e permeio. Que muitas vezes pode desaguar num dos recursos anteriores, anulando ou aparelhando os efeitos: o imprevisto. Mas, o mais robusto de todos os recursos é o golpe-de-teatro. Repare-se que a própria palavra de que vimos falando integra a nova palavra, esta, aliada a golpe. Quando tudo se encaminhava no rumo certo, quando a rotina ou a monotonia se estavam solidificando, eis que de supetão tudo se desmorona, tudo se transtorna, ficamos submersos nas estrias que estouraram sobre nossas cabeças, fica tudo de pernas ao ar, a mesa, a casa, o livro, o corpo, a mente. Apesar de usado e abusado, o conto produz-se hoje em doses avulsas. A despeito de sua condenação, final da história e seus componentes-trave: narração, tempo e espaço, decretados pelo noveau-roman(...). Não basta hoje dispor magnanimamente da arte de contar. Não basta, como a Silas Corrêa Leite, ser um domador de estórias. É condição, ainda e nomeadamente, inventar histórias, seu entrechocar, prover à invenção de uma “história nova(..) Existe a história que é canto, beco e síntese(...). Existe a história que se traduz inteira e integral (...). Existe a que se senta na paragem, recusa avançar de momento e aguarda o porvir(...). Existe a história que se metamorfoseia em lenda, veste-se mágica, irreal (...). Existe a história contida, espelho de deserto dos tártaros, com tempestade iminente mas que não desaba em “Campo de Trigo com Corvos”. Mas todo livro é ou pretende ser uma obra literária. E é só isso que importa. Obtê-lo, consegui-lo, é todo o mérito e o valor acrescentado possível. Também aqui se obteve largamente esse desiderato. Observemos alguns dos meios. Ou fins. Deitando mão de uma linguagem que, afora o popular, o linguajar, a gíria, agarra os elementos específicos de dialetos, sintaxe indígena, eivando a escrita de vocábulos originados do tupi. Exercitando uma experiência genialmente rasgada noutros países de língua de expressão portuguesa por Mia Couto e Luandino. Dando o braço à metáfora, à imagem em novos moldes, revitalizando os textos. E desse modo obtendo o viço, a chispa, o engaste de muitas frases. Alongando a metáfora, expandindo-a, cingindo-a a personagens inteiros ou à globalidade do conto. Metáfora que se transforma em alegoria (...) E neste particular merece realce a intensa e não pretensa construção de novos vocábulos. Fruto de tentativas ou abordagens díspares. Usando a colagem, a composição, errônea em aparência mas sempre imprevista, como no caso de “esposa-vítima”, “vento-coisa”, “nuvem-lesma”, “instante-trevas” ou “lebre-dor”. Recorrendo à síncope, como se verifica em “marra” e “garra”. Provocando a junção, de que poderemos enunciar “enfebre”, “nágua” e “cinzazul”. Adstringindo a preposição, prefixada, em “de-vereda”, “de-assim” e “de-primeiro”. Neste campo, de trigo literário, em que muitas letras são corvos, entendo que o mais subtil e profundo recurso resulta do germinar de vocábulos novos, que estimulam os acordes da sintaxe, da fonologia e da morfologia. Realizando cambiâncias, muito pouco vistas e nada pouco inesperadas. Ousando obter o substantivo a partir do verbo, do adjetivo, ou mesmo do próprio substantivo. Obtendo ligas que só ao alquimista são permitidas (...). Do inúmero número de vocábulos em que se verifica um processo de alteração da categoria sintática, ou manutenção sintática por força de novo vocábulo, quer por ação da base quer do derivado, topamos estas nominalizações deverbais: “acontecência”, “havência”, “pertencimento”, “andação” ou “conhecença” (...) Recuando: perante o impasse da estória, notória se torna a premência da exploração de técnicas e moldes e dados inovadores. Porque não basta à ficção reproduzir a realidade ou ser espelho do real. Isso já se fez ou é horta de outras artes. Da perícia autoral depende a superação do real. Mais: a sua subversão(...) E já que entramos na corrente, deveremos referir a mais ousada ousadia presente neste livro. Algo que apelidaríamos de transrealismo. Obter do texto a superação do real, a sua mistificação, submeter e soterrar normas, o erigir de um outro real. Falávamos de artes plásticas. De artes cênicas. De linguística. E, sobretudo, de arte literária. E corrente. Literária, claro, mas não só. Tudo muito apreciado. Mas então, e a vida? Porque é o sangue dela que muitos pretendem, ou preferem ver escorrer das letras dos livros. Diria: Existe, como metáfora da terra, e dela, a vida, um extenso campo de trigo. E pequenos pontos negros no meio do trigo, os corvos. Este é o palco, é aqui que tudo decorre. Com o sol por testemunha ou sob o céu noturno. Os pequenos pontos negros por vezes exaltam-se. Rebelam-se. Ficam loucos. Pode dar na destruição de todo o enorme campo. De trigo. E é assim que a vida se eleva (mesmo quando derrubada). Porque ela é em simultâneo
Luz e escuro
Branco e negro
Gozo e dor
Água e fogo
Campo de Trigo e Corvos.
 
Antero Barbosa – Literato de Porto, Portugal (Poema, Ficção, Ensaio). Licenciado em Estudos Portugueses, Diretor de Escola de Ensino Superior. Crítico Literário, autor dos livros “Contextos” (Contos) e “Ramos e de Repente (Poemas). Prêmio de Poesia Brétema, 1990, e Prêmio Trindade Coelho, 2005.
 
 
 
4. Porta-Lapsos – A Poesia de um Neomaldito do Reino da Net, Resenha, Fragmento
 
Quem conhece a capacidade produtiva do Poeta e Ficcionista premiado (e tachado de o “Rei da Web”) Silas Corrêa Leite, fica só cismando quando sabe que o escritor de raríssimo talento vai lançar um livro de poemas, que o trabalho literário é denominado “Porta-Lapsos” e que, começa sim, com esse nomaço que, de cara é mesmo um achado e tanto de título, muito bem (novamente) sacado pelo famoso e pop (e cult?) neomaldito da Internet. (...) Mas isso não é nada, perto do que ele pode e faz e cria, apronta estupendamente, com uma lucidez e vivacidade fora do comum. Escreve poemas, contos, microcontos, artigos, críticas, ensaios, letras de rocks e blues, e tudo isso depois de trabalhar 12 horas por dia, em dois trampos, e ainda ter que dormir e tomar umas & outras que ele é um cervejólogo de marca maior. Não é possível? Taí o osso da minhoca: ele ainda estuda, lê pra caramba, ama os parentes, é adorado pelos amigos, tem até um leque de bem eleitos cobaias leitores virtuais e um elenco fixo de babões da trupe “Leia Silas”.(...) O melhor elogio que ele sempre recebe e muito é:   Silas, você não existe! Virou uma lenda. Maldito, modo de dizer. Elogioso. Eclético, polivalente, multimídia e vai por aí o mito. E ainda bom de trocadilhos, de causos, de humor. Faz orelhas de livros, prefácios de livros (...) Você pesquisa o nome dele no Cadê ou Google e vê como funciona a ferramenta virtual buscadora. Como é que pode? Ele diz que gosta mais de escrever do que de existir. Surto? Corre lendas sobre ele pelo mundão da Internet. Curiosidades, invencionices, mentiras, pajelanças. E sua Estância Boêmia de Itararé chega a ser tão popular como Compostela, Dublin, Jerusalém, Israel. Fanatismo puro. Tudo está lá, tudo é lá, o céu pode esperar. Alguns pregam (mentem): O Silas Corrêa Leite não existe. São vários escrevendo por ele... Porta Lapsos é um mosaico de seus vários poemas (e estilos) em recolhes de quase 35 anos, contendo haicais lindos, mantras maviosos, versos brancos em preto e pranto. Muitos deles publicados em antologias do Brasil e do exterior. Quer mais? “Ser poeta é a minha maneira/De chorar escondido/Nessa existência estrangeira/Que me tenho havido”. Esse poemeto é a assinatura-telúrica dele. O que esse E.T. está fazendo aqui? Porta-Lapsos tem a coragem de ser bonito-simples, de ser corajoso-contemplativo, de ser uma antologia de si mesmo. E o danado ainda conta palha de auto-exilado em Sampa: “O relacionamento meu com Itararé é sempre lírico-meditativo, e quero a minha estância boemia impressa na consciência do mundo, para alegrar a rudeza pegajenta do mundo”. Esse é o Poeta Silas Corrêa Leite, um crítico social, um jornalista comunitário, um teórico da educação, um ousado que sabe que “palavras inocentes são insensatas”(Bertold Brecht). Por isso é perigoso para o sistema dos podres poderes. Nessa desvairada marginália de Sampa ele pinta e borda, ruge e apanha, critica e chuta o pau da barraca, é processado e blefa, faz das tripas coração, com seus cantares de amor & de escárnio, sendo uma espécie de Homero querendo sempre voltar para casa, tirando poemas do lodo inesgotável da condição humana. Jean-Paul Sartre se reafirma em Silas Corrêa Leite: “Escrever é uma atividade essencialmente ligada à condição humana(...): é o uso da linguagem para fixar a vida” Vejo-o na trajetória de uma espécie tropical de Christian Andersen, só que escrevendo sobre o pântano dos adultos, com sua ficção-angústia, sua angústia-vívere, seu desmanche íntimo, feito um peregrino com suas sandálias de humildade. Quando você o lê com máxima atenção, tudo dele, tudo o que ele escreve, tudo o que ele verte, você passa a respeitar o cara e, pior, ter medo que ele pare de se pôr pra fora, de escrever a alma humana confundida nesses tempos tenebrosos que ele desafia, enojado, feito um arauto da dor de resistir. É isso aí: Porta-Lapsos. A cara e a coragem de ser bonitamente apenas isto nesse livro: poeta ele mesmo pela própria natureza. Ai de nós! 
 
Fragmento de Resenha Crítica de Porta-Lapsos, Poemas, Editora All-Print, SP, Antonio T. Gonçalves, Jornalista e Professor Universitário
 
 
 
5.Diário Popular, em Reportagem e Entrevista com Silas Correa Leite, sobre o seu e-book de sucesso, O Rinoceronte de Clarice
 
“Os internautas ganham a possibilidade de escolher um final de 11 contos que integram o livro de ficções Virtual, O Rinoceronte de Clarice”
 
Diário Popular (São Paulo,) Caderno Informática, fragmento
 
 
 
6. Folha de São Paulo sobre o Escritor Silas Correa Leite
 
“Escritores do Brasil, liderados pelo Poeta Silas Corrêa Leite, manifestam-se contra o fim do jornal literário Nicolau, do Estado do Paraná”
 
Folha de São Paulo, Caderno Folha Ilustrada, fragmento de reportagem
 
 
 
7. Sobre o CAMPO DE TRIGO COM CORVOS, Contos, Editora Design, Silas Correa Leite, Jediel Gonçalves-Freydier, da França
 
Caro Silas Correa Leite: Terminei seu livro hoje pela manhã. Nunca demorei tanto para ler um livro. Li com todo o cuidado e olhar intrigado que seu texto pediu de mim. Resultado final: sua escrita toca alguns pontos nevrálgicos... tem um quê de "jequismo sábio"... Alguns personagens (desde os vagabundos e bêbados) que soltam frases que me chamam para prestar atencão em cada pontilhado delas, nas suas frases serpenteiam o que chamo de simplicidade iluminadora. Tem um quê de simples, porém de uma organicidade complexa, relutante contra a literatura fácil. É realmente uma escrita muito bem cuidada, pautada no apego a uma língua estranha, uma língua talvez paternal; de uma língua média que se coloca entre o sábio interiorano e o leitor, uma língua cheia de estranhezas e de formas inteligentes... uma língua bárbara! Vou reler novamente porque sei que tem algo que me escapou nessa primeira leitura. Sinto que tem algo que vem por debaixo dessa sintaxe incrível e que me deixou inquieto. Deixo aqui meu abraço.
 
Jediel Gonçalves-Freydier é brasileiro,s trabalha na Université de Provence Aix-Marseille. Mora em Marselha, França, é “écrivain, professeur de littérature, critique littéraire et traducteur”. Estudou “Littératures Françaises” na instituição de ensino Université de Provence Aix-Marseille
 
 
 
8.Jornal da Tarde, Noticia Sobre o e-book de sucesso, O Rinoceronte de Clarice, Primeiro Livro Interativo da Rede Mundial de Computadores
 
“O e-book ‘O Rinoceronte de Clarice” de Silas Corrêa Leite, oferece ao leitor a possibilidade de escolher o melhor final dos contos que mais lhe agradem”  (Fragmento)
 
 Jornal da Tarde (São Paulo), Caderno Variedades
 
 
 
9. Resenha Mídia Independente, São Paulo
 
“Campo de Trigo Com Corvos’ é um livro de contos no belíssimo palco boêmio de Itararé. Linguagem típica com surrealismo e mesmo o realismo fantástico do autor. Técnicas, vôos, criações, enlevos, símbolos de perplexidade”
 
Lúcia Camargo Antunes, Mídia Independente, Jornalista, fragmento
 
 
 
10. MOACYR SCLIAR SOBRE O Livro Campo de Trigo Com Corvos, Contos Premiados, Editora Design, Santa Catarina, finalista do Prêmio Telecom Portugal

“O que chama a atenção no texto de Silas Correa Leite é o prazer que o autor sente em narrar, prazer este que se transmite ao leitor como um forte apelo - o apelo que se espera da verdadeira literatura. Estamos diante de uma inegável vocação de escritor”.
 
Moacyr Scliar, em e-mail direto ao escritor Silas Correa Leite
 
 
 
11. Os Poemas de Silas Correa Leite, pela Mestra Maria Apparecida S. Coquemala
 
“...as talentosas criações do Silas, poeta e contista maior,
que elevou Itararé à condição de Aldeia Sagrada.”
 
Maria Apparecida S. Coquemala, Antologia de Prosa de
Itararé, Assim Escrevem os Itarareenses
 
O Poeta Silas Correa Leite se Apresenta: “Ser poeta é a minha maneira de chorar escondido/ nessa existência estrangeira em que me tenho havido”. “Fugi do colégio interno/ fugi do quartel inferno/ fugi da ditadura de gravata/ farda, togas e terno/ e assim poeta moderno/ me descobri/ Ser Humano sem pedigree.” “Que o bom Deus me proteja/ mas não tem remédio/ prefiro morrer de poesia e cerveja/ mas não de tédio”. “Fujo de casa/ para o trabalho/ Fujo do trabalho/ para a escola./ Fujo da escola/ para a poesia./ Na poesia sou/ íntima fuga./Ponto de liga/ alma sem ruga. / A casa, a escola, o trabalho/ que fuga me sou? Se sempre me levo comigo/ para onde me vou?/. “Quando quero estar um pouco a sós comigo /esqueço, desligo/ e tomo uma cerveja gelada...” “ Nunca amei ninguém/ que fosse parecido comigo/ até porque persigo paz./ e não esconderijos./ nunca amei ninguém/ com medo de ser oásis.”. “ A luz que me desce agora,/ é luz dentro que não se vê fora./ Fora a sombra cresce, agride, cora,/ enquanto a luz de dentro impera e mora”. “A carrocinha do padeiro/ tem um buraquinho bem no meio/ e vai semeando andorinhas/ atrás do farelo de pão” “Minha mãe fritava polenta/ e convidava a aurora para o banquete.” “A cebola nossa de cada dia/ nos daí hoje/ para que choremos cotidiana poesia/ (nos ninhais de selvagem alquimia)/que sempre nos foge.” “Sempre fui muito sozinho/ abandonaram-me quando nasci./ Minha pobre mãe deixou/ que eu existisse. / Hoje acostumei-me a ser sozinho/ abandonei-me em mim./ Acho que eu mesmo fui minha mãe./ não sei nunca mais deixar de ser sozinho assim./ Fiquei refém de eterno abandono./ - Mãe, tende piedade de mim!” “Eu sou assim./ Uma noite mascarada de dia./ E de noite um córrego borboleteando Poesia./Tomo essência das coisas como elas são./ E,relendo-as, completo-me em suprema inteiração.” “A mosca encontrou um garçom/ cheirando a detefom/ dentro da sopa”. “O telefone toca/ e eu fico ligado/ preocupado/ assustado. / Em casa não tem telefone/ E eu sou só um número errado” “ Estive em Itararé/ e não me lembrei de ninguém./ Porque quem não está em Itararé/ está sem.” “ Deixei meu coração em Itararé/ na periferia cor-de-rosa da Vila São Vicente/ / Ali sob um flamboyant florido/ Ainda pulso, viço e glorifico a vida// Deixei meu coração em Itararé/ À beira do rio verde entre pinheirais//A criança triste que eu tenho sido/ É essa distância de cavaleiro boêmio.//Deixei meu coração em Itararé/ Sob a lua caipira da Praça Coronel Jordão./Deus sabe o quanto tenho sofrido, / procurando uma estrela nova no céu./Deixei meu coração em Itararé/ e corro atrás de uma estrada que não existe./Talvez por isso eu seja um poeta triste, buscando a criança que me perdi de ser./” Os versos foram extraídos de Porta-Lapsos, livro de meu amigo e poeta Silas Corrêa Leite.
 
Maria Apparecida S. Coquemala, Professora Universitária, Mestre em Literatura, Escritora Premiada - Itararé-SP
 
 
 
12. Jornalista Silas Corrêa Leite, pioneiro do e-book, fala da carreira literária no "Provocações"
O jornalista e poeta Silas Corrêa Leite, autor do primeiro e-book interativo da Internet, "O Rinoceronte de Clarice", participa do programa "Provocações", da TV Cultura (...) Em uma entrevista filosófica, permeada por uma espécie de poética da tristeza, Silas lança frases como: "eu não quero dar a cara pra bater à lágrima. A vida não me deu limões? Então eu faço limonada de lágrimas(...). Também conta a Antônio Abujamra os desafios que encontra para construir sua carreira literária: "não se faz uma carreira com 56 anos como eu tenho".  O poetinha Silas, como é conhecido, ainda diz não ser deste mundo e se compara ao ET, de Steven Spielberg. Professor da rede pública, ele acredita no fim das utopias, mas não da esperança. "Do pântano da condição humana, se eu não tenho sonho, então eu não me tenho mais".  Silas Correa Leite tem forte atuação na internet e já é considerado referência na linguagem virtual. Colabora com vários veículos de comunicação do Brasil e do exterior, e tem alguns livros publicados, entre eles "Porta-Lapsos, "Poemas" e "Campo de Trigo com Corvos". Seu e-book, "O Rinoceronte de Clarice", sucesso de downloads, constitui-se de onze ficções, todas focando Itararé (sua cidade natal), cada uma com três finais (feliz, de tragédia e politicamente incorreto). Ele também é autor do oficial Hino ao Itarareense e tem várias letras de baladas, rock e blues. 
Portal Imprensa, Revista Imprensa, São Paulo, Release Eventos, Notícias
 
 
 
13. Revista Época, reportagem sobre o e-book de sucesso, O Rinoceronte de Clarice, de Silas Correa Leite
 
“O Rinoceronte de Clarice, de Silas Correa Leite (...) Um e-book interativo. São 11 contos com três opções de final para cada um. O leitor pode escolher como a história acaba, de acordo com o humor do momento”
 
Revista Época, Reportagem sobre e-books e tecnologias modernas para a literatura, fragmento
 
 
 
14. Rodrigo Capella, Programa Virando a Página, São Paulo
 
“Sou escritor desde os 16. Atualmente, tenho 57 anos e continuo na luta. De vez em quando, consigo um cachê para dar uma palestra”.
Essa frase é de quem já fez história na literatura brasileira e mostra que o escritor e poeta brasileiro enfrenta desafios diários, não em busca do estrelato, mas sim em busca de consolidar a sua poesia, os seus escritos e de conquistar leitores.
 
O autor da frase lançou recentemente Porta-Lapsos, denso livro de versos, palavras e situações. Belas histórias, para se ler em somente uma madrugada, o melhor período de leitura. Estamos falando de Silas Corrêa Leite(...)
 
Rodrigo Capella, Roteirista, Escritor e Palestrante, autor de nove livros
 
 
 
15. A Perspectiva de um Camelo ao Olhar para o Oriente - LEITE, Silas Corrêa. Camelo. Ficção, In: O Homem que Virou Cerveja.  São Paulo: Giz Editorial, 2009.
 
Silas Corrêa Leite é natural de Itararé, São Paulo, e já publicou textos críticos, sátiras, ensaios, crônicas, contos, poemas, entre outros escritos, em aproximadamente 500 sites brasileiros e estrangeiros. Escreveu O Rinoceronte de Clarice, um livro interativo que foi objeto de diversos estudos acadêmicos, dentre eles uma tese de doutorado na Universidade Federal de Alagoas. São de sua autoria os livros Porta-Lapsos, de poemas; e Campo de trigo com corvos, de contos. O texto Camelo foi publicado inicialmente no site do Jornal O Estado de São Paulo e posteriormente passou a integrar a coletânea de crônicas intitulada O Homem que virou cerveja, publicada em São Paulo pela Giz Editorial, em 2009. O referido livro é resultado da premiação do autor em primeiro lugar no “Concurso Valdeck Almeida de Jesus”.  A crônica é narrada em primeira pessoa, no tempo presente, por um camelo, narrador-personagem do universo oriental que dialoga com um provável leitor ocidental, provocando-o para que este saia de sua passividade diante dos fatos que o cercam e assuma uma atitude mais crítica, sobretudo em relação à constante violência que assola o planeta e às recorrentes guerras no Oriente, muitas destas resultantes de ataques oriundos do Ocidente. O texto surpreende desde o início, a começar por este narrador inusitado, que observa o que acontece ao seu redor e revolta-se contra as injustiças cometidas pelos seres humanos, dos quais se esperaria certa racionalidade. Entretanto, esta vem justamente do camelo, através da reflexão e análise da realidade e da manifestação de suas ideias. Já no primeiro parágrafo, o leitor é convidado a pensar sobre as vítimas inocentes das guerras, principalmente nas constantes lutas travadas no Oriente, muitas destas protagonizadas ou apoiadas por líderes políticos ocidentais:
 
 “Pois é, mano, você que é um baita animal racional, de capacete, carcova, gravata, dólmã-de-tala, elmo ou turbante, deve estar aí se assuntando com esse deserto de acontecências ao deus-dará, a bem dizer, entre atropelos de idas e vindas aceleradas, nuvens de areia, torres pegando fogo, crianças inocentes explodindo, mulheres grávidas vitimadas, prédios de instituições civis se desmontando [...].” (p. 39)
 
Este camelo-narrador conduz o leitor à visão dos horrores provocados pelas guerras, realizando sua travessia pelo espaço desértico e descrevendo o que observa. Segundo Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, em seu Dicionário de símbolos (1996), o camelo, por ser uma montaria que auxilia na travessia do deserto, conduzindo o homem de um oásis a outro, possibilita o alcance do centro oculto, da Essência divina. Nessa perspectiva, o camelo-narrador cumpre sua função, pois desperta a sensibilidade dos leitores para situações vivenciadas por inúmeros seres humanos, devido à guerra, e mostra que, ao aceitarem passivamente tais circunstâncias, não deixam de compactuar com esta realidade. Ao despertar para o sofrimento alheio e se interessar por ele, de alguma forma o leitor aproxima-se da Essência divina. Nesse sentido, há um convite realizado pelo narrador para o leitor, sobretudo o ocidental, a fim de que este saia de seu lugar confortável de observador e entre em contato com a alteridade, com o Outro, respeitando seus valores e crenças e não se colocando como alguém superior, detentor das verdades absolutas, atitude que muitas vezes justifica atos violentos, como as guerras. Considerando as contribuições teóricas de Lévi-Strauss acerca do etnocentrismo, em textos como Raça e História (1952), pode-se dizer que o camelo propõe que o leitor abandone uma visão etnocêntrica, que enxerga o outro a partir de seus próprios valores, e adote uma postura de respeito à diversidade. As descrições realizadas pelo camelo contam com o auxílio de dois outros animais: a águia e o gafanhoto, que lhes relatam acontecimentos de lugares por onde ele não passa. Se recorrermos mais uma vez ao Dicionário de símbolos (1996), observaremos que a águia constitui o mensageiro da mais alta divindade, ao passo que o gafanhoto tem um simbolismo ligado a pragas e devastações. Esta dualidade também é uma característica do próprio camelo-narrador. Este, assim como o gafanhoto, tem os pés firmes num chão inóspito. Além disso, encontra-se diante de uma realidade que o entristece e revolta-o. No entanto, apesar de tudo, assim como a águia, consegue olhar para o alto e sonhar com “um mundo em que todos possam viver em paz”.  Entre suas reflexões, o camelo deseja avidamente ganhar voz através de um “ventríloquo”, “mágico ledor de lábios”, “bruxo sem véus” ou mesmo de um “anjo poeta”. Tal desejo se concretiza, pois o camelo torna-se o narrador de sua história na crônica escrita por Silas Corrêa Leite. O escritor é o “bruxo sem véus” e o “anjo poeta” que possibilita a escritura e a materialização do pensamento do camelo. Há uma fronteira tênue, em que se misturam o narrador ficcional camelo e o autor da crônica, também poeta, Silas Corrêa Leite. As vozes do cronista e do narrador misturam-se, realizando uma escritura bivocal, por vezes ácida, por vezes tomada por profundo lirismo. No final do conto, há uma provocação ao leitor: “Fique aí, seu camelo engravatado”. Ao ser chamado de camelo e convidado a permanecer onde está, o leitor é convidado a pensar no quanto os seres humanos têm demonstrado menos racionalidade que os animais...” Percebe-se, dessa forma, que o cronista, a partir do relato do cotidiano de um camelo no deserto, capta a essência do sofrimento humano causado pela violência da guerra, de forma singular e instigante, de maneira a levar o leitor a uma reflexão mais profunda sobre esta problemática e assumir uma postura mais crítica e menos passiva diante dos fatos.
 
Teresinha de Oliveira Ledo Kersch, Professora de Português, Escritora de livro de técnica literária, Mestranda em Literatura e Crítica Literária pela PUC-SP
 
 
 
16. Fragmento de Prefácio sobre o livro premiado, O Homem Que Virou Cerveja, de Silas Correa Leite 
 
Silas é autor dos livros “Porta-Lapsos”, “Ruínas e Iluminuras”, “Trilhas & Iluminuras”, “Os Picaretas do Brasil Real” (todos de poemas), “Campo de Trigo Com Corvos” (contos), e “Ele Está No Meio de Nós”, romance Místico, e-book, e do livro virtual de sucesso “O Rinoceronte de Clarice”, tese de mestrado e de doutorado, destaque na mídia, inclusive televisiva, por ser o primeiro livro interativo da rede mundial de computadores. Além de escritor, Silas é também um operário da vida, engajado em projetos e atividades de toda ordem - sempre tendo a ética e a responsabilidade por vertentes, registre-se. É o tempo que escapa. É o correr da vida, como bem assinala Guimarães Rosa: "O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem." E coragem é o que parece não faltar a Silas Correa Leite, ainda que falte o tempo.
 
Valdeck Almeida de Jesus - Escritor, Promotor Cultural, sobre o livro O Homem Que Virou Cerveja, de Silas Correa Leite, Editora Primus/Giz Editorial, SP
 
 
 
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5/5/2011 - Outro Poema Para Thiago Frederico

 

EM NOME DO FILHO

 

“Às vezes o importante não é encontrar

o nosso “Eu” interior, mas acordar o

nosso “Nós” coletivo...”

 

Outro Poema Para o Meu Filho

 Thiago Frederico Alvim Correa Leite

 

 

Ah meu filho THIAGO FREDERICO, terás que me perdoar!

Não te carreguei no colo, nem troquei tuas fraldas

Sequer corri atrás de tua febre auroral, ou te ensinei minhas malucas canções tristes de trilhas desumanas

Sequer brinquei de bolinha de gude ou pipa contigo

Nem contei histórias para que dormisses em paz

Porque a vida me levou de ti e eu fiquei órfão de filho...

 

Na noite escura de minha alma, eu pobrinho também sofri

Lutei muito para conseguir um lugar ao sol sem sol

E quando a vida nos apartou; eu fiquei à margem do caminho...

E a vida também te magoou tanto, te cobrou demais, e agora me apareces assim

Como uma luz de emergência no meu coração partido; o bendito filho...

 

O que fizeram de ti? O que fizemos de nós? As ruas da amargura...

E a culpa dos pais; que não soubemos de cuidar, e agora ouço

Meu coração amargurado tentando reconstruir esses caminhos, porque o encontro

Teve uma asaluz que pela mão de Deus intermediou esse retorno

Para um pai saudoso, doente e ainda mais triste; que não sabe o que fazer de abraços perdidos, dos cálices de ausências

Porque em nome do Filho de Deus retornas e temos

Que resgatar essas lágrimas, essas feridas, entre abraços e a consagração do amor como o melhor milagre, o melhor remédio...

 

Passei a vida inteirinha escrevendo poemas-filhos

Lidando com alunos-filhos; sobrinhos filhos... E nos poemas

Divaguei sonhos, cantagonias, errações; plantei canteiros, e agora me apareces

E sei que posso te tocar, te dar o afeto que se encerra no meu peito

E seguiremos sabendo que podemos contar um com o outro

Até finalmente um dia eu ser recolhido como sucata para ser reciclado e  então me continuarás

E dirão que terás a minha cara, a minha coragem, o meu instinto de sobrevivência

E o meu senso agudo de clamar por justiça ainda que tardia

Como elos da mesma corrente que finalmente se encontram, se ligam e no amor e na dor terão que se sustentar um no outro

 

O abraço que não te dei: o amparo impossível pelos descaminhos do longe, muito longe

E agora te encontro e agora terei que tardiamente aprender a ser pai; terás que me ensinar, meu filho

A tirar as amarras de tuas tristezas, caminhar contigo, correr da chuva... brincar com meus velhos carrinhos quebrados

E com meus dinossauros que, como eu, decoram estantes vazias

Porque és meu filho, porque sou teu pai, e, Em Nome do Filho teremos que prosseguir juntos

Nas alegrias e nas tristezas, nas perdas e nos danos; duas almas tristes tentando barulhanças e contentezas

Porque a vitória com lágrimas é santificada na convivência de aprendermos um com o outro

Como ser e como não ser, para sermos pais e filhos

Ao lado de minha Musa Rosangela que também te acolhe e te abençoa com ternura maternal...

 

Ah Thiago Frederico; meu filho com nome de santo como diz a velha balada

Como eu queria que não fosse assim; eu seria um pai cobrador, chato, queria que estudasses, trabalhasses, que fizesses o melhor

(Os Corrêas tem essa luz e cruz: sobrevivem... e Vencem...)

E caminharíamos cada um pela mão do outro

Como temos ainda que tentar fazer agora; recuperar o tempo perdido...

Nunca é tarde demais – podemos reconstruir essa estadia unidos

Porque carregas minha alma nau; e minha vida fecha um ciclo, em ti e em teu nome se completa agora

E teremos que conviver em paz com isso... conviver ... conviver...

Pai e filho salpicados de lágrimas juntos novamente

Assim na terra como no céu

E seremos pais e filhos desaprendidos de serem pais e filhos

Que se completarão um no outro... que aprenderão um com o outro

E junto construiremos uma estrada de tijolos amarelos muito além de Itararé, muito além de nós mesmos

E nos fortaleceremos um no outro

A lágrima e a luz formando aquilo que teremos juntos e para sempre:

Um Lar!

 

-Você terá um lugar para chamar de seu

E eu finalmente terei de volta o sangue do meu sangue

(Entre suor e lágrimas) para chamar de

 

MEU FILHO...

 

-0-

Silas Correa Leite

E-mail: poesilas@terra.com.br

Blogue: www.portas-lapsos.zip.net

 

 

 

 

 

 

 

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7/4/2011 - BEBERES E DIZERES - HUMOR DE SILAS CORREA LEITE

 

Beberes & Dizeres – Tudo a Ler

 

 

 

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001)-Se dirigir, não beba. O copo de cerveja pode cair

 

002)-Álcool mata depressa pessoa idosa. Faça sua sogra tornar-se alcoólatra

 

003)-Beber é divino. Beber cerveja é divinizar a boemia, já que a cerveja é chamada de a bebida dos deuses

 

004)-Animais não bebem. Por isso são irracionais

 

005)-Não beba antes do casamento, nem para criar coragem. Você pode na hora hagá dizer um belo e sonoro NÃO com extremada lucidez química

 

006)-Padres não podem beber. Por isso não casam, usam saias feias e têm graves problemas sexuais mal resolvidos

 

007)-Cristo adorava beber, encontrando vinho multiplicava-o para dar pra todos

 

008)-Argentino não gosta de beber. Argentino não gosta de brasileiro. Aliás, argentino não gosta de ser argentino

 

009)-A Mancha Verde, a Torcida Independente dos Bambis bebem para esquecer os timinhos pelos quais torcem

 

010)-Maradona parou com as drogas e voltou a ficar normal. Mas quando parou de tomar cerveja começou a falar só besteiras

 

011)-Lula é melhor do que FHC, Collor, Sarney, Serra Pinóquio de Chuchu  e a corja neoliberal toda, inclusive a oposição de hienas do arbítrio, porque toma umas e outras para torná-los institucionalmente suportáveis

 

012)-Roberto Marinho não bebia. Vejam a Rede Globo no que deu

 

013)-Ulisses Guimarães, tremenda personalidade democrática, era chegado numa chique bebida francesa à base de pêra. Por isso preferiu desaparecer sem deixar rastro

 

014)-Collor não bebia.Usava supositório de glicerina. Deu no que deu

 

015)-A Hebe Camargo não bebe. As bebidas ficaram livres de irem direto do gargalo pro esgoto

 

016)-Maluf diz que só é honesto quando bebe. Já viu pinguço que não vale a verdade?

 

017)-Rico bebe socialmente. Pobre é pinguço mesmo

 

018)-Tem gente que enche o carão e se revela gay. Tem gente que enche o gay e então se revela etílico assumido

 

019)-O Sócrates do Corinthians bebia antes e depois do jogo. Por isso era o Doutor Sócrates, não um Cicinho, um Pedrinho, um Robinho, um Zinho

 

020)-Tem gente que prefere beber a fazer sexo. Esse sabe muito bem o que tem na cabeça

 

021)-A bebida faz mal pro aparelho digestivo, que, aliás, deveria se chamar aparelho destilativo

 

022)-Mulher burra não bebe. Para não sacar o óbvio

 

023)-Os melhores artistas do mundo eram boêmios, bebedores e baristas. Frank Sinatra, Louis Armstrong e Nat King Cole que o digam

 

024)-Napoleão era Bonaparte quando bebia. Sem beber seria Ruim-na-Parte

 

025)-Madona não bebe. Se bebesse não seria Madona seria Boadona

 

026)-Tim Maia não bebia, não fumava, não cheirava. Só mentia muito

 

027)-Foi cientificamente estatisticamente provado: 98% dos traídos nunca beberam. Faz sentido?

 

028)-Mulher de alcoólatra tem orgasmo múltiplo. Mulher de quem não bebe tem amante etílico

 

029)-Políticos tucanos e liberais não bebem. Eles sabem o que são fezes

 

030)-Se for dirigir, não beba. Use a sua energia alternativa: ande a pé

 

031)-Se cerveja em lata desse em árvore, como se chamaria uma floresta delas?: Paraíso

 

032)-Bush bebia mas mentia que não bebia. Quando acordava de ressaca fazia burradas, ou, melhor, bushadas.

 

033)-Bill Clinton quando bebia adorava servir seu charuto cubano pra estagiária pedaçuda

 

034)-Urologista não bebe. Tem medo de errar no exame de toque e pegar gosto

 

035)-Lésbica bebe, e bebe muito. A própria cerveja pelo seu diurético feitio fisiológico exercita a imaginação e o ponto G ganha algo mais de destaque

 

036)-Se urina de bêbado fosse energia o Brasil iria exportar combustível

 

037)-Gatorade parece urina de vaca grávida, quem bebe tem algum parafuso faltando

 

038)-Associações de Alcoólatras Anônimos nunca atacam a cerveja. Têm medo de estimular recaídas por prazeres de vícios gozosos

 

039)-Macho com M Maiúsculo toma cerveja. Macho com hagá toma tubaina só para ter gases artificiais de tutti-fruti

 

040)-Anões devem beber para ficarem altos

 

041)-Vicente Matheus bebia. Por isso dizia sabiamente que quem saía na chuva ácida é para se queimar

 

042)-Quem toma Coca Cola arrota pum

 

043)-Pelé nunca bebeu. Por isso quando abre a boca só sai besteira

 

044)-O Juiz Lalau não bebia. A abstinência corrompe o caráter dos fracos

 

045)-A Xuxa nunca bebeu. Quem não bebe não se enxerga

 

046)-A Luciana Gimenez não bebe com medo de ter um ataque caso o cérebro finalmente pegue no tranco etílico

 

047)-Gugu não bebe. Tem medo de tomar todas e voltar a ser o alvo fácil do programa Rolentrando do Silvio Santos

 

047)-Jânio Quadros bebia todas e mais algumas. Por isso foi acusado de tudo, menos de corrupto e ladrão

 

048)-Fausto Silva bebe socialmente. Pelo tamanho dele, imagine se ele vomitasse socialmente a biles também

 

049)-Beber engorda. Não beber emburrece. Qual é a sua alternativa?

 

050)-Se fôssemos pagar só o que não urinamos de cerveja, cada latinha só custaria dez por cento do que custa

 

051)-Crentes vêem pegadas na areia. Poetas vêem tampinhas de garrafas de cerveja

 

052)-Tem gente que parece engarrafada. Só tem rótulo mas não tem conteúdo

 

053)-Adão não bebia. Por isso caiu no papo do fruto proibido

 

054)-Hitler pintava em vez de beber. Taí o mal entre pegar um pincel cheio de tinta ou pegar um tonel de bebida

 

055)-Comunista não bebe. Come com farinha

 

056)-Bahiano não bebe. É mais fácil riscar o fósforo na sola da havaiana

 

057)-Sampaulino do Morumbambi bebe pra caraca

 

058)-Deus é brasileiro. E nunca está em alfa, está em Brahma

 

059)-Se inventassem sorvete de cerveja, palito serviria pra pegar o petisco do tira-gosto

 

060)-Churrasco e cerveja é muito melhor do que mulher e futebol.

 

061)-Ricos neoliberais nunca bebem. Têm medo de atiçar a consciência pesada

 

062)-FHC se voltasse a ser eleito e tomasse um porre antes da posse, já teria o discurso prontinho: vim para devolver

 

063)-ACM Neto, o Panela de Satanás, quando toma umas outras sempre tenta se enforcar com uma faca

 

064)-Fiquei um mês sem tomar nada. Perdi trinta dias

 

065)-O filho bebendo, cobrou do pai: -Pai, tem ladrão na sala!

      O pai, tomando umas também, explica o óbvio:

         -Calma, filho, é só o horário político-eleitoral do Partido Neoliberal na tevê da sala

 

066)-Mãe, mãe, o cobrador do Bar do Miro Vaca veio cobrar o pindura do mês. A sra tem dinheiro pra pagar ou quer que eu vá brincar lá fora?

 

067)-Porre sexual em tempos modernos: -Foi bom pra você?

                                                                  -Quem é você?

 

068)-Você vem sempre aqui?

      -O quê é aqui?

 

069)-Cerveja? Tô fora. Fui comprar

 

070)-Cerveja boa é como político de extrema-direita: gelada e em cima da mesa

 

071)-Só tem mulher bonita em comercial de cerveja porque a vaidade atiça a libido e a loura gelada é a imagem de consumo fácil e gostoso

 

072)-Tem gente que não saca nada quando bebe. A bebida entra por um buraco e sai pelo outro

 

073)-Tem gente que vê Deus quando bebe. Tem gente que bebe procurando Deus.

 

074)-Tem gente que, quando toma umas outras, recebe santo

 

075)-Diga o que bebes que te direi quem és

 

076)-Quem bebe Fanta vira anta

 

077)-Uma cerveja antes, um cigarro depois. Já viu que há um grande prazer muito bem encaixado entre dois outros prazeres

 

078)-Beber é humano. Problema de flora intestinal é coisa de ameba

 

079)-Ginecologistas que bebem às vezes vão além da linha do horizonte

 

080)-Ponto G é aquilo que toda mulher que bebe sabe onde é, e todo homem que bebe sabe ligar o dínamo

 

081)-Durante a escravidão, os negros bebiam pra caramba. Daí nasceu o samba

 

082)-Os índios do Brasil bebiam antes da invasão, porque eram felizes. Passaram a beber depois da invasão para suportarem a infelicidade da presença dos colonos invasores

 

083)-Quem bebe tem alma. E tem álcool. Quem não bebe nunca sabe o que é uma coisa e outra

 

084)-Quem bebe não mente. Inventa verdades politicamente incorretas

 

085)-Quem bebe e morre vai pro céu. Quem não bebe se for pro céu vai ser garçom

 

086)-Se Judas fosse o garçom da santa ceia, teria noção lúcida do preço que pagaria pelas trinta moedas?

 

087)-Os negros norte-americanos no tempo do Black Power e Panteras Negras bebiam. Depois passaram a fumar maconha e ficaram trouxas jogando basquete, fazendo hip hop e raps rueiros

 

088)-Picasso bebia, fumava e era pegador. Depois, de ressaca de porres homéricos calibrou bem o cubismo etílico. Já pensou que lixo ele seria não se não tivesse nenhum vício?

 

089)-Dizem que Caetano Veloso compôs a melhor letra da MPB, “O Índio”, depois de ter tomado um porre. Como se vê, a bebida

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21/3/2011 - MORRE ZANOTO, DIVERSOS CAMINHOS DO ADEUS

 

DIVERSO CAMINHO...

 

Poeminho Para o Poeta Zanoto de Varginha

 

Para José de Souza Pinto, In Memoriam

 

Morre o Poeta Zanoto de Varginha

O trem da poesia desencarrilhou

Um anjo que, em Varginha parecia um E.T.

Desceu de uma carruagem de fogo do céu

E veio buscá-lo; para o Poeta Zanoto ir fazer poesia no desmundo...

 

Morre o Poeta Zanoto de Varginha

Se é que alguém como ele morrerá um dia

Foi brincar de pular nuvens ali, pertinho

E foi recolhido – porque Deus precisava

De um poeta para dar brilho celeste além de horizontes e crepúsculos...

 

Morre o Poeta Zanoto de Varginha

Amigo, irmão, marido, companheiro

Um paladino da cultura em pagos mineiros

Assim na terra como no céu ele estará conosco

Porque uma personalidade brilhante assim como ele nunca morre...

 

Morre o Poeta Zanoto de Varginha

Que divulgava poemas de outras freguesias

Era simples e humilde – e mesmo assim

Um coração de ouro e uma alma enluada

Desses sertões e brasis que ele amava tanto feito uma asaluz ...

 

Morre o Poeta Zanoto de Varginha

E recolhemos nossas lágrimas em poemas

Saudades são formas de amor, que dizemos

Da grande perda; de alguém que, nos braços de Deus

Recolhe as nossas lágrimas feito tristes poemas de adeus!

-0-

Silas Correa Leite – Amigo de Zanoto

Itararé/Samparaguai

Site: www.portas-lapsos.zip.net

E-mail: poesilas@terra.com.br

 

 

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14/3/2011 - Romério Rômulo, Poeta de Per Augusto & Machina, um Clássico de Poesia

 

Pequena Resenha Crítica

 

“Per Augusto e Machina” Editora Altana

Livro da Radiante Poética Aurífera de Romério Rômulo

 

“Ouço que cada batalha é a que terminará

com a guerra/Vi milhares morrerem e jamais

soube para que/E ainda assim nosso maior

medo é que batam na porta...”

 

Its Just The Way of The Word

 

More Allison

 

-Volta e meia recebo de preciosos e interessantes amigos virtuais - alguns que circunstancialmente as vezes se tornam grande amigos também presenciais - e, na medida do possível, gostando muito até, faço pequenas resenhas, que se pretendem criticas literárias, o que ocorre com  certa freqüência, porque, bem lembrando Walt Whitman, “quem toca um livro/toca um homem”; e porque também a safra da poesia brasileira, variada que seja, é verdade, no geral é mesmo de boa qualidade, principalmente com seus criadores quarentões, cinquentões, todos com mais de um livro, já rodados portanto, assim experimentados e livres, puros. E tenho entre Marcelo Ariel e Solivan Brugnara, entre alguns outros nomes, agora também qualifico o Romério Rômulo entre os melhores poetas que li da poesia brasileira contemporânea. Já pensou? E eu me acho devedor com o Romério Rômulo e seu excepcional “Per Augusto & Maquina”, principalmente porque recebi o seu livro numa temporada extremamente ruim para mim um sobrevivente do antes, que acabou sendo pior ainda em 2010; o pior ano de minha vida, entre grandes perdas que me arrebentaram o espírito, rasgaram a alma e quase secaram o sensível coração transido. Vacas magras em época de transição e fechamento de doloroso ciclo...

 

-Por isso, eis que, literalmente emergindo das cinzas, dei ocasionalmente de novo com o belo livro de Poemas “Per Augusto & Maquina”, e, dentro dele, um primeiro rascunho de apanhados vários, sobre o bendito (maldito?) livro. O que me encantou e pemitiu-me uma nova releitura serena, e assim, capitulado pela qualidade do mesmo, capitalizando palavras, eis-me aqui, submergindo do limbo, lendo a melhor poesia de quem é fera na arte-criação e ainda podendo dizer do meu enorme prazer de sabê-lo e sabê-la. Porque Romério Rômulo a priori parece não-poeta: e se debasta, olha-se e alça-se, vergativo e criacional de lascas-pedrinhas do que compõem com eloqüente de uma bela poesia na melhor perfeição criacional-criativa, em esmerada lucidez. O artista suplantando-se a si mesmo, inquirindo seus temores, nas vicissitudes  de seu tempo, as agruras de seu tempo, tempo tenebroso, diria Bertolt Brecht. A benção, homem-máquina? Ora direis, Jorge de Lima...

 

Seu outro/novo livro, agora (entre outros lançados) “Per Augusto & Machina”, ricamente/belamente ilustrado (iconografia africana), Editora Altana-SP, 2009, tem essa qualidade proposital com afinadíssima “mixórdia” de uma lavra-lágrima que questiona, apura, depura, fortifica o próprio verso – enquanto entreverus, entreversus, entreversos, etc. – e assim lasca-se em criação de aurífera lavra.

 

Percepção. Imagens, homem-ser, homem-máquina, homem-poeta (resistir é preciso?), sentidor, criador, pensador, ao mesmo tempo em que filosófico, e portentoso na poética em uma premissa de conciliar paradoxos, simplificar extremos conflitantes, e, acima de tudo, nessa nossa triste e fútil Geração Facebook, inventariar a vida que vê, e ele mesmo lê-a meio que carpindo no próprio garimpar profícuo que teima, reina, cisma e produz, tecendo seus marimbondos de fogo, entre as gracezas que ventila, solenemente lúcido, identificando os pragmatismos da vida nua e crua na sua poesia toda própria, cara e coragem laborial...

 

Trevas, placebo, urubus, estarrecimento e emoção estão no seu liquidificar idéias, sentimentos e torpedos letrais. A ferro e fogo, vai rompendo a perda-(morte) de uma veia literária singular, articulando o desprezível, enveredando entre a máquina e o ser sedento e sedentário. Na linha de James Joyce que dizia, in, Ulisses: “Não mais sofrer. Não mais despertar. Ser de ninguém(...) Não sentir mais. É no momento que se sente. Deve ser infernalmente desagradável(...). Depois derivando e divagando. Delírio. Tudo o que escondeste toda a tua vida. A luta mortal (...)”.

 

Pois é, baby baby, Romério Rômulo não está sozinho. Existem outros. E existe a arte poética de seu próprio punho, carne e sangue, bateia de pedras preciosas que poeta. Eis o livro.

 

Macadame de vocábulos e adjetivos; a consciência criativa acurada e voraz per/segue o livro, es/cavando, afrontando, feito um louco (lúcido) desvario no hades/limbo das contundências que recolhe, pontua, pois, além dos granizos, acontecências que retrata, há o ser que sonha, registra, desde a podridão da vida à paleta da alma transida (humana), passando pela peneira do que escreve, seu olhar anacrônico, assim perseguindo o indizível, e criando magníficos versos de primeira grandeza.

 

Ah, o que resiste! O augusto Ser, meio Augusto dos Anjos, meio Augusto Campos; a máquina de poesia revelando-se, e, revelando o ser da complexidade à simplicidade, entre neuras, restos, contrastes, arbítrios, criando poemas de arestas. O hades é mais embaixo? Promotor Cultural, paladino da cultura, Romério Rômulo sabe o que escreve. Trabalha o verso e une-os em terra e água, chão e céu, seres e reses, vilanias e alvuras, cascalhos e nuvens, fragmentos e interiorizações. E questiona-se:

 

“É louco ser solene”. (pg 13)

 

Ou mesmo: Bastardo da vida, fiz sobrar meus rasos...  (pg 17)

 

Corpo de tormenta – o poeta carnalizando a arte – buscando o placebo entre quimeras e ventos... Um poeta revelado a vida eivada muito além da podridão humana... O existir do poeta na terra é para isso mesmo: augusto e machina, ele ainda inventaria a dor de resistir. Afinal, é a palavra poética como espírito, idéia, prazer, como bem cantou Vargas Lhosa. Sim, irmãos, a melancolia que nos aniquila, ainda cria poesia. O que seria da sobrevivência na arte, sem o socorro de quem cria? A ordem exige a ação de presença de coisas ausentes (Paul Valery), que Romeiro Rômulo recolhe e, em Per Augusto & Machina, nos faz beber o leite negro da aurora (Paul Celan) no que cria com maestria de craque poeta.

-0-

 

Silas Correa Leite – Poeta, Ficcionista, Ensaísta

Estância Boêmia de Santa Itararé das Artes/Samparaguai, Brasil

E-mail: poesilas@terra.com.br

Livros Porta-Lapsos, Poemas e Campo de Trigo Com Corvos, Contos, à venda no site: www.livraricultura.com.br

Site: www.portas-lapsos.zip.net

 

 

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11/3/2011 - O HOMEM QUE VIROU CERVEJA, Livro Premiado de Silas Correa Leite

 

 

Crítica

“O Homem Que Virou Cerveja”, Livro Premiado de Crônicas de Silas Corrêa Leite

Depois de finalista do Prêmio Telecom de Portugal, com seu livro de contos premiados ‘CAMPO DE TRIGO COM CORVOS´, Editora Design, Santa Catarina a venda na www.livrariacultura.com.br, Silas Correa Leite, o tachado de “O Neomaldito da Web” (pelo site Capitu), com bela entrevista polêmica num dos últimos Programas “Provocações” da TV Cultura (SP) do Antonio Abujamra (o vídeo está fazendo sucesso no YouTube) está lançando agora o livro de “crônicas hilárias de um poeta boêmio”, chamado ‘O HOMEM QUE VIROU CERVEJA´, Giz Editorial, SP, Prêmio Valdeck Almeida de Jesus, Salvador, Bahia.

A obra traz a famosa crônica de humor que nomina o novo livro, entre causos (de Itararé, é claro!), croniquetas diversas (sobre Mania de Banho, Fanático Por Bar, Baristas), entre um e outro tributo à boêmia; acontecências engraçadas de Santa Itararé das Letras (como ele mesmo diz) e de Sampa, onde o autor exilado de sua terra-mãe reside (no Butantã). Contações do arco da velha, e ainda o belíssimo texto “A Voz da Filha Que Não Houve” (foi vertida para o espanhol por um site aí, e ficou ainda mais belamente triste), e mesmo a tal da Declaração Universal dos Direitos dos Boêmios que é um destaque nas infovias da web, tão criativo texto quanto o próprio Estatuto de Poeta que corre a rede da net vertida para o espanhol e inglês, e que constou no livro Porta-Lapsos, Poemas, Editora All-Print, SP.

Da “Poética da Tristeza”, como na polêmica entrevista ao Provocações, em que o autor soberano driblou o Mefisto do Abujamra, passando pelo e-book de sucesso O RINOCERONTE DE CLARICE, primeiro livro interativo da rede mundial de computadores, tese de doutorado na UFAL, novamente Silas Correa Leite surpreende pela peculiaridade, estilo, domínio da escrita, fluência, desta feita paradoxalmente em alto astral, onde, irônico, traz um sortido de histórias, ainda com crônicas apimentadas de sensualidade em relações humanas extremamente mais realistas do que propriamente afetivas, verdadeiras narrativas pra boi dormir (no caso, cair nos risos ao lê-las), entretendo, revelando essa nua nova face de Literato contemporâneo que muito merecidamente por certo já o é. Quer saber? Basta buscá-lo num site como o Google, e você vai achá-lo em tudo quanto é lugar, quase 500 links. Com tantos prêmios de renome, vários livros, constando em mais de cem antologias literárias em verso e prosa, até no exterior, é de se esperar de Silas Correa Leite, a cada novo livro, uma mostra de sua lucidez e qualidade lítero-cultural.

O Livro O HOMEM QUE VIROU CERVEJA esteve na estande da Giz Editorial, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro (Setembro 2009), e tornou-se uma espécie de fechamento de ciclo do escritor premiado, poeta, ficcionista, resenhista, crítico, preparando-se para outros novos voos, outras obras impressionantes, surpresas letrais, trabalhos diferenciados, acima da média e sempre contundentes, altamente criativos com imaginação fora de série, no caso deste livro O HOMEM QUE VI VIROU CERVEJA, literalmente fora do sério...

Aliás, o autor, que acompanho faz tempo (trabalho uma tese sobre sua importância na nova literatura brasileira), já tem um romance “aprovado” por uma importante editora da grande São Paulo, um sendo avaliado por uma editora emergente do sul, está preparando ainda outros livros, como um novo de poesia, um novo de contos, um sobre vivências na educação pública, talvez um já sobre Fortuna Crítica, alguns infantis ou infanto-juvenis, todos em surrealismo ou realismo fantástico, enquanto em tantos blogues divulga suas letras-de-rock-poemas, entre tantas baladas e blues que compõe e que ainda permanecem inéditas
em gravações.

Almeida Fischer
disse: “Um escritor se firma e permanece na lembrança de seus contemporâneos especialmente em função de sua inventiva, de sua técnica, de sua linguagem e/ou do seu poder renovador”.


Silas Correa Leite é exatamente isso; é assim, quem o conhece fica só sondando qual a própria criação a tirar da cartola de sua mente. Não vem fazendo sucesso por acaso. Não vem sendo entrevistado ou sendo reportagem na chamada grande mídia porque escreve água com açúcar. Muito pelo contrário. Como ele tem apenas 57 anos, entre palestras, críticas sociais, ensaios e outros trabalhos em verso e prosa, não é de surpreender que o tal do “neomaldito da web” vire mesmo pop e cult, talvez entre para uma academia de letras, ou seja reconhecido por uma grande editora que banque sua obra de grosso calibre, porque é um escritor que tem muito o que produzir, criar, encantar.
-0-
Antonio T. Gonçalves
SP – E-mail: tudotito@zipmail.com.br

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11/3/2011 - CINZAS - DEPOIS DO CARNAVAL DE ITARARÉ

 

CINZAS

DEPOIS DO CARNAVAL

 

-Depois do Carnaval

Nós nos sentimos tão de ressaca

Estropiados – talvez, sem máscara

No retorno à nossa vidinha merreca demais

De tentar parecer que somos “normais”

 

-Depois do Carnaval

Sem cerveja, fantasia, forfé

Já longe do Encantário, Itararé

A rotina do estudo e trabalho cotidiano

A esperar pelo Carnaval do próximo ano

 

-Depois do Carnaval

Com o Mestre Jorge Chuéri no Fronteira

Para a Festa de Momo nos divertir

Entre os Blocos Aliados da Cerveja, ou Shakesbeer

Porque além das Cinzas, precisamos prosseguir

 

-Depois do Carnaval

Samparaguai de novo engarrafada

Longe de Itararé, dura jornada

Jornada das Estrelas só mesmo em Itararé

Na boêmia, na seresta, no Carnaval, no tropé...

 

-Depois do Carnaval

Tirar a camisa do Bloco do Poetinha

Tão distante de nossa bela “Itararezinha”

E toma trabalhar... trabalhar... trabalhar

Longe de Itararé a vida é quase um não-lugar

 

-Depois do Carnaval

É sonhar com o Carnaval vindouro

Com a labuta nos arrancando o couro

Mas sabendo que o porvir será sempre, e é

Férias... Feriados... e Carnaval, em Itararé!

-0-

Silas Correa Leite, Santa Itararé das Letras

www.artistasdeitarare.blogspot.com/

 

 

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2/3/2011 - Poema Para o Dia Internacional das Mulheres

 

Poema Para o Dia das Mulheres

 

Oito de Março de Todo Ano

 

MULHERES: nós as amamos tanto, pelo que eles representam e são

Pelo que elas valem; porque dão colorido elétrico às nossas vidas

Delas viemos; nos braços delas estaremos sempre plenos

E sem elas a vida sequer existiria...

Em prazer, esperança, encantamento e poesia...

 

Porque MULHERES são a plenitude da vida

A luz, a graça - a arte-criação nelas reunidas

E pelo afeto delas, de amá-las e sermos por elas amados

Nossas vidas se enternuram em aconchego e harmonia...

 

MULHERES: amar para entendê-las

Nos braços calientes delas também compreender estrelas

Mães, Musas, Irmãs, Sobrinhas, Artistas, Autoridades, profissionais e companheiras

A flor fêmea passarinheira

De nossas vidas; que vivemos para humanamente honrá-las

Na alegria, na tristeza, e principalmente no amor, na contenteza  e na boemia...

 

MULHERES:

Todos os dias são dias delas, porque elas brilham; são pura encantação

Em barulhanças, acontecências e especiais afetos

Delas tentamos ser pelo menos pequenos príncipes prediletos

E elas são, não a rainha do lar, mas rainhas de todo lugar

E Divas, Musas - cheias de luz; e de tanto viver para amá-las

Nos fortalecemos a vida inteira; nascer, viver, amar e morrer por elas

Braços abertos, janelas abertas, almas portentosas, coloridas... belas

Estradas de nossas vidas que vivemos de sonhar e conquistá-las!

-0-

Silas Correa Leite - E-mail: poesilas@terra.com.br

www.portas-lapsos.zip.net - Santa Itararé das Mulheres Maravilhosas

www.artistasdeitarare.blogspot.com/

www.itarare.com.br

 

 

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1/3/2011 - Imprensa de Itararé: A Minúscula de Helio Porto

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28/2/2011 - Memórias da Ditadura de 1964 - Um Ano que Ainda Não Acabou

 

 

A Única Oração Que Eu Conheço

 

(Conto da Série: Memórias da Resistência – 31.03.64/31.03.11)

 

 

 

“Só vos peço uma coisa: se sobreviverdes a esta época, não vos esqueçais nem dos bons, nem dos maus(..) Eles eram pessoas e tinham nomes, ros tos, desejos e esperanças, e a dor do último não  era menor do que a dor do primeiro, cujo nome há de ficar...”

(Júlio Fuchik, 1980, in, Brasil Debates, Testamento Sobre a Forca)

 

 

 

 

Sempre fui ateu. Não posso acreditar na hipótese de que, quem fez, fez para destruir depois. Sempre fui um emérito comunista de carteirinha e filosofia. Um marxista teórico, comunista científico e socialista-democrático, em defesa de um sentido ético-plural-comunitário, para a vida em sociedade, com um humanismo de resultados.

Sempre achei que a religião é o ópio do povo. Uma burrice pegajenta no refluxo do inconsciente coletivo. Uma antiga invenção política para pôr freios na falsa moral burguesa, que nunca foi exemplar nas suas alcovas e bastidores do poder real. Acho até que a religião teria sido inventada pelo próprio diabo, se é que ele também existe, sentado no rabo da histórica hipocrisia social. Se todo homem é um animal político, como disse o filósofo Sócrates faz mais de dois mil anos atrás, todo homem é também um animal antes de tudo sexual e por isso mesmo pervertido, insano e cruel. Comida, sexo e poder. Esse é o destino do homem que, como todas as coisas, nasce, cresce, tripudia sobre cadáveres e serventias de sobrevivência amoral e decadente, fica tolo, senil, esclerosado e morre. Não há nada depois da morte. Viemos do nada e ao nada voltaremos. Somos esse vazio existencial entre o antes de o depois de. Sempre pensei assim. Do pó viemos e ao pó voltaremos, parece ser a única coisa certa escrita na Bíblia. Lama humana.

Mas resolvi de, assim mesmo, contar o que se passou comigo em tempos ordinários, difíceis. Tempos tenebrosos como diria Brecht.

Vivíamos o período tenebroso das trevas de uma ditadura militar incompetente, corrupta, violenta e senil. A Canalha de 64, cantada como Redentora,  e seu capitalhordismo americanalhado, bancado por setores conservadores da ala reacionária da Igreja Católica arcaica, mais as peruas frígidas de Santana, sórdidos empresários amigos do alheio, e um projeto babaquara denominado hipocritamente de Tradição, Família e Sociedade, mas na verdade bancado por ratos olivas com coturnos, todos com medo do socialismo moreno-tropical do Comandante Fidel Castro que poderia se alastrar por toda a Latrina América terceiro-mundista, em detrimento de suspeitos interesses de agiotas do capital estrangeiro sediados no Esgoto Washington.

Eu, como muitos camaradas de um aparelho pego em flagrante, delatados por uns porcos empresários de grosso calibre, estávamos presos no DOPS, os chamados podres porões da hedionda polícia paulistana liderada pelo nefasto Delegado Fleury e seus chacais de antro de escorpiões que depois foi assassinado como queima de arquivo.

Eu tinha perdido bolsa na faculdade de Direito de Guarulhos (um bocó de  professorzinho-major me fichara em desconfiança), também perdera emprego numa locadora de imóveis dias antes de ter sido promovido (o diretor era um janota coronel de reserva, líder do Lions Club e ex-diretor do Mackenzie), minha família foi vigiada, corríamos risco de passar fome, até que viram um artigo meu com Codinome Comando Alfa, denominado “A Corrupção Financia a Revolução” e assim eu fui levado de camburão como um bandido, seqüestrado por um bando de recos com fuça de hienas, para medo de meus amigos, familiares e inteligentíssimos colegas de esquerda.

O país agonizava, era uma eterna noite com um falso verniz de arapongagem e montados milagres econômicos que tinham um alto custo social, como depois se revelara a partir de um montado medo do Jango e outras tramóias de imbecis de terno, gravata, toga e farda, os reacionários de aluguel fundando novos covis de salteadores.

Fichados, éramos interrogados, cobravam nomes, documentos, atentados, datas, aparelhos, panfletagens, e muita gente morreu nessa época, incrivelmente muito mais do que se sabe, se identificou, inclusive por uma ala internacional da ONG Tortura Nunca Mais baseada na Europa, mais ainda vigente nesses novos tempos de tenebroso neoliberalismo-globalizado e uma terceirização neoescravista com privatizações-roubos e reformas que dão flanco ao contrabando informal, e também permitem aos narcotraficantes substituírem um estado propositalmente falido pela elite na sua essência básica de prover os excluídos sociais.

Diariamente vinha uma trinca de recos levar ou outro colega comuna de cela. Que era torturado de todas as maneiras. Se resistisse, voltaria a passar por outra sessão severa, de pau-de-arara a sodomia, de pancadaria e loucuras indescritíveis. Nem que eu tivesse um milhão de anos, eu esqueceria esses horrores. Muitos morriam no interrogatório. Então montavam fugas, falsos suicídios como o de Vlado Herzog, atentados, máscaras e camuflos para jogar areia na dura verdade, atirar fumaça nos crimes cometidos pela aparelhagem do estado militarista historicamente incompetente,  sempre ao lado de latifundiários, estrangeiros, banqueiros, e uma burguesia decadente, amoral e insensível com as riquezas injustas, os lucros impunes e as propridades-roubos.

Sou uma testemunha da história. De certa forma sobrevivi, na medida do possível, mesmo para assistir um ex-marxista, ex-socialista, ex-sociólogo, e até ex-ateu, prostituir o Brazyl S/A com seu apoio a banqueiros irracionais, aumentando a eterna dívida externa, saqueando as empresas estatais e vendidas a preço de banana e moedas podres. E os piores comunistas são os falsos, de ocasião, que se abancam em cargos públicos por interesses mesquinhos, ególatras como melancias, vermelhos por dentro mas verdes por fora.

E como testemunha é que me cabe aqui relatar sobre a única oração que eu aprendi preso, em estado desesperador.

Detido no DOPS, via chegar e sair os suspeitos de sempre, via entrar e sair um torturado vencido pelo horror, via um bando de vaquinhas de presépio levando cadáveres para desovas em cemitérios clandestinos fomentados por um político do estilo rouba e diz que faz, eminência parda à sombra dos três podres poderes.

Era o regime de exceção. Era o arbítrio. Eu mesmo senti na pele a dor  crucial dessa época. Uma determinação legal da ONU dizia que um povo podia se voltar armado até, contra uma ditadura, mas nós estávamos desarticulados e ali nos restávamos aguardando a morte, o exílio, ou as seqüelas que hoje eu sinto que são para sempre.

Pendurado num pau de arara, sem água, sem luz e sem pão, eu não podia dizer muito, primeiro porque era pela não-violência, segundo porque nunca tinha atentado contra ninguém, minha única arma era a palavra escrita e falada, porque eu era bom de dialética e sabia ocupar meu espaço denunciando, reclamando, pedindo por eleições diretas e o fim das insanidades palaciais. Se eu soubesse muita coisa, de qualquer maneira, confesso que jamais contaria, eu não era um alcagüete e sabia suportar pressões. Mas apanhei muito. Várias vezes. Quase morri. As sombras por testemunhas.

Lembro-me, no entanto que, por aqueles labirintos amorais e desumanos, perambulava sempre como um peregrino cândido e terno que, certamente corrompia financeiramente as altas patentes todas (que eram mesmo facilmente corrompíveis) e ali nos vinha dar sua palavra de conforto, seu apoio moral, seu largo ombro amigo, na sua tez de seda alva como a neve.

Esse anjo em forma de gente, era o Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns.

Volta e meia nós o víamos saindo de uma cela, tentando cobrar autoridades do arco da velha, entre paisanos e militares babaquaras, e muitas vezes ele esteve comigo em meu solitário catre sujo de sangue seco, suor, lágrimas e desespero.

Nunca gostei de orações, não acredito nelas. O homem e as circunstâncias, é o que vale. Nunca gostei do Pai-Nosso hebraico, muito menos da oração inventada pela Igreja das trevas em tempos profanos de cruzadas que matavam pessoas inteligentes, geniais, com medo das reformas de Martinho Lutero e da invenção da imprensa que promovia cada vez mais a leitura da Bíblia sob diversas óticas e menos conduzidas por cabrestos abismais do Vaticano.

Quantas vezes ali,  depois de apanhar bastante, machucado, sangrando, a pão e água, eu acordava sofrendo e entre gemidos, e via ao meu lado o Cardeal de São Paulo. Ela me pensava como podia no rigor do momento,  no apurado do trauma, com sua voz fina e meiga dizia, sempre; com a sua branquela mão direita no meu ombro esquerdo:

- Seja forte, meu filho. Procure suportar, meu irmão. Sê firme, amigo.

E eu o olhava ali, enorme, grandioso, sem nada que pudesse nos ligar, um padre e um comunista, a borboleta e o escorpião, e o ouvia me dar forças, me encorajar, para que eu fosse forte, quando eu queria mesmo era morrer logo, pegar de minha cinta e me dependurar num cano alto, morrer enforcado e acabar com aquilo tudo.

Para muitos ele foi um bálsamo. Para mim também. Para muitos ele foi a salvação, a âncora entre o inferno e o sonho. Para tantos ele foi o passaporte da agonia para a esperança. Um Ser Humano e tanto. Insubstituível. Nunca haverá outro como ele. É na dor, na tragédia, no desespero, no medo e na fome, que se conhece o caráter e o referencial de um homem.

Confesso que nunca aprendi rezar, sinceramente não acredito muito nisso.

No entanto, cresci, fiquei forte, escapei, virei escritor, fui sovado pela dura lida, e, claro, como ser humano tenho medo, muito medo; tenho presságios, uma angústia-vívere, um ou outro surto psicótico, neuras, e o espírito às vezes atribulado, mais o risco do desemprego, o salário baixo, a falência da educação pública, e assim desenvolvi um medo do escuro, uma intuição de lobo acuado, um instinto tribal.

No entanto, nessas horas, vem-me à mente a imagem daquele homem santo ajoelhado ao meu lado, um ateu sonhando com utopias, e ele, Dom Paulo Evaristo Arns, é a oração em pessoa. O sentido de uma prece na sua mais altaneira definição.

Então alguma coisa em mim, meu espírito aventureiro, talvez, uma certa resiliência psicológica até, talvez uma porta para a luz, fala de mim para mim mesmo, a única oração que eu conheço, que eu aprendi na dor: Seja forte, Seja firme. E eu sinto um calor descomunal me passar pela espinha. Como se uma pilha-luz ligada no aparelho da memória recorrente, um arquivo neural que se assoma e me reconforta, me estimula, me incendeia. Um elo de fé?

E, confesso,  não há melhor oração do que a imagem e semelhança de um homem digno, puro.

Perdoem, mas essa foi a única oração que eu aprendi. Essas simples poucas palavras cruas, me dão um sentido enorme de energização. Mas, somadas num imagético de um momento de terror, me dizem tudo, me sustentam, acho que até, intimamente, podem às vezes me ensinar técnicas de Vôos.

Se Deus existe mesmo, quando for a hora do juízo final, amargedom, sei lá o quê mais, e quando eu for pesado na balança, e me cobrarem alguma falta, direi em minha defesa que sei uma oração de peso, e certamente direi uma verdade inteira, expressando-a, recitando-a emocionado, com todo seu conteúdo de amor e luz, numa imagem esplendente.

Direi que, como Oração mesmo, inteira e plena, táctil, presencial, personalizada, conheço o Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns. Independente de placa de igreja, ele foi um mito, um mensageiro, um visitador, um abençoado. E então, espero, os anjos de Deus, seus irmãos celestes, certamente me darão o passaporte da liberdade assistida num limbo qualquer, muito além desse pardieiro chamado Planeta Água, a Nave-Cela da escória cósmica.

 

Silas Correa Leite – Santa Itararé das Artes, São Paulo, Brasil

Teórico da Educação, Jornalista Comunitário Conselheiro diplomado em Direitos Humanos – Autor de Porta-Lapsos, Poemas, e Campo de Trigo Com Corvos, Contos, à venda no site: www.livrariacultura.com.br

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23/2/2011 - SERGIO MUDADO ESCREVEU UM ROMANCE CLÁSSICO: Juca Peralta!

 

 

 

Pequena Resenha Crítica

 

 

Um Romance Fora de Série:

“Os Negócios Extraordinários de um Certo Juca Peralta”

Do Literato Sergio Mudado

 

Que a literatura moderna é perigosa

é algo inconteste. A única resposta

digna da crítica que ela suscita, é que

essa literatura venenosa exige um novo

tipo de leitor: um leitor que ‘responda’

 

Paul Ricouer, Pensador Francês

 

-Eu sou macaco de auditório do médico-literato Sergio Mudado, desde que me deliciei com o livraço Vassalu, que tive o prazer de resenhar e que, acho, vertida para o inglês, devidamente encaminhado para um agente literário dos Estados Unidos daria um filme clássico muito melhor do que Tróia e Gladiador, e que, em tese, trata do mesmo tema, época e idade média da história. Estupenda obra prima.

-Por isso, quando recebi “Juca Peralta”, Romance, custei a me preparar para a leitura que teria que ser especial, prazerosa, e que, certamente iria mexer com meus botões sensoriais. Vivendo época pessoal difícil, de amarga caminhadura, finalmente entrei de vereda na leitura que prometia, aqui e ali parando, indo e vindo, até que finalmente tomei pé definitivo e dali em diante, escolado, salve-se-quem-puder, caí no fluxo narrativo e babei. Baba baby, diria a canção. Pois foi por aí...

-A narrativa de Sergio Mudado cativa, seduz, empolga, pega o ledor feroz pela mão, leva-o para passear no parque temático das contações, uma linguagem ao mesmo tempo em que cult e pop, lembrando aqueles historiadores e cronistas mineiros que deitam falatório e seduzem, aplainam, e, levados da breca, fazem o leitor seduzido curtir, gostar, “cerrir” (como se diz lá em Itararé), e outros prosopopéias de mais um clássico da literatura brasileira que o Sergio Mudado é mesmo o numero um atualmente. Só senti o mesmo prazer quando li O Baudolino do Umberto Eco, Sergio Mudado no mesmo patamar, no mesmo nível.

-Contações com esmero, dados filosóficos e místico-conceituais, passando pela história de Minas e suas semeaduras gerais, do Brasil  de muito ouro e pouco pão, do mundo que Brecht rotulou como em tempos tenebrosos, como se o autor inventasse uma toda própria memória recorrente de idas e vi(n)das, alguns dados místicos, e, toma-lá-da-cá, o bendito boêmico personagem principal Juca Peralta que pinta e borda alardeios e mesmo insanidades, e bota suspensório em cascavel, aprontando das suas peraltices, entre prazeiranças e contentezas de um livraço. Muito prazer de ler, acreditem. Sergio Mudado narra com uma baita maestria, que dá o que sentir, curtir, florir-se. O próprio pensador francês Paul Ricouer ainda reafirma, a propósito do livro e de seu prumo literário: “Não temos a menor idéia do que seria uma cultura em que não se soubesse mais o que significa ´narrar,”

-Sergio Mudado dá show. Romance pontuado com causos do arco da velha – o escritor um grande mentiroso? – e o leitor entra de mala e cuia e mente lavada, e vai sendo bombardeado pelo implícito, explicito, internarrativas, ora sob um enfoque, ora sobre outro, na garupa do historial o leitor é conduzido e monta a galope o romance-quase-novela todo. Será o impossível? Pois, a acredite, se quiser, o livro de mais de 400 páginas cumpre a missão maravilhosamente, Sergio Mudado no auge, esmerilhando mitos, lendas, fofocas, mentiras e, claro, o conhecido e magnífico fluxo narrativo que é como se o doutor médico, também aí incluído importante (com prisma todo próprio) também uma persona en-passant no livro, e ainda assim por isso mesmo nos trouxesse mentes, corações, sentimentos, perdas e drenos, sob a sua ótica-criação de primeira grandeza, em belos horizontes, trilhas, errações, contrações e bravezas. Bravo.

E em troca de e-mail com o literato Sergio Mudado, dele tirei dados, pondo pimenta-camari na minha leção: “...No Juca Peralta você chegará a um capítulo no qual Juca e Noel Rosa passeiam pela noite da cidade em (1936), e a atmosfera é de pura magia.  O livro, admito, não é de leitura fácil e contém alguns segredos que podem ser desvendados ou não. Noge é o inverso de Egon, e é justamente um alter-ego do grande memorialista Pedro Nava (José Egon de Barros). Ele se torna o senhor do tempo podendo ir e vir, passado e futuro. Cleópatra é Ísis, deusa maior do panteão egípcio. O rádio Matador existiu como foi descrito. A Leitora, que acompanha quem narra, também existiu (e existe) de verdade, acompanhou a feitura do romance. Existe assim um espécie de realismo mágico. O livro começa em janeiro de 1939 e termina em setembro quando inicia-se o II conflito mundial. Nele entram, além de Pedro Nava, Guimarães Rosa, Thomas Mann, Joyce, Proust, Kayan  e outros. O universo do romance é complexo, mas não indecifrável.... Bem, eu me diverti muito, escrevendo-o. Minha mulher, que não é leitora "profissional" foi colhida pelo livro, o que me tranqüilizou... (...)”

-Wesley Duke Lee disse que "O que realmente me interessa é a qualidade da ilusão." No caso de Sergio Mudado ainda é a qualidade excepcional da imaginação, sentição, “dom de iludir”, cultura histórica, conhecimento dos descaminhos e configurações interioranas da matreira Minas, dando voz a figurinhas carimbadas de sertões, ruas, bares, quintais e zonas das mulheres de difíceis vidas fáceis, altares, quebradas, monturos, escombros e purezas, como no caso do viajante companheiro que é o Fábio, um aprendiz de Juca em mundos e cafundós.

-Entre magias, feitiços, mágicas, zonas de meretrício, cabarés, bares, crônicas, derramas, poemas, muita MPB e Noel Rosa cifrando todo o livro, mais poemas, insinuações paraletrais de quadrinhos, cantilenas, dados folclóricos, mineirices e pujanças, Juca Peralta pelo seu criador Sergio Mudado vai indicando dados dicas de rincões e suas tipicidades, curas, remédios, purgações, bacilos, pachorras, intermediações, matadores de aluguel, bares, comidas e comilanças, mais acidentes de percurso de amor que é cego e carecido, prostitutas, amantes, perigos, acidentes; um mosaico interiorano dessa Minas que muito bem representa a nossa brasilidade mestiça, entre imigrantes, lugares aonde o Judas perdeu o All-star, e vai por aí o bolero, as acontecências, bravatas e impertinências de percurso, feito um bem-bolado daquele que, certamente, é sim um dos maiores escritores atuais de Minas Gerais, um médico romancista. Já pensou?.

-Sobre o maravilhoso livro do cavaleiro medieval de Sergio Mudado eu já tinha escrito (fragmento):  “A história é uma pedra na consciência da civilização. Van Tieghem diz que a categoria social e a importância do escritor crescem em forma notória. Deve ser isso. Os privilégios dos caminhos da literatura contra os sandeus do absurdo que ainda impunemente viçam e mandam. Milton Hatoum diz que o escritor passa a vida inteira tentando dizer uma verdade profunda através de uma invenção literária. Sergio Mudado acertou e brilha na sua obra. Aliás, o próprio dia de brilhar (ilha de edição?) vive dentro dele, espelha ele, está no romance dele, Vassalo. Carne e coragem. Idade Média destilada como sangria letral. Por fim, como muito bem observou a amiga Maria Ilsen na apresentação do livro no site da Livraria Cultura, só a consciência da finitude explicaria a busca da continuidade muito além da vida, além dos sentidos. Alguns se tornam vassalos desta busca. Outros, plantam árvores, criam filhos, deixam obras importantes como Vassallu, A Saga de um Cavaleiro Medieval (de Sergio Mudado)”.

-Pois “O Negócios Extraordinários de um Certo Juca Peralta” é desde logo um clássico. Já no prefácio Benedito Nunes diz do realismo grotesco de Juca Peralta, e comenta: “Nas conversas dos personagens(...) intercalam-se o tempo todo versos das modinhas de Noel Rosa, também feito personagem. O próprio romance é um híbrido conjunto fragmentado, que é persegue e perseguido pelo Tempo e suas loucuras. Em contraponto com as peripécias de Juca Peralta, estão as idas e vindas da própria narrativa, que se divide em três partes dentro de um período datado – a partir de janeiro de 1939, ano fatídico, já instalado o Estado Novo por Getulio Vargas. Não esqueçamos (...) que essas idas e vindas é o próprio Tempo em seu fluir invisível, que se elabora como matéria prima da própria narrativa,m o Tempo vertiginoso, que tem medida desigual(...)”

-A Orelha de Juca Peralta já alerta a proposta: “Uma parceria – Semeei-te em mim - diz, quem narra e lê”, selando um pacto entre o leitor/narrador/autor, “perigo, musica e perfume(...) a atmosfera do texto”. E explicita ainda na orelha: “O leitor que ousar acompanhar quem narra, terá, se sobreviver aos perigos que o espreitarão ao longo da jornada, a oportunidade única de sair de si mesmo e contemplar outro universo(...). Sentirá no espírito, ao mergulhar neste mundo fantástico mundo de palavras alinhadas, imenso deleite. E,s e for arguto, poderá reconhecer nesses resquícios de literatura uma declaração de amor a palavras e aos gênios que a transformam: Nava, Rosa, Mann, Proust, Joyce... (...) Romance saboroso, regido pelo antigo deus que, ainda hoje, ilumina a existência dos amantes da arte, dos leitores capazes de ouvir no vento de estrelas a sinfonia cósmica do Senhor do tempo, da Magia e da palavra” 

-O vendedor-Inspetor Juca Peralta, caixeiro-viajante, o aspirante a vendedor Fábio, o rádio Matador feito uma metáfora que se comunica, fere, brinca e se expande literalmente, mais expressões, doenças, filosofias, mitologias, fantasmas, tudo impregnando as facetas do livro que são várias, vários prismas, vários espaços cênicos, tudo um verdadeiro vislumbre para quem adora literatura de alta qualidade criadora e narrativa impecável, entre tantos personagens que vão, voltam, somam, dramatizam, ironizam, recheiam o livro, com viagens de trens, estações e paragens, baldeações (inclusive trans-narrativas) citações bíblicas, ou outras em latim, francês, um verdadeiro destrinche das facetas dos personagens, técnicas de narrar e mesmo confeito criacional do autor, fora de série mesmo. Não é qualquer um que pode criar uma obra assim. Não é qualquer dia que uma jóia preciosa assim nos cai na graça ledora impertinente de se deixar encantar. Mil maravilhas.

-Tuberculose, loucuras? Juca Peralta é o “jogo de amarelinhas “(Fidalgas...) de Sergio Mudado? "Cada romance tem de ser um objeto único. O enredo ordena a sua forma. A estrutura do relato segue a intensidade da narração.", diz Juan José Saer. Por fim, falando sério, deixo que o leitor procure o seu exemplar do belo livro, corra atrás, vá ser também Juca e Peralta atrás de seu comboio, lugar-tenente de ilusões, culturas e artes lítero-culturais fantásticas, trem noturno ou não. Porque, de uma forma ou de outra, assim na terra como no céu, loucos ou saradinhos – de perto ninguém é normal, cantou Caetano Veloso – somos todos filhos de estações de trens; afinal, já no passado não cantou o Ministro da Cultura Gilberto Gil, sobre o benfazejo Expresso 2222 da Central do Brasil?

 

-Sim, há um trem para as estrelas... E em Juca Peralta a vida é um comboio engatando acontenças, e a visão pode ser só um ponto de partida ou de chegada. Deste e de outro mundo.

 

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Silas Correa Leite - Santa Itararé das Artes/Samparaguai, Fevereiro 2011

Poeta, Ficcionista, Teórico de Educação, Conselheiro em Direitos |Humanos, Jornalista Comunitário, Premio Lygia Fagundes Telles Para Professor Escritor

Pós-Graduado em Literatura na Comunicação (ECA/USP)
Autor de Porta-Lapsos, Poemas, e Campo de Trigo Com Corvos, Contos premiados, finalista do Prêmio Telecom, Portugal, à venda no site
www.livrariacultura.com.br

E-mail: poesilas@terra.com.br

Blogue premiado do UOL 2009/2010: www.portas-lapsos.zip.net

Site de sua aldeia natal: www.artistasdeitarare.blogspot.com/

 

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9/2/2011 - ESTATUTO DE POETA, de Silas Correa Leite, de Santa Itararé das Letras

 

 

ESTATUTO DE POETA

Primeiro Rascunho Para um Esboço de Projeto Amplo, Total e Irrestrito
Silas Corrêa Leite
Artigo Um

Todo Poeta tem direito de ser feliz para sempre, mesmo até muito além do para sempre, ou quando eventualmente o “para sempre” tenha algum fim.      
Artigo Dois
Todo Poeta poderá dividir sua loucura, paixão e sensibilidade com mil amores, pois a todos realmente amará com o mesmo prelúdio nos olhos, algumas asas nas algibeiras e muitas cítaras encantadas na alma, ainda assim, sem lenço e sem documento.
Parágrafo Único
Nenhum Poeta poderá ser traído, a não ser para que a pobre ex-Musa seja infeliz para todo o resto dos dias que lhe caibam na tábua de carne desse Planeta Água.
Artigo Três
Nenhum Poeta padecerá de fome, de tristeza ou de solidão, até porque a tristeza é a identidade do Poeta,  a solidão a sua Pátria, sendo que, a fome pode muito bem ser substituída num abismo terminal por rifle ou cianureto. E depois, um poeta não precisa de solidão para ser sozinho. É sozinho de si mesmo, pela própria natureza, com seus encantários, santerias, ninhais, mundo-sombra e baladas de incêndio.
Artigo Quatro
A Mãe do Poeta será o magno santuário terreal de seus dias de lutas e sonhos contra moinhos e erranças de gracezas e iluminuras.
Filho de Poeta será como caule ao vento, cálice de liturgia, enchente em rio: deverá adaptar-se ao Pai chamado de louco por falta de  lucidez  de comuns mortais ou velado elogio em tácita inveja espúria.
Artigo Quinto
Nenhum Poeta será maior que seu país, nenhuma fronteira ou divisa haverá para o Poeta, pois sua bandeira de luz-cor será a justiça social, pão, vinho, maná, leite e mel, além de pétalas e salmos aos que passaram em brancas nuvens pela vida. E depois, uns são, uns não, uns vão, uns hão, uns grão, uns drão – e ainda existem outros.
Artigo Sexto
A todo Poeta será dado pão, cerveja, amante e paixão impossível, o que naturalmente o sustentará mental e fisiológicamente em tempos tenebrosos ou de vacas magras, de muito ouro e pouco pão.
Artigo Sétimo
Nenhum Poeta será preso, pois sempre existirá, se defenderá e escreverá em legítima defesa da honra da Legião Estrangeira do Abandono, à qual se sabe pertencer, com seu butim de acontecências, ou seu não-lugar de, criando, Ser, estar, permanecer, continuar, feito uma letargia, um onirismo, uma catarse, ou um surto psicótico que os anjos chamam alumbramento terçã.
Artigo Oitavo
A infinital solidão do espaço sempre atrairá os Poetas.

Artigo Nono

Caso o Poeta “viaje fora do combinado”, tome licor de ausência ou vá morar no sol, nunca será pranteado o suficiente, nem lhe colocarão tulipas de néon, dálias aurorais, estrelícias de leite ou dente-de-leão sob o corpo que combateu o bom combate. Será servido às carpideiras, amigos, parentes, anjonautas e guardiões, vinho de boa safra por atacado, cerveja preta mais bolinhos de arroz, pão de minuto e cuque de fubá salgado.


Artigo Décimo

Poeta não precisará mais do que o radar de seus olhos, as suas mãos de artesão sensorial no traquejo do cinzel interior, criativo, mais sua aura abençoada e seu halo com tintas de luz timbral  para despojar polimentos íntimos em verso e prosa, como pertencimentos-quireras, questionários e renúncias.

Artigo Décimo-Primeiro

Poeta poderá andar vestido como quiser, lutar contra as misérias e mentiras do cotidiano (riquezas impunes, lucros injustos, propriedades roubos), sempre buscando pela paz social, ou ainda mamando na utopia de uma justiça ético-plural-comunitária. Quem gosta de revolução de boteco é janota boçal metido a erudição alcoólica e pseudo-intelectual seboso e burguês. Poeta gosta mesmo de humanismo de resultados. De pegar no breu. A luta continua! Saravá, Brecht!


Artigo Décimo-Segundo

Poeta pode ser Professor, Torneiro-Mecânico, Operário, Ourives, Jardineiro, Fabricante de Bonecas, Vigia-Noturno, Engolidor de Fogo, Entregador de Raposas, Dono de Bar ou Encantador de Freiras Indecisas. Poeta só não poderá ser passional, insensível, frio ou interesseiro. Ao poeta cabe apenas o favo de Criar. O poeta escreve torto por linhas tortas (um gauche), poesilhas (poesia rueira e descalça) e ficção-angústia. Escreve (despoja-se) para não ficar louco...para livrar do que sente. O Poeta, afinal, é um “Sentidor” com sua angústia-vívere

Artigo Décimo-Terceiro

Se algum Poeta for acusado levianamente de alguma eventual infração ou crime, a dúvida o livrará de ser apenado. E se o Poeta dizer-se inocente isso superará palavras acima de todos e sua fala será sentença e lei sagracial. A ótica do Poeta está acima de qualquer suspeita, e ele sempre é de per-si mesmo o local do crime da viagem de existir. Mas pode colaborar com as autoridades, cometendo um crime perfeito. Afinal, só os imbecis são felizes.



Parágrafo Único

Poeta não erra. Refaz percursos. Poeta não mente. Inventa o inexistente, traduz o impossível,  delata o devir. Poeta não morre. Estréia no céu. Poeta padece fibra por fibra no ser-se de si mesmo
Artigo Décimo-Quarto

Aos Poetas serão abertas todas as portas, até as invisíveis aos olhos vesgos  e comuns dos mortais anônimos, serão abertos todos os olhos, todas as almas, todos os caminhos, todas as chamas, todos os cântaros de lágrimas e desejos, todos os segredos dessa dimensão ou fora dela, num desespelho de matizes, feito insofrência do desmundo.


Artigo Décimo-Quinto

A primeira flor da primeira aurora de cada dia novo, será declarada de propriedade do Poeta da rua, do bairro, do país ou de qualquer próximo Poeta a confeitar como louco, como ermitão ou pioneiro, de vanguarda. Em caso de naufrágio ou incêndio, poetas e grávidas primeiro

Artigo Décimo-Sexto
Não existe Poeta moderno, clássico, quadrado, matemático como pelotão de isolamento, ou só aleijado por dentro, pois as flores e os rios não nascem nunca iguais aos outros, sósias, nem os poemas são tijolos  formais de reboques arcaicos. Nenhum Poeta poderá produzir só por estética, rima ou lucro fóssil. Poesia não é para ser vendida, mas para ser dada de graça. Um troco, um soneto, uma gorjeta, um haikai, um fiado pago, uns versos brancos, um salário do pecado, um mantra-banzo-blues-lundu. E todo alumbramento é uma meia viagem pra Pasárgada.

Poeta é tudo a mesma coisa, com maior ou menor grau de sofrimento e lições de sabedoria dessas sofrências, portanto, com carga maior ou menor de visão, lucidez, sensoriedade canalizada entre o emocional e o racional, de acordo com a sua bagagem, seu vivenciar, seu prisma existencialista de bon vivant por atacado. Poeta há entre os que pensam e os que pensam que pensam. Entre os que são e os que pensam que são, pois se parecem. A todos é dado a estrada de tijolos amarelos para a empreita de uma caminhada que o madurará paulatinamente. Ou não. Todo poeta é aprendiz de si mesmo, em busca de uma pegada íntima, e escreve para oxigenar a alma. Afinal, são todos sementes, e sabem que precisam ser flores e frutos, para recriarem, para sempre, a eterna primavera cósmica.

Todo aquele que se disser Poeta, assim o será, ou assim haverá de ser

Parágrafo Um

O verdadeiro Poeta não acredita em Arte que não seja Libertação. Saravá, Manuel Bandeira!

Parágrafo Dois

Poeta bebe porque é líquido. Se fosse sólido comia.

Parágrafo Três

Poeta é como a cana. Mesmo cortado, ralado, amassado, ao ser posto na moenda dos dias, ainda assim tem que dar açúcar-poesia
Inciso Um

Poeta também bebe para tornar as pessoas mais interessantes.

Parágrafo quatro

Poeta não viaja. Poeta bebe. E todo Poeta sabe que o fígado faz mal à bebida.




Artigo Décimo-Sétimo

Poeta terá que ser rueiro como pétala de cristal sacro, frequentador de barzinhos como anjo notívago, freguês de saunas mistas como recolhedor de essências, plantador de trigais amarelos como iluminador de cenários, cevador de canteiros entre casebres de bosquíanos, entre o arado e a estrela, um arauto pós-moderno como declamador de salmos contemporâneos entre extraterrestres.

Parágrafo Único


Poeta rico deverá ainda mais amar o próximo como se a si mesmo, ajudando os fracos e oprimidos, os Sem Terra, Sem Teto, Sem Amor, para então se restar bem-aventurado e poder escrever cânticos sobre a condição humana no livro da vida. Poeta é antena da época. E o neoholocausto do liberalismo globalizador é o câncer que ergue e destrói coisas belas.

Artigo Décimo-Oitavo

A todo Poeta andarilho e peregrino como Cristo, São Francisco ou Gandhi, será dado seu quinhão de afeto, sua porção de Lar, seu travesseiro de pétalas de luz. Quem negar candeia, azeite e abrigo ao Poeta, nunca terá paz por séculos de gerações seguintes abandonadas entre o abismo e a ponte para a Terra do Nunca. Quem abrigar um Poeta, ganhará mais um anjo-da-guarda no coração do clã que então será abençoado até os fins dos tempos.

Parágrafo único
O sábio discute sabedoria com um outro sábio. Com um humilde o sábio aprende.

Artigo Décimo-Nono

Poeta poderá andar vestido como quiser, com chapéus de nuvens, pés de estrelas binárias ou mantras de ninhos de borboletas.  Nenhum Poeta será criticado por fazer-se de louco pois os loucos herdarão a terra e são enviados dos deuses. “Deus deve amar os loucos/Criou-os tão poucos...” - Um Poeta  poderá também andar nu, pois assim viemos e assim nos moldamos ao barro-olaria de nosso eio-Éden chamado Planeta Água. E a estética para o poeta não significa muito, somente o conteúdo é essência infinital.

Artigo Vigésimo

Poeta gosta de luxo também, mas deve  lutar por uma paz social, sabendo a real grandeza bela de ser simples como vôo de pássaro, simples como pouso em hangar fantástico, simples como beira de rio ou vão de cerca de tabuínha verde. Só há pureza no simples.

Artigo Vigésimo-Primeiro

Nenhum Poeta, em tempo algum, por qualquer motivo deverá ser convocado para qualquer batalha, luta ou guerra. Mas poderá fazer revoluções sem violência.  Poderá também ser solicitado para ser arauto da paz, enfermeiro de varizes da alma ou envernizador de cicatrizes no coração, oferecendo, confidente e solidário, um ombro amigo, um abraço de ternura, um adeus escondido feito recolhedor de aprendizados ou visitador de bençãos, ou até ser circunstancialmente um rascunhador clandestino de alguma ridícula carta de suicida por paixão impossível.


Artigo Vigésimo-Segundo

Mentira para o Poeta significa cruz certa. Aliás, poeta na verdade nunca mente, só inventa verdades tecnicamente inteiras e filosoficamente sistêmicas...

Artigo Vigésimo-Terceiro

Musa-Vítima do Poeta será enfermeira, psicóloga, amante, mulher-bandeira, berço esplêndido, Santa. Terá que ser acima de todas as convenções formais, pau para toda obra. No amor e na dor, na alegria e na tristeza, até num possível pacto de morte.

Artigo Vigésimo-Quarto

Poeta não paga pensão alimentícia. Ou se está com ele ou contra ele. Filhotes sobrevivente de uma relação qualquer, ficarão sob sua guarda direta e imediata. Ex-Mulheres serão para sempre águas passadas que não movem moinhos, como velas ao vento de uma Nau Catarineta qualquer, como exercícios de abstrações entre cismas, ou como aprendizados de dezelos íntimos de quem procura calma para se coçar.


Artigo Vigésimo-Quinto

Revogam-se todas as disposições
em contrário

CUMPRA-SE
- DIVULGUE-SE
Itararé, São Paulo, Brasil, Cinzas, 1998, Lua Cheia – Do jazz nasce a luz!

Poeta Silas Corrêa Leite, Educador e Jornalista –  Membro da UBE-União Brasileira de Escritores - www.itarare.com.br/silas.htm

(Texto traduzido para o espanhol pela Poeta Dr. Antonio Everardo Glez, de Durango, México) - Breve tradução para o inglês, francês e italiano.


E-mail: poesilas@terra.com.br
*******************


Comentários Sobre o Estatuto de Poeta


Por Mestra Dra. Alice Tomé*


Viver em Arte poética é entrar na dimensão do infinito sem procurar razões, e, como tudo tem um princípio e um começo a ideia deste prefácio para o Estatuto de Poeta nasceu das inter-relações via Internet do grupo «Cá Estamos Nós» criado por Carlos Leite Ribeiro, jornalista, poeta e ensaísta português.

Se toda a canção é um poema, - para quem nasceu quase a cantar, dizem – é uma honra muito grande esta solicitação de prefaciar a obra – Estatuto de Poeta - de Silas Corrêa Leite, poeta e professor, que como todos os Estatutos são o caminho que se deve seguir para atingir os fins; e, como ele próprio escreve «Ser poeta é minha maneira/De chorar escondido/Nessa existência estrangeira/Que me tenho havido».

Uma maior honra ainda porque não trilhando directamente os caminhos científicos de Artes e Letras mas, sim, de Ciências Sociais e Humanas, e mais precisamente da Sociologia da Educação, a questão poética é algo que brota naturalmente em mim, como o riacho que nasce na montanha e vai escalando os espaços até se tornar uma força corrente e se juntar a outras correntes que lhe dão ainda mais força, e onde tantas vidas vão beber, alimentar, refrescar, repousar, sonhar, criar (…), e, em terras de Beirãs, do rio Côa os antigos contavam: «Quantos moços…Quantas moças?/Lenços brancos aí lançaram?/A corrente os arrastou/E sua benção partilharam…(Alice Tomé, Café Literário3, Editores Associados & Blow-Up Comunicação, São Paulo, Brasil, 2002)»

O Poeta e Educador Silas Corrêa Leite já tem um longo caminho poético percorrido, feito de experiências vividas, aprendidas, interiorizadas e como ele diz: «Não somos brancos, vermelhos, pretos, ou amarelos/Somos a Raça Humana…». E, para melhorar esse caminho «humano» nasce o Estatuto de Poeta que, por certo, logo no artigo 1º não deixa dúvida da sua grandeza e ambição na procura da Felicidade: «Todo o Poeta tem direito de ser feliz para sempre,…». Essa procura da Felicidade – essência da pessoa – que cada Ser vive e procura à sua maneira, que se mostra e esconde e não tem retorno; ou se vive ou não existe, algo sem definição, como a própria poesia, existe, sem mais, e, diria Manuel Bandeira «O verdadeiro poeta não acredita em Arte que não seja Libertação».

Bebe-se a água cristalina da fonte, bebe-se o vinho de pura casta que sacralizado se transforma em vida…,e, pensa-se poesia no silêncio ou na celeuma, porque poeta está para além do tempo e da razão, «…Poeta bebe…(artº. Quarto)».

Todos os Artistas transgridem as normas sociais, todos saltaram barreiras, todos, no sentido da normalidade, fizeram loucuras porque a deificação da Arte e Poesia é cósmica, é mística, é dogmática, e, o seu criador  é uma mistura/mélange disso tudo, onde a Estética criadora existe na «Sonsologia do Ser, do já vivido ou do já sentido, (Mario Perniola)», e, nesse cruzamento de Olhares, visões e sensações nasce a obra, criação sua, fruto seu e sempre único, mesmo que em algo se assemelhe à Escola de uma vida feita de «Retalhos e Colagens» que os Autores (re)criam dando-lhe outra dimensão, outra existência, outra roupagem, à maneira de Miguel D’Hera ou de Eduardo Barrox e tantos outros…O artigo décimo, deste Estatuto de Poeta, transporta-nos até essa dimensão natural : «Poeta poderá andar vestido como quiser…».

A poesia vive-se, dá-se, partilha-se entre amigos, e, nesse acto de solidão, de sensualidade, de saudade, de comunhão que nos transportam os versos de autores, pertencentes ao passado e ao presente, grandes vultos poéticos que marcaram a nossa identidade Luso-Afro-Brasileira, como: Luís de Camões, Gil Vicente, Almeida Garrett, Eça de Queiroz, Fernando Pessoa, António Nobre, Florbela Espanca, Miguel Torga, António Gedeão, Vergílio Ferreira, Amália Rodrigues, Jorge Amado…, e, dando continuidade a essa veia poética estão Autores actuais: Flávio Alberoni, Ana Paula Bastos, Ângelo Rodrigues, Alice Tomé, Eduardo Barrox, João Sevivas, Manuel Alegre, Américo Rodrigues, Silas Corrêa Leite, Von Trina, José Ronaldo Corrêa, Valmir Flor da Silva…,e, tantos, tantos outros, são os testemunho universal e eternizante do poeticamente existindo e vivendo a dimensão Humana sempre aprendendo e criando.

«Sinto que algo se separa neste instante./É uma parte que se vai/ e já me deixa saudades…(Alberoni, Café Literário1, Editores Associados & Blow-Up Comunicação, SP, Brasil, 2002)»

Poeta luta pela paz mesmo no meio do “caos”, é irrequieto, irreverente, porque igual a si próprio na procura incessante do “Ser ou não Ser”, do “Estar ou não Estar”, “do Viver ou não Viver”, porque poeticamente sonhando e criando essa outra existência telúrica onde a Musa -  da Arte poética – queima convenções formais e se torna «Pau para toda a obra…(artº vigésimo segundo)», e, aos que a saudade Lusa herdaram, ou a vivem, seja onde for, saia a POESIA do anonimato, divulgue-se este Estatuto de Poeta, viva-se em poesia e abra-se a porta do infinito…assim o esperamos.

*Mestra Doutora Alice Tomé – Portugal - Texto inédito criado para Estatuto de Poeta, de Silas Corrêa Leite de Itararé-SP/Brasil», aos 10 de Maio de 2002, Lisboa, Portugal.
-------
*Alice Tomé é Professora Universitária, Socióloga e Educóloga, Poeta, Ensaísta, e Doutora em Ciências da Educação, Directora da Revista ANAIS UNIVERSITÁRIOS – Ciências Sociais e Humanas, Editora da Universidade da Beira Interior (UBI), Covilhã, Portugal,  e Responsável das Relações Internacionais Sócrates/Erasmus do Departamento de Sociologia da UBI; <"
http://atome.no.sapo.pt/index.htm>; . A autora, além das publicações poéticas nas Antologias: POIESIS IV, (2000), e, POIESIS VI, (2001), da Editorial Minerva, Lisboa, colabora, em várias «Revistas Electrónicas», (sites na WEB): «Andarilhos das Letras», «Café Literário» - São Paulo, SP; «A Arte da Palavra»; «Grupo Palavreiros»; «3D gate»; «Rio Total»; «Jornal de Poesia»; Brasil; e, em Portugal, nos sites «Cá Estamos Nós» - Marinha Grande; «terranatal» - O Portal de Portugal; e, «URBI ET ORBI» - jornal on-line da UBI, da Covilhã, da Região e do resto.
Tem vários livros publicados, sendo também Autora – Coordenadora da obras: «Éducation au Portugal et en France. Situations et Perspectives, Editions de L’Harmattan, Paris, 1998; «Terra Vida Alma. Valongo do Côa», Editorial Minerva, Lisboa, 2000. Recentemente publicou: «Sociologia da Educação. Escola et Mores», Editorial Minerva, Lisboa, 2001.
Alice Tomé é Beirã de gema, Portuguesa de «jus sanguinis», amante da vida...de Lisboa e Paris (e Covilhã onde trabalha).
Nasceu em Valongo do Côa, Sabugal, Guarda, Portugal.

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8/2/2011 - PALAVRAS DE POETA

 

 

AS PALAVRAS

 

As palavras sempre foram uma escora para a minha sobrevivência possível.

Com o tempo, rotulei-as: poemas descalços.

Principalmente depois que li Drumonnd com o qual dialoguei.

Antes Castro Alves, Rilke, Vinicius e o Poeta Pedro Ribeiro Pinto de Itararé, minha santa aldeia natal.

As palavras foram um esparadrapo em meu ressentir. Errações me foram duras.

Viver era um desatino sem fim. Como permanecer sensível entre amarguras?

Ah a vida dura dos meninos pobres... o trabalho nas ruas...

As palavras me iam e vinham, testamentos letrais

Surgiam do nada. Vinham como se acopladas por um sentimento misto de dor e horror.

Sobreviver sendo pobre tem um preço. Escrever a ilha-fuga.

O pai no acordeom vermelho. A mãe no tanque de pedra lascada.

E minhas irmãs, Erzita, Clarice e Sueli. Eu, bendito fruto, Jeca Crusoé.

E meus irmãos, depois de mim: Paulo Tarso e Célio Eli.

O primeiro filho varão carregava um trem.

O pessegueiro florido da morte. As tentativas de abismo.

As palavras me foram ungüento e minha alma nau viajosa

Inventava de inventar; ler dicionários era castigo em casa

E sempre havia um virado de feijão com couve que eu variando achava uma prosopopéia.

-Que palavra é essa, Piá? O pai sondando o devir.

Então descobri a Metáfora.

Santa Itararé dos boêmios e forfés, meu reino encantado.

Eu, andorinha sem breque, a vender de dolé de groselha preta

E a tomar tino das coisas. Rádio, carnaval, cerveja. Boêmia...

Um dia o guri que eu era adultizou-se. Levou quem trouxe.

Escrevia para o jornal O Guarani, ao lado do meu poeta preferido

E de Lucas Ferreira, Mário Padial Chaves, Edson Melilo, Marcos Chunda

Lauri Ribeiro Pinto e outros degas de meu rincão natal.

Cresci, estudei, em Samparaguai venci, sempre cercado de palavras.

Só a morte me deixa sem saber o que dizer.

Ganhei prêmios, lancei livros, estive em palestras e em mais de quatrocentos sites.

Empalavrei o reino da web.

Agora, passando de meio século de vida, conto os carunchos.

Terá valido a pena tanta tristeza para viver e não ter me morrido?

As palavras não calam e nem consentem.

Estou triste como um prego enferrujado sobre um martelo

Na tábua de carne da vida

Ainda assim como um surto-circuito, escrevo, escrevo, escrevo...

Deus teve piedade de mim, deu-me a poesia-resiliência.

Habito-a. Ela me rastreia. E quem quiser que conte outras.

Assim na terra como no céu.

Se houver amanhã, dirão, não existiu, o moleque caipora.

Foi só poeta e teve a colcha de retalhos de poemas que o protegeram.

Cantagonias. Minhas lagrimais letrais, válvulas de escapes do meu DNA marcado.

 

-0-

 

Silas Correa Leite

República Etílico-Boêmia Rural de Itararé

Poema da Séria “Memórias da Estância Boêmia de Itararé”

Sites: www.itarare.com.brwww.portas-lapsos.zip.net

 

Contatos imediatos de todos os graus:

E-mail: poesilas@terra.com.br

 

 

 

 

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16/12/2010 - Conto de Natal, 'O ENGRAXATE" - de Silas Correa Leite

 
Conto de Natal
 
 
 
O ENGRAXATE
Milagre de Natal de Uma Infância Pobre em Itararé
 
 
O pai que tivera alguns bens imóveis em Harmonia, Monte Alegre, Paraná, perseguido por grileiros e jagunços do político corrupto Lupion do Paraná, de uma hora pra outra ficou pobre, perdeu tudo, resolveu voltar para Itararé, para não ter que matar ou morrer, e ali a nossa vida degringolou de vez. Eu um guri depois de seis irmãs, vendo a coisa sofrível em casa, a portentosa mãe lavando roupas pra fora para sobrevivermos, a parca pensão que o pai depois doente recebia, e, cedo, muito cedo ainda, tive que trabalhar para ajudar em casa. De primeiro e muito precoce no trabalho, ainda cursando o primário no Grupo Escolar Tomé Teixeira, fui engraxar sapatos. Depois fui vendedor de dolé de groselha preta, depois fui bóia-fria em campos de feijão-jalo em terras do Romero, depois marceneiro, depois garçom no Bar do Calixtrato, até precocemente começar a cantar em shows de pratas da casa imitando ídolos da Jovem Guarda, depois sendo locutor de rádio e mesmo com 16 anos começar a escrever para um suplemento jovem que o jornal O Guarani trazia encartado.
 
Mas o começo da lida rueira foi difícil no início, para um manteiga derretida, quase bendito fruto entre tantas irmãs. Tinha eu mal-e-mal uns nove anos e tanto. A tosca caixa de engraxar sapatos pintada de verde-musgo e fora o pai que aos poucos e com muito custo fizera. Ganhando a Praça Coronel Jordão, ali concorrendo com guris mais afeiçoados ao serviço, eu mal sabia dar lustro direito, sequer passar graxa aprendera, muito menos limpar os sapatos dos botocudos. Teria que rapidamente aprender trabalhando, tinha que me virar como pudesse, olhar de piá pidão, com amarelão, ainda as agruras da primeira infância.
 
Enquanto esperava um ou outro freguês de ocasião e percurso (e tive poucos, confesso), caixa de engraxar nos ombros, andava serelepe pela Rua XV, sondando os bares, as pessoas chiques, as gentes ricas dos lugares e suas acontecências no entorno festivo.
 
Via aquele pessoal boêmio e todo trancham tomando rotineiros aperitivos, meninos bem vestidos saboreando uma Crush – que era muito cara para mim – outros comendo sonhos de valsas na Bombonieri Los Angeles em frente ao Grupo Escolar Tomé Teixeira do tempo do Professor Bonilha. Eu, mal-e-mal um piá ranhento que amava os Beatles e Tonico e Tinoco.
 
Tempo de vacas magras. Final dos anos 60, Itararé emperiquitada para os festejos de Natal, Walter Santana Menk no auge. Os guris ricos ganhavam brinquedos caros, locomotivas movidas a pilha, as casas com luzes coloridas, eu mal-e-mal tinha uma sopa de fubá com couve rasgada, um abraço demorado do pai, uma oração plangente da mãe, e suco do chafariz do Bairro Velho com bolinhos de chuva e licores de ausências. Tempos difíceis. Só por Deus.
 
E corto a pitanga da história aqui, lembrando que dia desses estava no Bar Chaplin, na rua Prudente de Morais, atrás do Palácio Vadico, do amigo e camarada Carlinhos Sampaulino, quando passou um guri de rua e me pediu que lhe pagasse um doce. Disse pro guri escolher. Ele deu um assobio e chamou dois outros moleques da turma, o Carlinhos disse que eles eram pidonchos mesmo, que eu não ligasse, mas eu aceitei e lhes paguei uma guloseima, eles agradeceram e saíram sorrindo, lambendo os beiços. Expliquei, emocionado, ao Carlinhos, justificando, tristonho de momento:
 
-Eu fui um guri pobre como eles, era Engraxate... Caixa de engraxar sapatos nos ombros. Olhava com jeito pidão o pessoal bebendo, comendo, que me viravam as costas, refugavam, mesmo quando eu pedia serviço:
 
-Vai graxa, moço?.
 
Com fome, pobrinho, queria tanto uma maria-mole de coco queimado, um encapotado de frango, um suspiro, umas balas paulistinhas ou toffe, um cuque de abóbora, uma Grapete, uma Crush estupidamente gelada, mas os tipos me olhavam com desdém, eu era da raia pobre, não queriam se misturar. Por isso ali, no Bar do Carlinhos, vencedor, lembrando dos tempos difíceis da vida dos tempos em que a água bebia a onça, não custava nada me colocar no lugar do outro, sentir a dor do outro, e pagar um doce, uma tubaina, para um guri de rua, um menino que eu também fui e ali estava apenas cumprindo meu dever com a consciência e a memória de um tempo já perdido nos calipiás do longe.
 
Pois era isso o que eu queria dizer, voltando ao causo memorial. Os dias da infância pobre nas ruas, na Praça Coronel Jordão, um e outro sujeito que eu engraxava reclamando que eu manchara de graxa a calça calhambeque, que faltou lustro eficaz na botinha sem meia, quando não, os tipos fuinhas e mãos-de-vaca não me pagavam nada, e eu ficava, além de faminto, sem dinheiro pra levar pra cara, com a cara de pardo anjo sofrido a clamar por fé em justiça, num natal perdido nas dobras de um tempo qualquer. Mas nem sempre foi assim, claro. Há um Deus. E há ainda anjos azuis que tomam conta dos meninos de rua.
 
Subindo a Rua XV de Novembro, tempo amuando, friorento, eu, de chinelos de dedos gasto de um lado de tanto usar em peregrinação, parei em frente ao Bar XV que pintara uma chuvinha. Fiquei olhando pra dentro, com fome, as estufas cheias, o bar com bilhar, todo num ambiente alvissareiro, entrei, pedindo, quase implorando entre lágrimas:
 
-Vai graxa, Seu moço? Vai graxa, senhor? Vai graxa, Seu isso... Seu aquilo...
 
Eu queria só um par de sapatos de bico fino para engraxar, para poder levar uns trocados pra casa, uns tostões que fossem, a barriga roncando, quem dera uma coxinha, um encapotado de frango, um milagre – não era Natal?. Olhar brejeiro, roupa humilde, jeito pidão no meu silencial de poeta se arvorando na alma triste, e foi quando tudo aconteceu.
 
O Seu Abrahão – nunca soube o nome inteiro dele, se era o que tinha uma empresa de ônibus, uma transportadora, ou um parente do clã – mas um tipo bem apessoado, bem vestido com zelo, impoluto, alto, moreno claro, na flor da idade, pose de rico, que traduziu a minha tristice com tez chã e depressinha pediu ao garçom do Bar:
 
-Sirva uns encapotados de frango pro guri aí.
 
(Humildemente chorei por dentro, mas não demonstrei, claro, talvez só estrelas brilhando nos olhos de pidão capitulado.)
 
-Sirva uma Crush também, ordenou Seu Abrahão.
 
E eu me senti dentro de um coração no céu de todas as honras.
 
Comi e me fartei, bebi a gasosa, olhei o seu Abrahão que ainda me deu uns trocados e disse “Vá pra casa piá, está frio, vá descansar, vá com Deus... ”
 
Agradeci, “Deus que ajude Seu moço”, e saí coroado de amor, de humanismo, andar-de-segura-peido... calcanhar de frigideira...
 
Naquela hora senti que um anjo engraxava de luz a alma daquele homem de coração alumbrado que Deus pusera em meu caminho de berebento guri rueiro.
 
Certamente foi a melhor ceia de natal que tive em toda a minha pobre infância rueira de trabalhador precoce.
 
Cresci, fiz-me forte por Deus, com resiliência lutei, me formei, venci na vida. Não sei direito que Abrahão era. Mas Deus certamente sabe, anotou na caderneta celeste o crédito. Nalgum lugar do passado a minha lágrima de fé e luz transbordou.
 
Hoje ando pelas ruas de cacau quebrado de Itararé com a consciência tranquila, com a sensação do dever cumprido, eu, um guri mal-e-mal crescido que procura em cada ser, em cada irmão, em cada amigo, em cada companheiro e camarada, a alma daquele abençoado “Abrahão” que, certamente, fez da minha infância pobrinha um circunstancial presépio de luz naquele momento em que me estendeu seus sensíveis olhos bondosos, suas caridosas mãos de lutador, sua cintilante alma de asas...
 
-0-
 
Silas Correa Leite, Santa Itararé das Letras, Dezembro 2009
Texto da Série “Confesso que Sobrevivi” Memórias de Uma Infância Pobre
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16/12/2010 - Poema Anjo de Natal, de Silas Correa Leite, de Santa Itararé das Letras

*
Anjo de Natal
 
Perguntei bem tristinho
Ao meu Anjo de Natal:
 
-Por que é que eu sofri tanto?
 
E ele me respondeu “cerrindo”, feito uma criança encantada de amor:
 
-Você já se perguntou por que é um Vencedor?
 
-0-
 
 
 
Silas Correa Leite, Santa Itararé das Letras
 
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Sobre Mim

Escritor Premiado em Verso e Prosa, Teórico da Educação, Jornalista Comunitário, diplomado Conselheiro em Direitos Humanos, de Santa Itararé das Artes, São Paulo, Brasil, blogue premiado do UOL: www.portas-lapsos.zip.net

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