TELEVISÃO COMPUTADOR TELEFONE

Home - Perfil - Arquivos - Amigos

Na boca alvorada crepuscular de seus úteros

Postado em 21/4/2014 em 02:39 PM

 

 

No livro do futuro,

escrevo cravando dentes e os olhos,

em todas as variantes altitudes

da saborosa brasa mais que viva

das letras ainda moles

por continuarem para o sempre

em estado de gestação

 

Miro as armadas de Jorge de Lima,

os exércitos de José Arcadio Buendía,

os couraçados que me cercam nos dias infernais

 

E não tem guerra, e não tem calmaria

que me tire da frente desses papéis,

ora azuis, ora amarelos, ora mergulhados

na toca da lebre que carrega o relógio

e Alice para a lisergia do mar extremo

 

Do branco, não tenho nada,

do branco, arranco tudo

antes de verter em sono os frutos da noite,

os frutos verdes transparentes que um dia comi

sobre um morro que ficava no Jardim da Granja

 

São ovos que eu carrego

nos bolsos da mente colorida

que sempre me leva ao planalto central

do país que fica acima

e abaixo do ventre

de todas as meninas de Albarã,

de todas as fêmeas me tiveram

e me terão incinerante

na boca alvorada crepuscular de seus úteros

 

                ( edu planchêz )


« Última Página :: Próxima Página »